quarta-feira, 30 de junho de 2010

Dunga e a arrogância histórica da Globo - Venício Lima

A Seleção Brasileira de Futebol constitui um patrimônio cultural do país que não pode ser apropriado por interesses privados. No entanto, o futebol brasileiro – não só a Seleção – tem sido explorado comercialmente pela Globo como se sua propriedade fosse.

Para Marco Antonio Rodrigues Dias e Geraldo da Rocha Moraes

Embora tenha apoiado o golpe de 64, o regime militar e se consolidado como a mais poderosa rede de televisão do país durante a ditadura, houve períodos em que a percepção de boa parte da elite fardada era de que a Rede Globo de Televisão representava uma ameaça real de controle da opinião pública brasileira e precisava ser enfrentada.

No governo do General Geisel (1974-1979), sendo ministro das Comunicações o Coronel Euclides Quandt de Oliveira, foi certamente quando surgiram as maiores contradições e divergências entre o regime autoritário e a Globo. Documentos da época e sua análise estão disponíveis, por exemplo, no livro “Dossiê Geisel”, organizado por Celso Castro e Maria Celina D’Araújo e publicado pela FGV em 2002.

Encontro na UnB
Faço esta rápida introdução para relatar um encontro emblemático acontecido há 35 anos, entre professores do então Departamento de Comunicação da Universidade de Brasília e altos dirigentes globais, entre eles, Walter Clark (diretor geral), Luiz Eduardo Borgerth (diretor), Otto Lara Resende (assessor da presidência), infelizmente, já falecidos.

O contexto do encontro trazia, no mínimo, preocupações para as Organizações Globo:

(1) A Globo havia perdido a disputa por um canal de TV aberta em João Pessoa, PB, por interferência direta do ministro Quandt que considerava um risco “aumentar o monopólio da emissora”.

(2) O ministro vinha fazendo uma série de críticas públicas à televisão brasileira, todas de grande repercussão. Uma delas, a aula inaugural no curso de comunicação do CEUB, Centro de Ensino Unificado de Brasília, sobre “A televisão no Brasil” (17/2/1975). Na sua fala ele destacava os “perigos do monopólio” tanto de canais, quanto de audiência, quanto na programação “alienígena”.

(3) Estava em andamento a criação da Radiobras [Lei n. 6301 de 15/12/1975] que era vista com desconfiança pela Globo pelo temor de que se transformasse em destinação preferencial de verbas publicitárias do governo.

(4) Estava em discussão, dentro do governo, um pré-projeto de regulação da radiodifusão que deveria substituir o superado Código Brasileiro de Telecomunicações [Lei 4. 117/1962].

(5) O Departamento de Comunicação da UnB era uma unidade acadêmica que produzia pesquisa crítica sobre a radiodifusão brasileira e acabara de elaborar um pioneiro projeto de unificação das televisões públicas que recebeu o nome de SINTIS, Sistema Nacional de Televisão de Interesse Social. Além disso, circulava que alguns de seus professores tinham acesso ao ministro das Comunicações e o abasteciam com dados nos quais ele fundamentava sua posição, direta e/ou indiretamente, contrária à hegemonia da Globo.

O objetivo do encontro, realizado por iniciativa da Globo, na UnB, era “trocar idéias” sobre as comunicações no Brasil. O que acabou acontecendo, todavia, foi quase um bate-boca.

Apesar da conjuntura politicamente adversa – para a Globo – em que se realizava o encontro, a memória de professores presentes é unânime em afirmar a arrogância de seus dirigentes. Não houve diálogo possível e cada um saiu do encontro ainda mais convicto em relação às respectivas posições. Divergimos em relação à existência de um virtual monopólio na TV brasileira; às finalidades educativas da televisão (previstas em lei); à prioridade ao conteúdo nacional e à necessidade de criação de uma rede pública de radiodifusão.

No presente como no passado
Relembro este encontro e a memória que dele ficou para reforçar os inúmeros comentários já escritos e publicados nesta Carta Maior sobre o enfretamento que a Globo faz a Dunga, aparentemente, por ele não ser conivente com os privilégios da emissora em relação aos demais veículos de mídia que estão cobrindo a Copa do Mundo na África do Sul.

Ao longo de sua existência, uma característica da Rede Globo tem sido ignorar que a televisão é apenas a concessão de um serviço público que tem como soberano o cidadão e seu interesse. Ao contrário, a Globo tem historicamente se comportado como proprietária das concessões de radiodifusão.

A própria Seleção Brasileira de Futebol constitui um patrimônio cultural do país que não pode ser apropriado por interesses privados. No entanto, o futebol brasileiro – não só a Seleção – tem sido explorado comercialmente pela Globo como se sua propriedade fosse.

A Globo, por óbvio, não tem mais em 2010 o poder que teve na década de 70 do século passado, enfrentado, por razões próprias, pelo regime militar. Mas conserva a arrogância.

Por outro lado, uma diferença do passado para o presente é que o inconformismo em relação à Globo não está mais restrito a alguns professores isolados em departamentos universitários. Repetindo a resistência que se expressou em outras situações históricas no lema popular “o povo não é bobo, abaixo a rede Globo”, a internet fornece hoje o suporte tecnológico necessário para que milhões de pessoas se mobilizem em torno de iniciativas como “cala a boca Galvão” e “cala a boca Tadeu”. Além disso, dezenas de blogs e sites alternativos tornaram pública a opinião daqueles que fazem contraponto à TV hegemônica.

Outro mundo possível
Resta manter a esperança de que – um dia – a transmissão de jogos dos campeonatos locais, regionais e nacional de futebol e a cobertura dos jogos da Seleção Brasileira, não serão exclusividade de concessionárias comerciais, mas estejam disponíveis nas redes públicas de televisão.

Em se tratando de um patrimônio cultural brasileiro, as redes comerciais privadas não deveriam remunerar as redes públicas para distribuir e comercializar este tipo de conteúdo?

O episódio Globo versus Dunga – que certamente ainda não terminou – deixa claro que já existe no país, não só uma ampla consciência da arrogância e dos privilégios históricos da Globo, como também novas e eficientes formas de expressar inconformismo diante dessa situação. E mais importante: novas e eficientes formas de apoiar aqueles que, como Dunga – correndo o risco de perder o emprego – não se curvam ao poder de concessionários de um serviço público que continuam a se comportar como se dele fossem proprietários.


Venício A. de Lima é professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Liberdade de Expressão

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4689&boletim_id=722&componente_id=12109

Em Robben Island, jogar futebol era um ato de resistência - La Jornada

No lugar onde Nelson Mandela foi preso durante a época do Apartheid, praticar o "balompié" se converteu no ato de resistência dos presos políticos. Desde o começo da Copa do Mundo a visita de jogadores e torcedores estrangeiros à ilha se multiplicaram ao ponto que muitos têm de reservar um lugar no ferry boat com vários dias de antecedência. Até o técnico da Holanda anulou uma sessão inteira de treinamento para ir com todo o time à ilha.

Pretoria. Durante o Mundial, os jogadores e turistas vão a Robben Island como numa visita de culto. No lugar onde Nelson Mandela ficou preso praticar futebol se converteu num ato de resistência dos presos políticos.

Nos anos sessenta, o complexo carcerário dessa ilha, a qual se chega em meia hora de ferry boat a partir da Cidade do Cabo, foi concebido para quebrar a resistência dos prisioneiros, tanto física, como psicologicamente. Contudo, sua paixão pelo futebol os ajudava a resistir.

Primeiro começaram a jogar de maneira discreta nas próprias celas, com bolas de trapos de pano ou de papel. Depois, graças à pressão da Cruz Vermelha Internacional, os presos adquiriram o direito a jogar no lado de fora, em campos improvisados. Inclusive, em 1967, os presos criaram sua própria federação, a “Makana Football Association”, cujo nome foi dado em homenagem a um profeta xhosa enviado à ilha em 1819 por se opor à colonização britânica, que se afogou tentando fugir de seu exílio compulsivo.

A estrutura aplicava ao pé da letra as mesmas regras da Federação Internacional de Futebol (FIFA), publicando todo o tratado em suas reuniões, dando uma classificação oficial de seu Campeonato e registrando por escrito as eventuais “transferências”.

Depois de se ter revelado como um zagueiro rude mas disciplinado, o atual presidente sulafricano Jacob Zuma, que “residiu” durante uma déada em Robben Island se converteu em árbitro da Makana FA.

O mais ilustre dos presos da ilha, Nelson Mandela, que passou 18 de seus 27 anos de cativeiro lá, nunca pôde jogar, porque sua situação era de isolamento absoluto.

“Ele tinha o costume de nos observar da janela de sua cela, sobre uma cadeira ou uma caixa. Mas finalmente também isso lhe tiraram, comentou Mark Shinners, que foi hóspede durante 23 anos em Robben Island.

Em dezembro passado, a FIFA homenageou a todos os presos políticos do Apartheid ao organizar seu Congresso executivo na ilha.

“Em Robben Island se escreveu uma página da história da humanidade, uma página importante. Entre as coisas que os ajudaram a suportar (as condições do cativeiro) esteve a criação da Makana Football Association", destacou na ocasião o presidente da FIFA, Joseph Blatter.

Desde o começo da Copa do Mundo a visita de jogadores e torcedores estrangeiros à ilha se multiplicaram ao ponto que muitos têm de reservar um lugar no ferry boat com vários dias de antecedência.

Além disso, em sinal de respeito, um grupo de torcedores ingleses fixou sua bandeira no que foi o jardim de Mandela. Até o técnico da Holanda anulou uma sessão inteira de treinamento para ir com todo o time à ilha.

Os jogadores puderem visitar as celas e a cancha de areia onde os presos políticos jogava. “Quando abrimos o portão (de acesso), e sabendo de tudo o que ocorreu aqui, o silêncio se abateu sobre todos nós”, destacou o meio campo da “Orange” Mark van Bommel.

Tradução: Katarina Peixoto


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terça-feira, 29 de junho de 2010

A ideologia racista entra em campo - Rosenverck E. Santos

A copa do mundo de futebol é a celebração entre os povos
e continentes. Esse é o discurso oficial. É como a
democracia racial no Brasil: - uma celebração entre as
raças. Tal discurso afirma: democraticamente as raças no
Brasil estariam harmonicamente relacionadas! Na copa do mundo
aconteceria o mesmo, os povos estariam harmonicamente
relacionados, teriam as mesmas oportunidades futebolísticas
de ganhar ou perder e nada que não fosse estritamente
esportivo influenciaria nos resultados.

O discurso jurídico racista construído no Brasil não
foge a esta regra. Todas as oportunidades igualitárias
são dadas a qualquer um, não importando condições de
classe, gênero e raça. Dessa forma, todas as
determinações que não fossem estritamente ligadas à
capacidade intelectual e moral dos indivíduos estariam
isentas de responsabilização pelas desigualdades e fracassos
sociais.

A realidade concreta, no entanto, é diferente do
discurso. Assim como na democracia racial brasileira onde a
população negra não está socialmente igual ao
segmento branco, pois os anos de escravidão e ideologia
racista influenciam determinantemente nos espaços
socioeconômicos ocupados por brancos e negros; na copa do
mundo os resultados aparentemente esportivos não poderiam
estar isentos de séculos de ideologia racista e
dominação colonial impostas aos povos africanos. Senão
vejamos!

Todos os times africanos que estão participando da Copa do
Mundo de futebol carregam consigo – segundo quase toda a
imprensa – a pecha de violentos e ingênuos. Percebam
que essas afirmações em nada fogem à regra de como o
continente e a história africana é percebida pela maior
parte do senso comum popular e mesmo por intelectuais racistas. A
África e os africanos, segundo esse discurso, não teria
e não tem condições de controlar e administrar as suas
riquezas e os seus territórios, cabendo aos europeus ou
empresas multinacionais o comando e controle do espaço
africano. A ingenuidade africana necessitaria – por esse
discurso – da capacidade intelectual européia para
realizar o progresso e a civilização. As violências
tribais africanas seriam o exemplo dessa incapacidade de
autonomia. Como se percebe, não por acaso os africanos no
futebol são vistos como ingênuos e violentos.

Mas não é segredo pra ninguém que a maioria dos
jogadores africanos moram desde crianças no continente
europeu, foram educados nas línguas e culturas européias
e jogam em grandes times do futebol da Europa. São jogadores
milionários que tem acesso a todos os artefatos da cultura e
educação européia, bem como de todos os recursos
técnicos e táticos dos mais avançados no mundo. Mas,
se a maioria foi educada no ideário europeu, jogam em grandes
times do futebol e tem todos os recursos técnicos e
táticos do futebol, por que são vistos e apontados como
violentos e ingênuos. A explicação que parece complexa,
na verdade é muito simples: a ideologia racista entra em
campo.

Comecemos por definir: o que é racismo? De forma objetiva
é a vinculação das capacidades intelectuais e morais
à sua condição racial ou cultural. É atribuir
inferioridade, anomalias e degenerações à condição
de indivíduo pertencente a um grupo social e etinicorracial
específico. Não é por acaso, portanto, que apesar dos
jogadores africanos viverem e trabalharem na Europa serem taxados
de violentos e ingênuos.

O que a maioria da imprensa faz é atribuir uma condição
intelectual e moral ao fato de serem africanos. Em essência,
o problema não está em fazer faltas e perder o jogo, pois
qualquer time é sujeito a isto. A questão está no
fato de serem africanos e, portanto, incapazes de terem outra
condição intelectual que não seja a ingenuidade e outro
comportamento moral que não seja a violência.

Repete-se a máxima de Marx: é a história se repetindo
como farsa e tragédia. Como farsa na medida em que retoma o
discurso falacioso da inferioridade e ingenuidade africana e
trágica no sentido de perpetuar o racismo consciente e
inconsciente na memória coletiva do brasileiro.

Mas uma vez é necessário retomar o sentido real da
história e por no devido lugar a condição africana.
Assim como negamos a democracia racial, o racismo e a
escravidão, buscando a nossa construção enquanto seres
humanos ativos e transformadores; negamos também a ideologia
racista futebolisticamente sofisticada que infantiliza e
animaliza os africanos, reafirmando a máxima de Solano
Trindade, pois nos navios negreiros que se deslocaram para o
Brasil e para o mundo não tinham boçais e animais, mas
pelo contrário: resistência e inteligência.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Dunga: mesmo se perder de goleada, já é um vencedor...

O Jornal O Globo em sua primeira página da edição de hoje, quarta-feira 16 de junho de 2010, desce a lenha na seleção e principalmente no seu treinador. Qual a razão dessa súbita mudança de comportamento?

Vamos aos fatos: Segunda feira, véspera do jogo de estréia da seleção brasileira contra a Coréia do Norte, por volta de 11 horas da manhã, hora local na África do Sul. Eis que de repente, aportam na entrada da concentração do Brasil, dona Fátima Bernardes, toda-poderosa Primeira Dama do jornalismo televisivo, acompanhada do repórter Tino Marcos e mais uma equipe completa de filmagem, iluminação etc.. Indagada pelo chefe de segurança do que se tratava, a dominadora esposa do chefão William Bonner sentenciou: “Estamos aqui para fazer uma REPORTAGEM EXCLUSIVA para a TV Globo, com o treinador e alguns jogadores...” Comunicado do fato, o técnico Dunga, PESSOALMENTE dirigiu-se ao portão e após ouvir da sra. Fátima o mesmo blá-blá-blá, foi incisivo, curto e grosso, como convém a uma pessoa da sua formação. “Me desculpe, minha senhora, mas aqui não tem essa de “REPORTAGEM EXCLUSIVA” para a rede Globo. Ou a gente fala pra todas as emissoras de TV ou não fala pra nenhuma...” Brilhante!!! Pela vez primeira em mais de 40 anos, um brasileiro peitava publicamente a Vênus Platinada !!! “Mas... prosseguiu dona Fátima - esse acordo foi feito ontem entre o Renato (Maurício Prado, chefe de redação de Esportes de O Globo) e o Presidente Ricardo Teixeira. Tenho autorização para realizar a matéria”. -“Não tem autorização nem meia autorização, aqui nesse espaço eu é que resolvo o que é melhor para a minha equipe. E com licença que eu tenho mais o que fazer. E pode mandar dizer pro Ricardo (Teixeira) que se ele quer insistir com isso, eu entrego o cargo agora mesmo!” O treinador então virou as costas para a supra sumo do pedantismo e saiu sem ao menos se despedir. Dunga pode até perder a classificação, a Copa, seu time pode até tomar uma goleada, mas sua atitude passa à história como um exemplo de coragem e independência. Dunga, simplesmente, mijou na Vênus Platinada ! Uma estátua para ele !!!

João Ignácio Muller - JIM http://botafogoemdebate.forumeiros.com/coluna-do-jim-f1/dunga-mesmo-se-perder-de-goleada-j-e-um-vencedor-t1395.htm

Uma coisa há que se dizer, em favor de Dunga. O sargentão fechou a seleção para a imprensa sem exceções. E a Globo, que sempre foi dona do time, de seus jogadores, da comissão técnica e de todas suas almas, está tendo de aprender a viver sem a promiscuidade de outras eras. Dá até dó da Fátima Bernardes com seu sorriso cheio de dentes passando frio do lado de fora da concentração. Em tempos recentes, estaria sentada no sofá da antessala da suíte do treinador, cercada de jogadores submissos com fones de ouvido, todos eles na escuta para participarem do programa da Xuxa, ou soletrar algo no programa do narigudo, ou fazer um sorteio no Faustão, ou passar ridículo assentido no Casseta & Planeta. Assim, os sorrisos dos apresentadores globais têm sido mais amarelos que de costume. A emissora, que é incapaz de falar seleção brasileira” e só chama Dunga & seus dunguetes de “nossa seleção”, porque no fundo é dela, mesmo, da Globo, sócia da CBF e tudo mais, está tendo de fazer um pouco de jornalismo, em vez de incluir o time em seu casting, como de hábito. O que é bom. Seus bons jornalistas, e não são poucos, estão amassando barro, como a gente diz. Em vez de ficarem encastelados ao lado de seus amiguinhos jogadores, têm de sair para a rua, criar pautas, descobrir coisas. [ufa]


Alguns estranham nitidamente a nova função. Estavam habituados a fazer suas piadinhas sem graça para o riso generoso da turminha da bola, que em geral é bem tonta. Mostram-se pouco à vontade quando se misturam à massa ignara sem privilégios para criar algo que seja interessante o bastante para ir ao ar. Mas acabam se acostumando. E estamos livres, felizmente, de babaquices como jogador falando com o papagaio da Ana Maria Braga, e achando aquilo o máximo, e o papagaio se sentindo import ante. Anteontem Robinho escorregou e deu uma entrevista à Globo na folga. Levou uma dura.


Os tempos na era Dunga são realmente outros. //Autor: Flavio Gomes// http://colunistas.ig.com.br/copa2010flaviogomes/2010/06/11/ponto-para-o-dunga/

Rede Globo é alvo de "vuvunzelazo" na internet - Editorial do Carta Maior

A briga entre Dunga e a Globo mostrou que as grandes empresas midiáticas não estão falando mais sozinhas e perderam a legitimidade auto-atribuída que os apresentava como porta-vozes dos anseios, interesses e desejos da sociedade. Há quem diga que é muito barulho por uma questão envolvendo um campeonato de futebol. Na verdade, é muito mais do que isso. Os palavrões e o “destempero” de Dunga serviram ao menos para mostrar que há muitas vozes gritando do lado de cá da tela. E, nesta semana, essas vozes fizeram tanto barulho quanto as vuvunzelas. A Globo que o diga.


A Globo não está mais falando sozinha no Brasil. A chamada grande mídia não se esgota na Rede Globo, é verdade, mas esta simboliza a hegemonia do modelo midiático concentrador e excludente construído no Brasil ao longo das últimas décadas. A briga envolvendo o técnico da seleção brasileira e o maior conglomerado de comunicação do país deu visibilidade a esse novo cenário. O chamado para um "Dia sem Globo", convocado via twitter para esta sexta-feira, foi um movimento inédito no país, nos termos em que aconteceu. A ordem era não ver o jogo da seleção brasileira contra Portugal pelos veículos da Globo. Moveu ponteiro na audiência da emissora? Nada dramático, segundo os indicadores oficiais de audiência, mas algo parece ter se movido.

O blog Noticias da TV Brasileira divulgou os seguintes números dos índices de audiência das emissoras concorrentes da Globo no horário do jogo desta sexta-feira entre Brasil e Portugal:

“A Band obteve hoje com a transmissão do jogo Brasil X Portugal o seu melhor resultado de audiência até agora na Copa do Mundo: pela prévia do Ibope, média de 13 pontos. Nos dois primeiros jogos do Brasil a média da emissora tinha sido de 10 pontos. O resultado de hoje mais uma vez garantiu à Band o segundo lugar isolado. No horário do jogo, SBT deu 1,1, Record 0,9 e Rede TV 0,1.”

Luiz Carlos Azenha, por sua vez, informou no Vi o Mundo que os números preliminares do Ibope para a Grande São Paulo indicam um aumento na audiência tanto para a Globo quanto para a Bandeirantes em relação ao jogo anterior do Brasil na Costa do Mundo, domingo passado. “Na estreia do Brasil, a Globo cravou 45 pontos, contra 10 da Band. No terceiro jogo, entre Brasil e Portugal, os números preliminares indicam que a Globo obteve 44 pontos de média, contra 13 da Band”. No entanto, o “share” da TV Globo caiu (porcentagem de sintonizados na emissora sobre o número total de televisores ligados), de 75% no primeiro jogo para 72% no segundo e, agora, para 67%. O “share” da Bandeirantes, por sua vez, iniciou com 16%, passou para 17% e chegou a 20% no jogo contra Portugal. Todos esses números, adverte Azenha, são preliminares e se referem apenas à medição automática do Ibope na Grande São Paulo.

Mas a principal novidade desse episódio não é audiência da Globo ou da Bandeirantes, mas sim a exposição pública de um tipo de prática midiática (de manutenção de privilégios) que não era conhecido pela imensa maioria da população. Na terça-feira desta semana começaram a surgir os primeiros relatos (dos jornalistas Bob Fernandes, no portal Terra, e de Maurício Stycer, no UOL) sobre o conflito ocorrido no domingo entre Dunga e a Rede Globo. Segundo esses relatos, Dunga não aceitou dar à Globo acesso privilegiado a jogadores da seleção para a realização de entrevistas exclusivas. Essas entrevistas teriam sido negociadas diretamente pela Globo com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Dunga não gostou e vetou.

A imensa maioria dos jornalistas condenou o modo como Dunga reagiu, proferindo palavrões durante a coletiva após o jogo contra a Costa do Marfim. No dia seguinte, o episódio parecia que ia somar para um suposto aumento do desgaste da imagem de Dunga. Mas não foi isso que aconteceu. A repercussão do caso na internet indicou que a maioria dos internautas estava ficando com Dunga e contra a Globo. As enquetes nos portais esportivos e as seções de comentários nestes espaços mostravam um amplo apoio para o técnico contra a emissora. Ainda na terça,
Internautas começaram a propor um boicote nacional à TV Globo na sexta-feira. Na madrugada de terça-feira, cresceu no twitter o chamado para um #diasemglobo, que convidava as pessoas a verem o jogo entre Brasil e Portugal, sexta-feira, em qualquer outra emissora que não a Globo.

A reação da Globo e de seus parceiros
A alergia à crítica da Globo e de suas empresas parceiras provocou cenas curiosas, como a consulta à distância a psicanalistas para diagnosticar problemas mentais no treinador. Os jornais O Globo, no Rio de Janeiro, e Zero Hora, em Porto Alegre, publicaram matérias quase idênticas.

O primeiro noticiou, dia 22 de junho, em matéria assinada por Fernanda Thurler: “E se o destempero entrar em campo – Psicanalista teme que atitude exaltada do treinador seja incorporada pelos jogadores ”. Na mesma linha, ZH disse, em matéria de Itamar Melo: “Especialistas analisam Dunga”. Praticamente a mesma matéria. Só mudaram os psicanalistas ouvidos. No caso do Globo, Alice Bitencourt e Chaim Katz. A ZH foi de Mario Corso, João Ricardo Cozac e Robson de Freitas Pereira.

O jornalista Leandro Fortes apontou, em seu blog Brasília, eu vi, o surgimento de uma nova era Dunga e uma de suas primeiras conseqüências: o fim do besteirol esportivo. Ele escreveu:

“O estilo grosseiro e inflexível de Dunga desmoronou esse mundo colorido da Globo movido por reportagens engraçadinhas e bajulações explícitas confeitadas por patriotadas sincronizadas nos noticiários da emissora. Sem acesso direto, exclusivo e permanente aos jogadores e aos vestiários, a tropa de jornalistas enviada à África do Sul se viu obrigada a buscar informações de bastidores, a cavar fontes e fazer gelados plantões de espera com os demais colegas de outros veículos. Enfim, a fazer jornalismo. E isso, como se sabe, dá um trabalho danado”.

O fato é que a Globo e as grandes empresas midiáticas não estão falando mais sozinhas e perderam a legitimidade auto-atribuída que os apresentava como porta-vozes dos interesses, anseios e desejos da sociedade. Eles não são esses porta-vozes. O número de porta-vozes da sociedade aumentou significativamente e eles estão se valendo das novas ferramentas tecnológicas para expressar suas opiniões. Há quem diga que é muito barulho por uma questão envolvendo um campeonato de futebol. Na verdade, é muito mais do que isso. Os palavrões e o “destempero” de Dunga serviram ao menos para mostrar que há muitas vozes gritando do lado de cá da tela. E, nesta semana, essas vozes fizeram tanto barulho quanto as vuvunzelas.


http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16727&boletim_id=720&componente_id=12035

sexta-feira, 25 de junho de 2010

"Futebol e Política não se discute..." (?!)


Podia a África do Sul se permitir um Mundial? - Joan Canela i Barrull

La pregunta nació como un pequeño rumor hace unos meses en algunos blogs y debates universitarios, pero con el tiempo ha ido creciendo hasta llegar a los grandes medios nacionales e incluso internacionales. BBC y Al Jazeera ya han dedicado amplios reportajes al tema.Sudáfrica es un país acostumbrado a cuestionarlo todo y con una prensa que se enorgullece de su independencia de instituciones y partidos, así que no es raro que se debata cualquier tipo de iniciativa política. Pero además hay que tener en cuenta que este es un país extremadamente desigual, con acuciantes necesidades sociales en empleo, vivienda o educación, algunas de ellas de vida o muerte como es el caso de los más de cinco millones de enfermos de sida. En esta situación es obvio preguntarse si valía la pena gastarse entre 4.000 y 6.000 millones de euros -aún no hay cifras oficiales- en el que ya se considera el Mundial más caro de la historia. Así pues ¿Podía Sudáfrica permitirse el Mundial?

Craig Tanner es un documentalista australiano de raíces sudafricanas que se hizo esta misma pregunta hace ya más de dos años. Así que cogió su cámara y fue a averiguarlo. El resultado es Fahrenheit 2010, una película que explora las oportunidades e hipotecas que significa el evento para el país a lo largo de más de 40 entrevistas. Su conclusión personal es ambigua: “Creo que no se puede pedir a un país en vías de desarrollo las mismas infraestructuras que a uno del primer mundo, pero también sería triste que Sudáfrica no hubiera podido ofrecer un Mundial. Quizás se podría haber hecho en los estadios ya existentes y usar este dinero para necesidades más urgentes”.

Mucho más negativo es Patrick Bond, profesor de economía de la Universidad de Kwa Zulu Natal y organizador de un observatorio del Mundial: “Todo esto está siendo intolerablemente caro. Ya es obvio que la inversión es irrecuperable y corremos el riesgo de seguir el camino de Grecia, donde su actual situación está estrechamente vinculada al coste de las Olimpiadas de 2004. Y con el agravante de que Sudáfrica ya tiene una deuda externa de más de 60.000 millones de euros”.

Orgullo sin precio
En el otro lado se encuentra el periodista Kevin Davie, quien si cree que Sudáfrica puede afrontarlo. “Es verdad que ha costado mucho dinero y que no se va a recuperar en un solo mes, pero es que el Mundial debe compararse con una boda: se gasta más de lo normal porque es una ocasión especial. Y con el añadido que en este caso se han puesto a punto una serie de infraestructuras que vamos a amortizar en los próximos años.

De la misma opinión es Desmond Tutu, Arzobispo de Ciudad del Cabo y Premio Nobel de la Paz, quien intervino en la ceremonia de inauguración totalmente vestido de hincha de los bafana: “Seguramente se va a perder dinero y la mayoría de estadios no se van a usar más, pero el beneficio psicológico, el sentimiento de orgullo nacional y de confianza en nosotros mismos que va a significar este Mundial no tiene precio”.

En este sentido, la mayoría de expertos ponen los beneficios para Sudáfrica, más en lo que le puede suponer a su imagen que en lo estrictamente económico, una ganancia inmaterial que no acaba de convencer a muchos.

Cuentas claras
El debate aún está abierto, aunque es obvio que, a estas alturas, poco puede ya cambiarse. Pero una de las razones que todas estas preguntas hayan salido tan tarde ha sido la opacidad de todo el proceso de financiamiento. El Mail & Guardian, el semanario más influyente del país, tuvo que ir a los tribunales para conseguir acceder a los contratos de concesiones de obras y servicios firmados por el Comité Organizador. Su abogado, Alfred Cockrell, argüía que esta institución es un “ente privado y no está sujeto a la legislación de contratación pública de las administraciones”. Nic Dawes, director del Mail & Guardian denuncia que “éste es dinero que proviene de los contribuyentes y tenemos derecho a saber que pasa con él. Este tipo de oscurantismo siempre es una puerta abierta a la corrupción”.

Al final los jueces le dieron la razón al periodista, así que habrá que estar atentos a los nuevos argumentos que aparezcan.

(21.06.2010 El Periodico)
Fuente: http://vacomva.net/index.php?option=com_content&task=view&id=508&Itemid=1 rCR

http://www.casadasafricas.org.br/site/index.php?id=noticias&sub=01&id_noticia=973

Xenofobia na África do Sul vetada por causa da Copa de futebol - Nastasya Tay

JOHANESBURGO - Muchos inmigrantes africanos en Sudáfrica alientan a las selecciones de fútbol del continente en la Copa Mundial de la FIFA, pese a la violencia racista que estalló hace un año en este país, pero temen que las agresiones se repitan cuando finalice el torneo.

"Hace tiempo que África es ignorada, desfavorecida y considera la más pobre. Un buen rendimiento levanta el ánimo de la gente en todo el continente. Hace falta unidad. Ésta es la primera vez que nos juntamos", indicó Alfie Little, quien alentaba por primera vez a Costa de Marfil en el partido contra Brasil.

Lo desanimó el mal rendimiento de los Bafana Bafana, como se conoce a la selección de Sudáfrica, y dijo que alentará a cualquier equipo africano.

Pero ¿qué pasará cuando se apague el estruendo de las cornetas de plástico llamadas vuvuzelas y se desvanezca el patriotismo africano?

Las noticias sobre ataques xenófobos siguieron, tapadas por el rugir del grito de gol, convertido por el mediocampista sudafricano Siphiwe Tshabalala el 11 de este mes en el partido contra México.

Una ola de violencia xenófoba dejó 62 personas muertas en este país entre mayo y junio de 2008.

"La violencia generalizada de origen racista puede estallar cuando termine la Copa Mundial de la FIFA" (Federación Internacional de Fútbol Asociado), reza una declaración del Consorcio para Refugiados e Inmigrantes de Sudáfrica, la que contiene varias recomendaciones para evitar que se repitan los hechos de hace un año.

"La violencia siguió, pero a una escala menor en varias partes del país", añade.

"Los sudafricanos nos tratan mal", aseguró Faith Ngwenya, empleada de un restaurante ghanés de Johannesburgo.

La zimbabuense de 26 años llegó a Sudáfrica con su hijo, huyendo de la escasez de alimentos en su país, con la intención de conseguir un trabajo para mandar dinero a su familia.

"Dicen que les sacamos el trabajo", añadió. Sin embargo, ahora disfruta del torneo de fútbol y apoya a los Bafana Bafana. La situación cambió durante el campeonato, apuntó.

"Por ahora cambió porque queremos que ganen. Pero no sé qué pasará después", señaló Ngwenya. "Hay rumores de que nos van a echar. De ser así, no tendremos más opción que irnos", añadió.

En las últimas semanas, muchos zimbabuenses asustados le pidieron a Dorothy Nairne, quien tiene una empresa que busca trabajo a personas sin capacitación, si podían mudarse a su casa. La mayor parte del tiempo trabaja con inmigrantes.

"Están muy asustados", señaló. "Dicen que la gente de su barrio los amenaza. No saben si es en serio, pero les dijeron que los van a matar", añadió.

Un ghanés amigo de Nairne no agita su bandera porque tiene miedo de ser detenido por la policía. "No hay problema si eres extranjero mientras seas europeo", explicó ella. "Flamea tu bandera, pero no si es africana".

En el barrio de trabajadores de Salt River, en Ciudad del Cabo, donde viven numerosos inmigrantes, se pueden ver banderas de las seis selecciones africanas, y de Palestina Libre. La gente se reúne en el bar y en el parque y alientan al continente, independientemente del país que sea.

Las distancias se acortan entre las personas de diferentes orígenes con la euforia del campeonato, el ruido de las vuvuzelas y las simpatías por los mismos colores.

"Pero cuidado cuando se termine", advirtió Nairne. "La desilusión será real. La gente no ha visto los beneficios del torneo. Cuando la sientan el pellizco, arremeterán", añadió.

El gobierno no hizo mucho por disminuir las expectativas sobre los beneficios de la Copa Mundial mientras gastaba a lo grande en los preparativos.

Los trabajos en la construcción fueron temporales. Muchas personas que desde hace décadas esperan mejores viviendas observaron desanimados el multimillonario gasto destinado a terminar a tiempo los estadios.

El lifting urbano y las restricciones severas al comercio no autorizado hicieron que el sector informal se perdiera la enorme cantidad de fanáticos que deambulan por las calles de las distintas ciudades sedes.

Setenta y cinco de las 109 personas entrevistadas para un estudio realizado entre quienes usan los servicios del Centro Scalabrini, que trabaja con inmigrantes en Ciudad del Cabo, creen que la
violencia se reanudará cuando terminé la Copa Mundial de la FIFA, el 11 de julio.

Más de dos de cada tres consultados dijeron haber sido amenazados.

Las intimidaciones son reales, pero si los sudafricanos se proponen detener el odio, las amenazas no se harán realidad, señaló la directora del Centro Scalabrini, Miranda Madikane. El fervor nacionalista alimentado por el campeonato de fútbol no debe degenerar.

"Ganes o pierdas, te queremos", reza una pancarta en el barrio de Khayelitsha, el más grande de Ciudad del Cabo. Entre las banderas de Sudáfrica que flameaban durante el último partido de la selección nacional, había una de Nigeria que tenía escrito en rojo: "Unidos por África".

* Con aportes de Terna Gyuse desde Ciudad del Cabo.

(24.06.2010 IPS)
http://www.casadasafricas.org.br/site/index.php?id=noticias&sub=01&id_noticia=974

Copa do Mundo: Involução africana - Tostão

NO GRUPO A, Uruguai e México estão quase classificados. No B, além da Argentina, Coreia do Sul, Nigéria e Grécia disputam a segunda vaga. As chaves C e D estão emboladas. A Alemanha, que tinha feito uma ótima partida contra a Austrália, perdeu para a Sérvia. Deu tudo errado para os alemães. Começaram mal o jogo, tiveram um jogador expulso e ainda perderam um pênalti. O imponderável, no caso os árbitros, continua interferindo nos resultados das partidas. Os jogadores da Nigéria e da Alemanha não mereciam ser expulsos. Anularam um gol legítimo dos Estados Unidos contra a Eslovênia no final da partida. Meu palpite, antes do Mundial, de que várias seleções africanas, por jogarem no continente, se classificariam, não vai acontecer. Os times africanos estão piores do que eu pensava. A África do Sul está praticamente desclassificada. Argélia, Gana, Nigéria, Costa do Marfim e Camarões correm muitos riscos de não passarem para a segunda fase. Vai ser triste se nenhuma seleção africana se classificar. Nas oitavas de final da Copa de 1994, a Nigéria vencia por 2 a 0 e dava um show nos italianos. Aí, começaram a brincar. A Itália reagiu e ganhou o jogo. Dois anos depois, na Olimpíada, a Nigéria ganhou do Brasil e da Argentina e conquistou a medalha de ouro. Na época, imaginei que, de dez a 15 anos, uma seleção africana teria grandes chances de ganhar a Copa. Não foi isso que aconteceu. O lugar-comum de que os jogadores africanos são habilidosos e criativos, porém indisciplinados taticamente, não existe há muito tempo. Pelo contrário. Hoje, as seleções africanas são disciplinadas, fortes, bastante defensivas, entretanto pouco talentosas. Um dos motivos dessa transformação foi a importação de dezenas de treinadores europeus. As seleções africanas parecem times europeus da segunda divisão. Os africanos perderam a fantasia e não evoluíram na parte técnica. Não sabem finalizar. No momento do chute, estão sempre com o corpo desequilibrado. Chutam e caem. Parecem com alguns jogadores que atuam no Brasil, como Dagoberto. No instante da finalização, os grandes atacantes estão sempre a uma distância correta da bola, com o corpo ereto e com a perna de apoio no chão e ao lado da bola. Chutam, não caem e acertam o gol.

(19.06.2010 Folha de S. Paulo)
http://www.casadasafricas.org.br/site/index.php?id=noticias&sub=01&id_noticia=972

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Futebol, um esporte vendido à TV - Laurindo Lalo Leal Filho

Na mesma semana da estreia do Brasil, os vereadores de São Paulo deram uma guinada espetacular e mantiveram o veto do prefeito Kassab à lei, por eles mesmos aprovada, que proibia jogos de futebol na cidade com início depois das 21h15.

Enquanto a Copa segue hegemônica nos noticiários de TV, o silêncio cobre outros fatos importantes ligados ao futebol. Na mesma semana da estreia do Brasil, os vereadores de São Paulo deram uma guinada espetacular e mantiveram o veto do prefeito Kassab à lei, por eles mesmos aprovada, que proibia jogos de futebol na cidade com início depois das 21h15.
Quem marca o horário dos jogos noturnos para às 21h50 são os programadores da Rede Globo. Para eles o futebol é apenas mais um programa da emissora que, por critérios mercadológicos, deve ser transmitido depois da novela.

Em abril, com 43 votos a favor e apenas dois contra a lei aprovada passava a impressão de altivez da Câmara, fato raro na vida política do município. Foi só impressão. Ao invés de manterem seus votos e derrubarem o veto do prefeito, os vereadores paulistanos, com quatro honrosas exceções, curvaram-se aos interesses da Globo. Até um dos autores do projeto, vereador Antonio Goulart, mudou de lado. O outro, Agnaldo Timóteo não apareceu para votar.
E assim os jogos na capital continuam terminando quase à meia-noite. Até pela TV, para quem tem que trabalhar cedo no dia seguinte, como faz a maioria da população, o horário é ruim. Agora para quem gosta de ir ao estádio é um sacrifício desumano.

Os vereadores paulistanos não se dobraram apenas aos interesses da Rede Globo. Eles passaram um atestado de incapacidade absoluta para enfrentar um modelo perverso imposto nas últimas décadas ao futebol brasileiro.

Até o final dos anos 1960 ainda havia algo de lúdico na prática e no espetáculo futebolístico. Lembro do Torneio Início, jogado uma semana antes da abertura do campeonato paulista, num dia só, com a participação de todos os clubes da primeira divisão. Eram jogos mata-mata, de 30 minutos (15 por 15) de duração onde, em caso de empate, ganhava o time que havia obtido mais escanteios a favor, antes da disputa dos pênaltis se fosse necessária.

Curioso era ver os maiores craques do futebol paulista, em volta do gramado, assistindo os jogos dos outros times enquanto esperavam a vez de entrar em campo. Havia um que de amadorismo resistindo às investidas da profissionalização definitiva. O Pacaembu ainda era, nessa época, uma extensão glamorosa dos campos de várzea que se espalhavam por toda a cidade.

A especulação imobiliária nunca contida pelos vereadores paulistanos – em qualquer legislatura – acabou com a várzea e quase acaba com o futebol na cidade. A sua sobrevivência se deu num outro nível, o da mercantilização absoluta. Dos jogadores e do jogo.

Os primeiros passaram a ser formados pelas escolinhas, acessíveis apenas à classe média, ou pelos centros de adestramento criados por empresários cujo objetivo é preparar os seus “produtos” para vendê-los no exterior.

O futebol assume nesse estágio a forma mercadoria em todas as suas etapas. Do berço do jogador à Copa do Mundo nada escapa. O esporte popular das ruas e das várzeas transformou-se num produto caro e altamente sofisticado, operando num nível elevadíssimo de racionalidade capitalista.

Diferente de outros setores da economia e mesmo da cultura, onde o Estado ainda atua para conter de alguma forma a voracidade do mercado, no futebol isso não acontece. Os objetivos privados são absolutos nem que para serem alcançados sacrifiquem-se atletas, torcedores e, no limite o próprio esporte, reduzido cada vez mais a um espetáculo de televisão.

Perderam os vereadores paulistanos a grande oportunidade de colocar o interesse público em primeiro lugar. Resta agora esperar, com bastante ceticismo, que projeto semelhante, apresentado na Câmara dos Deputados, e válido para todo o Brasil, prospere.

Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial).

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4678&boletim_id=715&componente_id=11979

Mídia e Copa: o mundo reduzido ao futebol - Venício Lima

Um amigo chama minha atenção para a cobertura “enviesada” que a grande mídia está fazendo, nestes dias de Copa do Mundo, do gigantesco vazamento de óleo provocado pela empresa “inglesa” Bristish Petroleum, no golfo do México.


Não existe melhor exemplo para expressar aquilo que o professor canadense Marshall McLuhan (1911-1980) denominou “aldeia global”, há mais de quatro décadas. A tecnologia tornou possível que as imagens da Copa do Mundo de Futebol estejam disponíveis em todo o planeta, ao vivo, simultaneamente.

Haverá outro evento midiático capaz de interessar e mobilizar tanta gente? No Brasil, quando está envolvida a “seleção canarinho”, já dizia com propriedade Nelson Rodrigues: é a pátria que está de chuteiras.São trinta dias corridos, cerimônias de abertura e encerramento, 64 jogos ao vivo (124 horas), treinos, entrevistas, reportagens especiais, etc. etc. Duas redes abertas – a Globo e a Band –, os canais de esporte da TV paga e as demais emissoras (que não estão transmitindo os jogos), com programação especial. Só a Globo tem 300 pessoas na Copa: 220 profissionais que foram do Brasil e mais 80 terceirizados contratados na África do Sul. E, por óbvio, não é só a televisão, nem o rádio. Jornais e revistas também “entram no clima” da Copa.
Ademais, é neste dias que a predominância da lógica comercial da grande mídia se revela em sua dimensão plena. Além da “Jabulani” que rola, há muito dinheiro em jogo. E claro, o mundo da grande mídia parece reduzido ao futebol.

A British PetroleumUm amigo chama minha atenção para a cobertura “enviesada” que a grande mídia está fazendo, nestes dias de Copa do Mundo, do gigantesco vazamento de óleo provocado pela empresa “inglesa” Bristish Petroleum, no golfo do México. Segundo ele, este pode ter sido o maior desastre ecológico do mundo. Todo o golfo poderá ter sua fauna e flora marinha comprometida de forma irreversível. E, no entanto, a grande mídia, não dá ao desastre a dimensão que ele deveria ter.

Primeiro, na maioria das vezes, a grande mídia se refere à British Petroleum apenas como “BP”. Estaria em andamento uma estratégia de RP para, escamotear de qual país é a empresa responsável pelo desastre ecológico?

Segundo, onde está o Greenpeace? Onde estão O Globo, a Rede Globo, a Folha, o Estadão, a CBN e seus “analistas políticos”, os "econômicos", os "apresentadores", as "ONGs", ambientalistas, verdes, igrejas, atores hollywoodianos? Onde estão todos que se manifestaram ruidosamente por ocasião do leilão da hidrelétrica de Belo Monte?

Terceiro, a grande mídia faz o jogo da Casa Branca, anunciando que o presidente Barack Obama “quer saber em quem ele tem que dar um chute no traseiro”, como se um acidente que é devastador para a humanidade pudesse ser resolvido dessa forma.

E por último, há comentaristas que tentam até mesmo trazer a questão para o Brasil insinuando que o desastre no Golfo do México “deve alertar os brasileiros para a exploração e prospecção da Petrobrás no pré-sal”.

Interesse públicoPor óbvio, os problemas da cobertura do desastre ecológico provocado pela British Petroleum no golfo do México não ocorrem apenas em períodos quando a agenda midiática está inteiramente submetida à lógica comercial de eventos da proporção de uma Copa do Mundo. Nestes períodos eles apenas se acentuam.

Por isso – e apesar de todo o envolvimento histórico cultural que os brasileiros temos com o esporte bretão – nunca é demais lembrar que, mesmo em época de Copa, o interesse público vai muito além do entretenimento e o mundo não se reduz ao futebol.

Venício A. de Lima é professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Liberdade de Expressão vs. Liberdade de Imprensa – Direito à Comunicação e Democracia, Publisher, 2010.

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4677&boletim_id=715&componente_id=11980

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Na Internet, Dunga ganha apoio contra a Globo - Marco Aurélio Weissheimer

Jornalistas relatam que briga entre Dunga e Rede Globo deveu-se ao fato do treinador da seleção brasileira vetar o privilégio da concessão de entrevistas exclusivas de jogadores para a Globo.

Entrevistas teriam sido negociadas pela Globo com presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Dunga não gostou e vetou. Repercussão do episódio indica que a maioria dos internautas está com Dunga e contra a Globo. Cresce no twitter campanha de boicote à Globo na transmissão de Brasil e Portugal na próxima sexta-feira.

O jornalista Bob Fernandes relata, em matéria publicada no Terra, as causas da briga do técnico da seleção brasileira de futebol contra a rede Globo. Segundo esse relato, Dunga não aceitou dar à Globo acesso privilegiado a jogadores da seleção. Bob Fernandes conta o que presenciou logo após o jogo do Brasil contra a Costa do Marfim:

Soccer City, caminho entre o estádio e as tendas da FIFA que abrigam o Centro de Mídia. Galvão Bueno, Arnaldo Cezar Coelho e o diretor da Central Globo de Esportes, Luiz Fernando Lima conversam, não escondem a irritação e nem se preocupam com quem passa ao lado e ouve. O alvo é o técnico da seleção brasileira, Dunga. Minutos antes, na coletiva pós Brasil x Costa do Marfim o técnico, numa dividida bem a seu estilo, deu na canela do comentarista Alex Escobar, da Globo.

Luiz Fernando Lima lembra as conversas recentes da emissora com Dunga, já na África do Sul:
- Falamos com ele duas vezes e ele não consegue entender que não é "a Globo", ele está falando para todo o país...

Seguem as observações do grupo, sempre ferinas. Um deles chega a dizer: - ...e a única coisa que eu acho que ele aprendeu em quatro anos foi falar 'conosco' e não mais 'com nós' como sempre fez...

A Globo reagiu com um texto em tom de editorial, cujo conteúdo acabou sendo reproduzido e apoiado pela maioria dos jornalistas e empresas de comunicação que cobrem a Copa. Outro jornalista, Maurício Stycer, afirma, no portal UOL, que as entrevistas foram negociadas diretamente pela Globo com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. Dunga não gostou e vetou.

Aparentemente, os jornalistas de outras empresas consideram uma grosseria maior o fato de Dunga reagir contra esse tipo de privilégio a uma empresa do que a concessão do privilégio em si mesma. Mas, segundo a repercussão do episódio na internet indica que a maioria dos internautas está com Dunga e contra a Globo.

Uma enquete do Terra perguntava na manhã desta terça: você está com Dunga, com a Globo ou contra os dois? Com 163 votos, apenas 3,68% (6 votos) apoiavam a Globo. Dunga tinha 71,78% (117 votos) de apoio e a opção “contra os dois”, 24,54% (40 votos). Ontem, os comentários de leitores no site de O Globo também indicavam amplo apoio a Dunga.

Nas seções de comentários, leitores começaram a espalhar a idéia de um boicote nacional à TV Globo na sexta-feira, data do próximo jogo do Brasil. A julgar pelo resultado do movimento desencadeado no twitter contra o locutor Galvão Bueno, a Globo pode estar entrando em rota de colisão não apenas com o temperamento de Dunga, mas com milhões de brasileiros e brasileiras.
Um outro forte indicador disso foi que, na madrugada desta terça-feira, cresceu no twitter o chamado para um #diasemglobo, que estimula as pessoas a verem o jogo entre Brasil e Portugal, sexta-feira, em qualquer outra emissora que não a Globo. Um pedido, aliás, não muito difícil de atender, dada a crescente antipatia do locutor Galvão Bueno.


http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16717&boletim_id=718&componente_id=12009

Dunga também peita a Globo - Emir Sader

23/06/2010

A escolha de Dunga como técnico da seleção brasileira foi feita rapidamente, quando ainda estava fresca a vergonhosa derrota para a França, quando um Zidane prestes a despedir-se do futebol, deu um lindo baile no time brasileiro. Neste, Parreira quis surfar no sucesso da copa anterior e manteve um time envelhecido – de que os superados Cafu e Roberto Carlos eram as expressões mais claras, laterais já sem capacidade de apoio e de volta para marcar. O segredo estava no quarteto Ronaldo, Ronaldinho, Adriano e Kaká. Bastaria que dois jogassem bem, para que estivesse, garantidas nossas vitórias.

O time naufragou desde o começo, nunca jogou bem, se esperava sempre que finalmente o time realizasse o futebol que potencialmente possuíam, o que nunca aconteceu. A barriga de Ronaldo – que não se deu ao trabalho de emagrecer nem umas gramas -, a falta de vontade de jogar de Ronaldinho, foram os símbolos daquele fracasso.

Nem bem terminou o jogo – em que Roberto Carlos foi crucificado, com razão, ao estar arrumando as meias, deixando Henri livre para marcar, num resultado magro pelo domínio total dos franceses -, a CBF quis apagar os ecos do fiasco e nomeou Dunga encima do balanço consensual – e fácil – da imprensa: tinha faltado raça. Foram buscar quem tinha significado a raça em estado puro, nas seleções anteriores, mesmo se nunca tivesse sido técnico: Dunga.
Uma nomeação assentada em uma ilusão, que segue sendo repetida: o Brasil tem o melhor futebol do mundo, revela craques como ninguém, a todo momento. O quarteto não teve disposição de jogar – Kaka apenas se esforçou, Robinho entrava no final, -, o diagnóstico quase foi de que fomos derrotados por excesso de craques. Zidane passeou pelo Brasil, dando chapéus a torto e a direito, diante de um time incapaz de qualquer genialidade. Mas a dose de raça viria em dose dupla e isso bastaria para voltássemos a ter o melhor time do mundo.

Dunga assumiu como se esperava, com o discurso da linha dura do “orgulho” que todo jogador deveria ter de estar na seleção – no estilo da “pátria de chuteiras”, da disciplina e da entrega à seleção. Sabia-se se Ronaldo estaria fora – pela falta de disposição para colocar-se em forma – e Ronaldinho estaria a perigo, pela fama de “baladeiro”. Adriano teria sua chance, assim como Robinho, enquanto Kaká seria o modelo de comportamento do jogado da Era Dunga – agora como técnico.

Mas Dunga impôs a disciplina também em outro plano. Na seleção de Parreira, a Globo deitava e rolava. Chegou a montar um estúdio inteiro na concentração, em pleno Campeonato Mundial e transmitia, a seu bel prazer, todo o cotidiano dos jogadores, desde que se levantavam até que dormissem. Era uma festa para a Globo.

No mesmo sentido do espírito que buscou impor, Dunga deixou a imprensa fora das concentrações, liberou apenas as entrevistas protocolares e, conforme os resultados não chegavam – o Brasil chegou a estar mal no começo das eliminatórias – e Dunga era muito criticado, este reagia com dureza contra a imprensa, no estilo rude da sua personalidade tosca.
Aos poucos a seleção foi se acertando, as vitórias vieram e isso consolidou em Dunga a certeza de seu comportamento era o correto. As arbitrariedades táticas – o jogo monótono, sem criatividade – e de convocação – privilegiando os brucutus no meio de campo, sem dar chance a jogadores eminentemente técnicos, como Alex, Ganso, Neimar, Hernanes, foram sendo referendadas, conforme o Brasil assumiu o primeiro lugar nas eliminatórias, ganhou a Copa das Confederações, ganhando da Argentina e, em amistosos também, de outros times ranqueados na Fifa – como a Itália e Portugal.

O principal problema que o Brasil arrastou até o começo da Copa foi a falta de forma física e técnica de dois dos seus jogadores mais importantes – Kaká e Luis Fabiano que, contundidos nos seus clubes, tinham jogado pouco nos meses anteriores ao inicio da Copa e chegaram à convocação ainda se recuperando. Mas havia outro problema: o Brasil não é mais o celeiro de craques cantado em prosa e verso no passado. Os jogadorres do Santos são ainda grandes promessas, assim como Hernanes, enquanto a Argentina revelou e consolidou uma geração de craques superior à nossa, incluído um fora de série - Messi – que nós já não temos desde o declínio de Ronaldinho. (Messi já era o melhor do mundo há vários anos, quando Kaká e Cristiano Ronaldo ganharam esse prêmio sem merecê-lo.)

Mas o conflito que domina o clima da seleção, até aqui , é outro. As empresas jornalísticas nos saturam de Copa do Mundo vários meses antes, mandam equipes descomunais de jornalistas, se valem de patrocínios milionários e precisam encher seus horários com matérias que deveriam varias de um jogador escovando os dentes até dormindo de pijama. Mas Dunga deixou, como é correto fazer, a imprensa do lado de fora da concentração, para não perturbar o trabalho – inclujindo os agentes, que em outras seleções atuavam ali dentro, assesiando os jogadores. Isso causou mal estas emissoras e serviu como tema de intermináveis e modorrentas mesas redondas, entre comentários táticos sobre a Nova Zelândia e a Sérvia. Principalmente da TV Globo, acostumada a todos os privilégios, que se sente ultrajada ao ser tratada como as outras, sem o acesso privilegiado aos jogadores e à concentração da seleção.

Independente de que o Brasil seja campeão ou não, se siga melhorando seu futebol ou estacione no nível atual, Dunga tem razão, mais além das truculências verbais, que revelam uma personalidade frágil, sem auto controle, pela qual se deve temer em situações de maior tensão (imaginem se, em jogo eliminatório, o Brasil começa perdendo, que topo de segurança um técnico assim vai passar no vestiário, no intervalo, só para imaginar uma situação perfeitamente possível, em que os jogadores tem que ter no banco alguém seguro, controlado, o que certamente Dunga não é.)

Quando o time joga mal, se descarrega nele uma carga desproporcional de críticas (“Treino secreto para isso?”, berrava o caderno da Copa do Globo depois da magra vitória contra a Coréia do Norte, numa vingacinha barata.) Ou, mesmo quando se ganha e se joga bem, se carrega nas tintas ao Dunga não se dar conta que Kaká estava descontrolado e prestes a ser expulso no jogo contra a Costa do Marfim, não interessa se justamente ou não, porque sua visível irritação o deixava na zona de risco de aceitar provocações.

A Globo, como sempre, com sua prepotência, granjeia a antipatia de todos (de que a campanha global contra o Galvão é uma expressão criativa, depois daqueles palavrões com que o Maracanã já o havia brindado: “Tomá no c. Galvão, tomá no c. Galvão”, impossíveis de não serem ouvidos por todos.

Tomara que o Brasil siga melhorando e ganhe a Copa. Pela alegria que trará par ao povo brasileiro. Mas que não se consagre o estilo grosseiro do Dunga. Mas se o Brasil perder, a Globo vai estraçalhá-lo, com um ódio similar ao que tem ao governo Lula – ambos expressões distintas dos limites impostos à Globo, que impotente tem que assistir sucessos que a contrarivam.

http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=492

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Futebol de Cinco (Futebol de Cegos)

Urece - Deficientes Visuais

GoalBall - reportagem

Pouco transparente, Copa de 2014 já estoura prazos e orçamento - Maurício Thuswohl

Fórum Social Urbano faz avaliação crítica dos preparativos para a Copa do Mundo de 2014. Membro do comitê formado pela sociedade civil sul-africana para acompanhar a organização da próxima Copa do Mundo, Alan Mabin, professor da Universidade de Witwatersrand, chamou a atenção para a evolução do custo inicialmente previsto para o evento.

Data: 25/03/2010

RIO DE JANEIRO – A realização de megaeventos esportivos e os impactos sociais e econômicos por eles causados formaram o principal tema de debate do Fórum Social Urbano nesta quarta-feira (24). Coordenado por organizações não-governamentais e universidades brasileiras, o FSU acontece até sexta-feira (26) no Rio de Janeiro, paralelamente ao Fórum Mundial Urbano.

No fórum oficial, é evidente a euforia dos participantes com eventos como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. No FSU, a abordagem sobre estes temas foi bem mais crítica, com direito a nova exposição de denúncias sobre as irregularidades cometidas nos Jogos Pan-Americanos de 2007, realizado no Rio, e na organização da próxima Copa, a se realizar na África do Sul. Os debatedores também mostraram que a Copa a se realizar no Brasil já estoura prazos e custos inicialmente estabelecidos pela organização do evento.

Membro do comitê formado pela sociedade civil sul-africana para acompanhar a organização da próxima Copa do Mundo, Alan Mabin, professor da Universidade de Witwatersrand, chamou a atenção para a evolução do custo inicialmente previsto para o evento: “Quando a candidatura da África do Sul foi apresentada à Fifa, havia uma estimativa de gastos de R$ 3 milhões para a reforma de alguns estádios. Agora, já se fala em R$ 2 bilhões gastos somente para finalizar um único estádio na Cidade do Cabo. Será que nossos líderes cometeram um grande erro de cálculo ou será que mentiram para o povo?”, provocou.

Mabin alertou que a organização da Copa “traz oportunidades de bons negócios e também de corrupção” para os sul-africanos: “Para uns, obras como as do estádio da Cidade do Cabo, com imensa quantidade de recursos, significa uma boa oportunidade de negócio. Para outros, são uma oportunidade de corrupção, de clientelismo e de concentração de poder”, disse. Mabin também denunciou as condições dos trabalhadores sul-africanos contratados para as obras da Copa: “As jornadas de trabalho são muito longas e os salários muito baixos. Vale lembrar que a África do Sul tem uma taxa de desemprego de 40%”.

Para a próxima Copa, o inchaço dos custos já é uma realidade, e tudo indica que o cenário vai ser repetir no Brasil com a organização da Copa de 2014, segundo os dados levantados por Christopher Gaffney, da Universidade Federal Fluminense (UFF): “Logo de cara, já foi dito que nenhum estádio brasileiro era capaz de receber um jogo de Copa do Mundo. Então, se estabeleceu que devem ser construídos ou reformados doze estádios nas cidades-sede da Copa, o que significa grande investimento. Outra questão é que, apesar de a Copa ser um negócio privado, como dizem a Fifa e a CBF, até agora apenas um estádio, o de Salvador, está sendo construído em regime de PPP (Parceria Pública e Privada). O BNDES está fazendo empréstimos de R$ 400 milhões a cada cidade, o que mostra a participação decisiva do dinheiro público”.

Um grande aumento dos custos inicialmente previstos para a Copa de 2014, segundo Gaffney, já se desenha no horizonte: “Em apenas nove meses, houve aumento de R$ 100 milhões nos projetos do Maracanã e do Morumbi e de R$ 250 milhões no projeto da Fonte Nova. Nesse ritmo, imagina como será até 2014! Acontecendo no escuro, esse aumento é uma ameaça ao cidadão brasileiro”, disse. Outro problema que já acontece, segundo o pesquisador da UFF, é a perda dos prazos inicialmente previstos pela Fifa: “O prazo de entrega dos projetos foi estourado, assim como o da apresentação dos investidores e o da formalização das PPPs. O início das obras nos estádios estava previsto para 1º de março, e esse prazo também já foi estourado”.

Gaffney ressaltou ainda a falta de transparência nos comitês locais nomeados pela Fifa: “É a primeira vez numa Copa do Mundo que o presidente da federação nacional vai ser também o presidente do comitê organizador local. Em nenhuma das cidades-sede há informação pública sobre o funcionamento dos comitês locais. A transparência de cima para baixo não existe”, disse, lembrando que o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, é genro de João Havelange e que Joana Havelange (mulher de um e filha do outro) é a secretária-executiva do comitê organizador da Copa de 2014: “Essas ligações familiares transformam a gestão da Copa numa coisa obscura”.

Um retrato dos impactos sociais que a Copa de 2014 pode trazer já acontece em Fortaleza, onde os doze mil habitantes do Lagamar lutam para que o evento esportivo não sirva como justificativa do poder público para acabar com a comunidade, considerada uma das mais violentas da capital cearense: “Estão previstas obras na região do Lagamar, mas o governo nunca mostrou claramente como serão as obras”, afirma Maria Auxiliadora, dirigente da associação de moradores. Com medo que a comunidade desapareça, representantes do Lagamar chegaram a conseguir uma audiência com a prefeita Luiziane Lins: “Lutamos por nossa permanência e porque aquela é uma área de especulação imobiliária”, diz Auxiliadora.

fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16485

Olimpíadas de 2016 ensaiam o salto orçamentário do Pan - Maurício Thuswohl

Custo inicial dos Jogos Pan-Americanos de 2007 for de R$ 390 milhões. Dois anos após os jogos, quando finalmente foram tornados públicos os dados relativos a sua organização, descobriu-se um custo final de R$ 3,5 bilhões. Com a intensa movimentação já iniciada em relação às Olimpíadas de 2016, representantes da sociedade civil, reunidos no Fórum Social Urbano, temem que se repita a história do Pan.

Data: 26/03/2010

RIO DE JANEIRO – Quando a candidatura do Rio de Janeiro para sede dos Jogos Pan-Americanos de 2007 foi enviada ao Comitê Olímpico Internacional (COI), em 2001, o custo total inicialmente previsto para o evento era de R$ 390 milhões. Dois anos após os jogos, quando finalmente foram tornados públicos os dados relativos a sua organização, descobriu-se um custo final de R$ 3,5 bilhões, confirmando as denúncias feitas por organizações não-governamentais de que o megaevento teria custado dez vezes mais do que aquilo que fora “vendido” para a sociedade. Com a intensa movimentação já iniciada em relação às Olimpíadas de 2016, representantes da sociedade civil temem que se repita a história do Pan.

Presente ao Fórum Social Urbano na quarta-feira (24), Nelma Gusmão de Oliveira, integrante do Comitê Social do Pan, apontou semelhanças entre o que ocorreu até 2007 e o que está ocorrendo agora: “Ao tomar conhecimento do projeto para 2016, a sensação é de já ter visto esse filme. Apesar do discurso ‘aprendemos com os erros do Pan e não os repetiremos’ a coisa está encaminhada para se repetir. Basta consultar o dossiê do Pan e o projeto para 2016 para perceber”, disse.

As semelhanças, segundo Nelma, começam na concepção do projeto físico-espacial dos eventos: “Não há diferença de conceito de evento ou de compreensão da cidade nos dois projetos. O das Olimpíadas prevê quatro clusteres concentrados exatamente nos mesmos pontos que o Pan. Essa é uma visão pontual e fragmentada da cidade, sem pensar em interagir com a população. Em nenhum momento esse projeto prevê a integração da cidade como um todo”.

A principal diferença entre os dois projetos, segundo Nelma, é que, “no caso de 2016, estão previstos gastos infinitamente maiores do que no Pan”. Ela lembrou que o custo inicial previsto para os jogos de 2016 é de R$ 28,8 bilhões e citou como exemplos de novidades em relação ao Pan o projeto de revitalização da zona portuária e a implantação do BRT (Bus Rapid Transport, na sigla em inglês): “Outros projetos já tiveram acréscimo de orçamento. É o caso, por exemplo, da construção da Linha 4 do Metrô para ligar Ipanema à Barra da Tijuca”.

Outra semelhança entre o Pan 2007 e as Olimpíadas 2016 aparece no caso das empresas beneficiadas nos dois projetos: “Os estudos de viabilidade econômica e de consultoria em 2007 foram encomendados à Fundação Getúlio Vargas, à Price WaterhouseCoopers e ao EKS (Event Knowledge Service, na sigla em inglês). Os três aparecem novamente em 2016. O mesmo acontece com a construção civil que, assim como em 2007, vai beneficiar a construtora Carvalho Hosken”, disse Nelma, lembrando que a construção da Vila Olímpica do Pan é alvo de contestação por “problemas estruturais e mau uso de recursos públicos”.

Elefante branco
Representante da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro no FSU, Alberto de Oliveira foi outro a apontar semelhanças entre o Pan de 2007 e as Olimpíadas de 2016: “Vivemos em relação aos jogos de 2016 o mesmo quadro de falta de informação e de falta de transparência dos gastos públicos. O Pan foi um elefante branco”, afirma, acrescentando que a promessa de progresso para a cidade e de vinda de recursos não se concretizou em 2007: “Não houve mudança nenhuma, por exemplo, em relação a taxa de desemprego do Rio durante as obras do Pan”, disse.

O principal problema do Pan, segundo Oliveira, foi a espantosa evolução dos gastos previstos para o evento: “O governo federal pagou sozinho quase R$ 2 bilhões”, disse. O critério adotado para os gastos também foi contestado: “Contando apenas os gastos do Governo do Estado, foi gasto em infra-estrutura urbana apenas 3,4% do total, enquanto 10% foi gasto, por exemplo, em consultorias e planejamento. O item com o qual mais se gastou foi segurança. Ou seja, um terço do gasto total foi para esconder a insegurança do Rio e viabilizar o Pan”, disse, citando como exemplos a construção do Centro de Segurança (R$ 400 milhões), o pagamento de salários para a Força Nacional de Segurança (R$ 56 milhões) e as operações de inteligência (R$ 37 milhões).

O propalado “legado do Pan”, na opinião de Oliveira, também não se concretizou da forma prometida pelas autoridades e pela organização do evento. Caso emblemático é o da construção do Estádio João Havelange, mais conhecido como Engenhão, que consumiu um terço dos gastos realizados pela Prefeitura do Rio. Três anos após o Pan, o Engenhão - atualmente arrendado pelo Botafogo - convive com a descoberta de falhas estruturais. Um boletim encaminhado recentemente pelo clube à Prefeitura aponta 30 falhas no estádio, que custou R$ 390 milhões (curiosamente, o mesmo custo estimado para todo o Pan em 2001) aos cofres municipais.

Outros elefantes brancos deixados como “legado” pelo Pan de 2007 são a Arena Multiuso, o Parque Aquático Maria Lenk e o Complexo Esportivo de Deodoro: “Todos esses espaços estão ociosos ou sub-utilizados. Foi feito um esforço enorme de economia, que acabou afetando alguns serviços essenciais, para poder financiar um projeto econômico que, mesmo sob o ponto de vista liberal, sem nem entrar no mérito da distribuição de renda, economicamente dá prejuízo. Fazer grandes eventos esportivos não dá lucro”, afirmou Oliveira.

fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16486

terça-feira, 15 de junho de 2010

Greve dos trabalhadores dos estádios da Copa de 2010

Julho dia 12, 2009

A um ano do início da Copa do Mundo de Futebol, de 2010. A África do Sul que será a sede desta festa mundial de futebol, teve as obras dos estádios do Mundial paralizadas pelos trabalhadores em greve.

Os organizadores estão reciosos que esta greve atrapalhe os andamentos de infra-estrutura dos estádios, apesar que as negociações já começaram com o comitê organizador, representantes do governo e representates dos grevistas.

Em seu segundo dia de greve, nesta quinta-feira dia 9 de julho, os trabalhadores exigem um aumento de 13% em seus salários, porém os empreiteiros oferecem somente 10,4%. Alguns operários na África do Sul ganham menos de 4,5 rands, oum seja 0,40 euro por hora, e a ” Federação Sul -Africana de Empreiteiros de Engenharia Civil mente ao país que estamos pedindo um aumento de 65% e na realidade estamos querendo 13%, desabafa Lesiba Seshoka, porta voz dos trabalhadores.

São 70 mil trabalhadores que aderiram a greve e as obras para a Copa de 2010 criaram mais de 400 mil postos de trabalho em toda África do Sul, reduzindo a taxa de desemprego, que atualemtente está em 23%.
Serão dez estádios utilizados pelo Mundial, em nove cidades sul-africana, cinco deles já começaram a ter práticas esportivas, a outra metade deverá ser entregue no final de 2009.

Assim esperamos que o impasse seja solucionado para não atrapalhar essa grande festa do Futebol Mundial.

fonte: http://www.copa2010africa.org/greve-dos-trabalhadores-dos-estadios-da-copa-de-2010

A face ocultada do futebol - Laurindo Lalo Leal Filho

A TV Brasil e a TV Câmara mostraram alguns aspectos da face do futebol que é ocultada pela TV comercial. Sócrates, o capitão da seleção brasileira de 1982 e o jornalista José Cruz, levantaram algumas pontas do véu que cobre, não apenas o futebol, mas grande parte de toda a estrutura esportiva existente no Brasil.

Está no ar o maior espetáculo de televisão. Em audiência nada bate a Copa do Mundo. Na Alemanha, em 2006, os 64 jogos foram vistos por 26 bilhões de telespectadores, número que neste ano pode alcançar os 30 bilhões.

São 60 bilhões de olhos vendidos pela FIFA para as emissoras de TV comercializarem com os seus anunciantes. As cifras envolvidas em dinheiro são estratosféricas. Ganham a Federação internacional, as empresas de televisão e os anunciantes reforçando marcas e alavancando a venda de produtos e serviços.

Um ciclo perfeito, onde nada pode ser criticado. Normalmente, a TV no Brasil não critica os jogos transmitidos já que, dentro da lógica empresarial, seria um contrasenso mostrar defeitos do próprio produto. E o futebol, para a TV, nada mais é do que um dos seus produtos, assim como as novelas e os programas de auditório.

Dessa forma se todos ganham e não há criticas, o grande espetáculo do futebol, em sua dimensão máxima que é a Copa do Mundo, chegaria as raias da perfeição. Pelo menos é que mostra a TV.

Mas, e ainda bem que há um mas nessa história, a TV Brasil e a TV Câmara mostraram no programa VerTV alguns aspectos da face do futebol que é ocultada pela TV comercial. Sócrates, o capitão da seleção brasileira de 1982 e o jornalista José Cruz, levantaram algumas pontas do véu que cobre, não apenas o futebol, mas grande parte de toda a estrutura esportiva existente no Brasil.

Para começar não é verdade que todos ganham. Há quem perda, e são muitos. Por exemplo, os jovens que por força da TV associam desde cedo o sucesso esportivo com o consumo de cerveja. Ou desprezam o estudo, uma vez que seus ídolos não precisaram dele para alcançar a glória e a fama.

No programa, Sócrates foi enfático: “A TV vende o sonho do consumo. Vende atitude, aparência, comportamento, moda. Mas, é incapaz de vender educação. E vender esporte sem educação é um crime. Mostram ídolos do futebol que não estudam e são um péssimo exemplo para a sociedade. E não por culpa deles apenas. O sistema estimula que saiam da escola”.

Afirmação que desperta uma curiosidade. A mídia revela diariamente minúcias da vida dos jogadores. Onde vivem, que carros possuem, como são suas casas e suas famílias. Só não dizem até que ano estudaram, em quais escolas, como eram enquanto alunos. Por que será? Sócrates responde: “a ignorância dos jogadores é estimulada pelo sistema. A ele não interessam profissionais com possibilidade de critica”.

O jornalista José Cruz mostra outras perdas. De toda a sociedade. Por exemplo, com a irresponsabilidade dos dirigentes esportivos nos clubes, federações e confederações. Embora privadas, essas entidades recebem dinheiro público e, por isso, deveriam prestar contas publicamente. “As loterias esportivas repassam dinheiro para o futebol. A Timemania está hoje tapando o buraco das dívidas fiscais dos clubes produzidas por dirigentes irresponsáveis”.

E mostra outras perdas sociais. A do dinheiro público desperdiçado, por exemplo, nos Jogos Panamericanos do Rio, em 2007. Dá dois exemplos retirados do relatório do Tribunal de Contas da União: “a compra de 5 mil tochas para serem acesas no evento, das quais só chegaram 500 e, ainda assim apenas 380 foram aproveitadas e a descoberta, depois dos Jogos, pelos auditores do TCU, de 880 caixas contendo aparelhos de ar condicionado que sequer foram abertas. E tudo isso segue impune”.

Tanto Sócrates, como José Cruz, alertam para o fato da seleção nacional e dos seus jogos serem eventos públicos que, no entanto, estão totalmente privatizados. “A seleção brasileira – que usa as cores, o hino e a bandeira do nosso pais – deveria ter parte de suas receitas revertidas para o futebol brasileiro, muito pobre em várias regiões do Brasil”, diz o jornalista.

Sócrates lamenta o volume de recursos jogados fora pela falta de uma política esportiva de Estado. Para ele “o esporte deveria ser um braço da saúde e da educação. Se não ele fica solto” e aponta a deficiência dos cursos de Educação Física: “não há um que trate o esporte com viés comunitário. É tudo individualista”.

E há mais. Quem quiser saber basta entrar no site da TV Câmara, clicar em “conhecer os programas” e depois no VerTV. Lá revela-se um pouco do que a TV comercial teima em ocultar.

Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial).
fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4672&boletim_id=711&componente_id=11932

sábado, 5 de junho de 2010

Veja a deliberação da assembléia da rede estadual sobre o Programa Conexão Professor

Minha função eu cumpro! Não é minha função não faço! Professores da rede estadual devem se recusar a realizar tarefas que não tenham a ver com o trabalho docente
Diante da exigência da SEEDUC de que os professores lancem as notas via internet e por falta de orientações claras sobre a realização da tarefa, diversas direções de escola estão exigindo que professores utilizem lan houses, caso haja algum problema com o laptop ou a conexão, e que utilizem seu horário de recreio, de almoço, de planejamento ou fim de semana para isso.
O Sepe orienta os profissionais da educação a não utilizarem os seus horários livres, de planejamento oud e aulas para tal tarefa. Em audiência no dia 15 de maio, o subsecretário Marcus Medina se comprometeu a reverter a medida, mas até o momento nada foi feito para corrigir mais este ato autoritário da SEEDUC. O sindicato vai continuar cobrando a revogação da medida.

http://www.seperj.org.br/site/