domingo, 19 de setembro de 2010

Voto nulo - parte 2

Voto nulo - parte 1

Manifesto em Defesa da Educação Pública no Rio de Janeiro

Não é mais possível esperar ou ficar parado. Os índices do IDEB ou do ENEM apenas revelaram aquilo que os profissionais da educação e o conjunto da sociedade civil no Rio de Janeiro já sabem há tempos: os sucessivos governos que passaram pelo nosso estado e pelos diversos municípios fluminenses nas duas últimas décadas destruíram as condições para o exercício de uma educação pública de qualidade.

Perdas salariais, falta de professores, salas superlotadas, grade curricular rebaixada, aplicação mínima de recursos em educação, absoluta falta de funcionários administrativos, superfaturamento de equipamentos, precarização do trabalho nas creches e na educação infantil, direções de escola indicadas por políticos ligados ao governo. O verdadeiro “rosário” de mazelas vivido pelas escolas públicas parece não ter fim. Apesar disso, professores e funcionários mantém as escolas funcionando e realizam o seu trabalho com o que resta de dignidade a uma categoria cada vez mais desmoralizada e desmotivada.

Temos testemunhado nos últimos anos o desmonte dos serviços públicos e a utilização das escolas, hospitais, etc como lavagem de dinheiro através de contratos milionários com empresas terceirizadas. É o caso do recente aluguel dos ar-condicionados, da compra de computadores, das obras de climatização. Tais “investimentos” não foram capazes de trazer dignidade aos profissionais e alunos, o que fica comprovado com o penúltimo lugar do IDEB e a saída de cerca de 20 professores por dia da rede estadual (por causa dos baixos salários). O segundo estado da federação é o que menos reverte os impostos pagos em serviços públicos para a população (segundo estudo do DIEESE). No município do Rio de Janeiro a ameaça de uma nova reforma da previdência anuncia a retirada de mais direitos dos trabalhadores e o aprofundamento do sucateamento dos serviços públicos. Ainda na rede da capital, a aplicação de uma política de gratificações produtivistas (14º salário) que na verdade retira direitos conquistados historicamente é a prova de que os projetos de educação dos atuais governos ainda podem piorar a situação.

A propaganda oficial mascara a situação real. Tentam nos vender a imagem de um serviço público eficaz através da privatização. No entanto a vida real é bem diferente. As promessas de campanha são oportunamente esquecidas e outras são reinventadas.

Não podemos nos calar diante de tal sordidez. A realidade virtual propagandeada nos desafia. Precisamos que o povo organizado através de sindicatos, associações, universidades, movimentos sociais construa, defenda e lute por um projeto de educação pública de qualidade, laica e socialmente referenciada. Um projeto que resgate os princípios da educação integral, da gestão democrática, da valorização de professores e funcionários, do investimento público em educação pública e tantos outros elementos que fizeram e fazem parte dos nossos sonhos e reivindicações.

É preciso dar uma resposta à sociedade em relação a toda essa publicidade negativa gerada pelos resultados do IDEB e do ENEM. A responsabilidade por estes resultados não pode ser jogada nas costas dos profissionais da educação. É fundamental demonstrar que não bastam boa vontade e esforço individual: sem recursos, valorização profissional e condições de trabalho, não haverá qualidade efetiva na educação pública

Neste dia 16 de setembro de 2010 nas escadarias da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, na Cinelândia – palco de tantas lutas e vitórias em nossa história – as entidades e os militantes que lutam em defesa da educação manifestam o seu compromisso de reunir esforços para defender a escola pública e reconstruir nosso projeto de uma educação pública de qualidade, socialmente referenciada. Independente do resultado das próximas eleições, este é o projeto que devemos construir e conquistar nas lutas que certamente travaremos nos próximos anos.

Escolas públicas estaduais e da rede municipal do Rio paralisaram atividades hoje e realizaram manifestação

Nesta quinta-feira (16), os profissionais das escolas públicas estaduais e da rede municipal do Rio de Janeiro realizaram uma paralisação conjunta de 24 horas. A educação realizou uma marcha, da Candelária até a Cinelândia, com a presença de cerca de mil pessoas, em defesa da escola pública e dos serviços públicos de qualidade e contra a reforma da previdência do prefeito Eduardo Paes, contida no Projeto de Lei Constitucional nº 41. Ao final da marcha, na Cinelândia, foi realizado um ato, com o lançamento de um manifesto.

O movimento vai realizar uma assembleia conjunta, com a participação dos demais servidores e setores da sociedade, ainda em data a ser definida, para a implementação do Fórum em Defesa da Ensino Público.

A situação da rede estadual é muito grave: os profissionais de educação do estado têm mais de 60% de perdas salariais; mais de 20 professores, entre aposentados e exonerados, abandonam as salas de aula por dia; a grade curricular foi rebaixada para disfarçar a falta de professores; o governo aplica o mínimo de recursos em educação; existe uma enorme carência de funcionários administrativos; um superfaturamento de equipamentos; e vem ocorrendo um desmonte do primeiro segmento (pré à 4ª série).

Os servidores municipais exigem: o fim do PLC 41; o pagamento da dívida com o FUNPREVI; o cumprimento das responsabilidades do Tesouro Municipal com a Previdência dos servidores; e uma audiência pública na Câmara para a prestação de contas e debate com os servidores.

A educação pública reivindica também 22% de reajuste salarial para cobrir as perdas salariais. Um estudo do Dieese comprova que a prefeitura está longe do limite prudencial que exige a Lei de Responsabilidade Fiscal. Dessa forma, poderiam ser gastos quase R$ 1 bilhão a mais em 2010, com um reajuste salarial bem melhor que o de 4,21% concedido por Eduardo Paes.

Fora Cabral!

domingo, 5 de setembro de 2010

De identidade à desigualdade

(textos sobre a discussão do bimestre)
IDENTIDADE: “conjunto de caracteres próprios e exclusivos de uma pessoa (nome, idade, sexo, estado civil, filiação, etc.”. Ela é relacional, carregada de símbolos e está vinculada a condições sociais e materiais. Essa identidade nos fala, então, sobre a cultura, a época, as relações sociais e psíquicas as quais o indivíduo foi e/ou é submetido, ou seja, ela é também uma intersecção de diferentes componentes. É através dos significados produzidos por estas relações que encontramos sentido para aquilo que somos ou, ainda, para aquilo que podemos nos tornar.
Para falarmos em identidade precisamos falar também de diferença. A nossa identidade, muitas vezes, é descrita a partir do que ela não é. São essas diferenças utilizadas para promover classificações ou agrupamentos (ex: identidade nacional), que possibilitam divisões do tipo: nós/eles. Dessa forma, ao contrário do que possa parecer, identidade e diferença não são conceitos antagônicos; além de serem interligados, partilham uma importante característica, a de serem resultantes de uma atividade lingüística. Isso equivale dizer que não são essenciais, não são elementos naturais que estão a espera de se revelar ou serem descobertos. Ambos, para existir, precisam ser ativamente criados ou produzidos. Somos nós que criamos identidades e diferenças nas nossas relações sociais e culturais. Sob essas influências e diferenças, as posições que assumimos e com as quais subjetivamente nos identificamos, constituem nossas identidades.

ALTERIDADE: “qualidade de ser outro”, relação com um outro no qual não nos vemos refletidos. É oposto de identidade.

LINHAGEM OU GENEALOGIA: Linha de parentesco que estabelece um vínculo contínuo de descendência entre pessoas de várias gerações, podendo servir para a identificação de um grupo.

ETNIA: Refere-se à classificação de um povo ou de uma população de acordo com sua organização social e cultural, caracterizadas por particulares modos de vida.

ETNOCENTRISMO: sentimento genérico das pessoas que preferem o modo de vida do seu próprio grupo social ou cultural ao de outros. Visão de mundo na qual o centro de todos os valores é o próprio grupo a que o indivíduo pertence.

RAÇA: só há sentido usar o termo “raça” numa sociedade marcada pelo racismo. Do ponto de vista científico não existem raças humanas; há apenas uma raça humana. No entanto, do ponto de vista social e político é possível (e necessário) reconhecer a existência do racismo enquanto atitude.

RACISMO: É uma doutrina que afirma não só a existência das raças, mas também a superioridade natural e, portanto, hereditária, de umas sobre as outras. A atitude racista atribui qualidades aos indivíduos ou aos grupos conforme o seu suposto pertencimento biológico a uma dessas diferentes raças, portanto, de acordo com as suas supostas qualidades ou defeitos inatos e hereditários.

ESTEREÓTIPO: É um “molde” imposto com valores negativos a uma grupo ou a uma pessoa para inferioriza-la.

PRECONCEITO: Qualquer atitude negativa em relação a uma pessoa ou a um grupo social que derive de uma idéia preconcebida sobre tal pessoa ou grupo; é um pré-juízo.

DISCRIMINAÇÃO: Ação de discriminar, tratar diferente, anular, de tornar invisível, excluir, marginalizar.

DIFERENÇA: Viva a diferença com direitos iguais!

DESIGUALDADE: hierarquização entre indivíduos e/ou grupos não permitindo um tratamento igualitário (em termos de oportunidades, acesso a bens e recursos etc.) a todos/as.

Trabalhos do 3° bimestre

Trabalho 1 – montar uma árvore genealógica familiar, demonstrando as relações de parentesco entre as pessoas. Em seguida, fazer uma legenda com os nomes e as características de cada pessoa: aspectos corporais; nascimento; idade atual ou óbito; doenças que tiveram (ou morreram de que); descendente de que tipo humano; vivem/viveram em que região do Brasil; o que comem/comiam; que festas, danças, brincadeiras, trabalhos e artes fazem/faziam.

Trabalho 2 – contar uma história usando os elementos pesquisados por você e montados na árvore genealógica, como se fosse uma história para as gerações novatas, com o intuito de ilustrar um pouco a vida de seus antepassados familiares.