sexta-feira, 27 de maio de 2011

As salas de aula brasileiras são mais indisciplinadas

As salas de aula brasileiras são mais indisciplinadas do que a média de outros países avaliados em um estudo do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes)

O estudo, feito com dados de 2009 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aponta que, no Brasil, 67% dos alunos entrevistados disseram que seus professores “nunca ou quase nunca” têm de esperar um longo período até que a classe se acalme para dar prosseguimento à aula.

Entre os 66 países participantes da pesquisa, em média 72% dos alunos dizem que os professores “nunca ou quase nunca” têm de esperar que a classe se discipline.

Os países asiáticos são os mais bem colocados no estudo: no Japão, no Cazaquistão, em Xangai (China) e em Hong Kong, entre 93% e 89% dos alunos disseram que as classes costumam ser disciplinadas.

Finlândia, Grécia e Argentina são os países onde, segundo percepção dos alunos, os professores têm de esperar com mais frequência para que os alunos se acalmem.

O estudo foi feito com alunos na faixa dos 15 anos e dentificou que os distúrbios em sala de aula estão, em média, menores do que eram na pesquisa anterior, feita no ano 2000.

– A disciplina nas escolas não deteriorou – na verdade, melhorou na maioria dos países –, diz o texto da pesquisa.

– Em média, a porcentagem de estudantes que relataram que seus professores não têm de esperar muito tempo até que eles se acalmem aumentou em seis pontos percentuais.

Segundo o estudo, a bagunça em sala de aula tem efeito direto sobre o rendimento dos estudantes.

– Salas de aula e escolas com mais problemas de disciplina levam a menos aprendizado, já que os professores têm de gastar mais tempo criando um ambiente ordeiro antes que os ensinamentos possam começar –, afirma o relatório da OCDE.

– Estudantes que relatam que suas aulas são constantemente interrompidas têm performance pior do que estudantes que relatam que suas aulas têm menos interrupções.

A criação desse ambiente positivo em sala de aula tem a ver, segundo a OCDE, com uma “relação positiva entre alunos e professores”. Se os alunos sentem que são “levados a sério” por seus mestres, eles tendem a aprender mais e a ter uma conduta melhor, conclui o relatório.

No caso do Brasil, porém, a pesquisa mostra que os estudantes contam menos com seus professores do que há dez anos.

– Relações positivas entre alunos e professores não são limitadas a que os professores escutem (seus pupilos). Na Alemanha, por exemplo, a proporção de estudantes que relatou que os professores lhe dariam ajuda extra caso necessário cresceu de 59% em 2000 a 71% em 2009 –, afirma o relatório.

Já no Brasil essa proporção de estudantes caiu de 88% em 2000 para 78% em 2009.

http://correiodobrasil.com.br/sala-de-aula-brasileira-e-mais-indisciplinada-do-que-a-media/244660/

terça-feira, 24 de maio de 2011

Analfabetismo entre negros é o dobro

A taxa de analfabetismo das pessoas negras no Brasil, segue sendo maior que
o dobro do que ocorre entre as pessoas brancas, correspondendo a 71,6% do
6,8 milhões considerados analfabetos. Esse é um dos indicadores constantes
do Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil – 2009/2010.

Veja os outros principais indicadores

1. Afrodescendentes têm menor chance de acesso ao sistema de saúde. Taxa de
não cobertura ao sistema chega a quase 27% (brancos, no entorno de 14%)

2. Entre 1986 e 2008 a Taxa de Fecundidade Total (TFT) de mulheres negras
(48,8%) cai de forma mais acelerada que das mulheres brancas (36,7%), mas as
negras se sujeitam com mais intensidade às laqueaduras. Quase 30% em idade
fértil estão esterilizadas; brancas, 21,7%)

3. Mulheres negras têm menor acesso aos exames ginecológicos preventivos:
37,5% nunca fizeram exame de mamas (brancas, 22,9%), 40,9% nunca fizeram
mamografia (brancas, 26,4%), 15,5% jamais fizeram o Papanicolau (brancas,
13,2%)

4. Cresce o peso relativo de Aids junto à população negra, especialmente no
sexo feminino. Desde 2006, a taxa de mortalidade por 100 mil habitantes das
negras é superior à das brancas. Letalidade da Aids é maior entre os negros

5. A população negra é mais acometida pela infecção e morte por sífilis. No
ano de 2008, do total de bebês infectados por sífilis congênita, 54,2% eram
negros.

6. Mães de crianças negras têm menor acesso ao exame pré-natal (somente
42,6% fizeram mais de sete exames; no caso das brancas, 71%) e recebem
atendimento menos cuidadoso no sistema de saúde, sugerindo a presença do
racismo institucional. Por exemplo, mães que fizeram exame ginecológico até
dois meses depois do parto: 46,0%, entre as gestantes brancas; 34,7%, entre
as gestantes pretas & pardas.

7. Mães de crianças negras têm maior probabilidade de falecer por
mortalidade materna. Morrem por dia cerca de 2,6 mulheres afrodescendentes
por causas maternas (mulheres brancas, 1,5 por dia)

8. Negros são os mais beneficiados pelo Programa Bolsa-Família. Uma em cada
quatro famílias chefiadas por afrodescendentes recebia o PBF (brancos,
9,8%). Peso deste Programa junto a esta população tem maior efeito no alívio
das situações de Insegurança Alimentar extremadas. Por exemplo, o PBF
permitiu a elevação do consumo de arroz por parte dos pretos & pardos em
68,5%, ao passo que entre os brancos o aumento foi de 31,5%. No caso do
feijão ocorreu elevação no consumo pelos pretos & pardos de 68,0%, frente a
32,0% no aumento do consumo entre os brancos

9. Crianças e adolescentes afrodescendentes entre 4 e 17 anos são mais
dependentes da merenda escolar para sobreviver: 60,6% são usuários deste
tipo de recurso (brancas: 48,1%)

10. População negra tem menor probabilidade de acesso à Previdência Social.
Em 2008, peso relativo dos trabalhadores pretos & pardos com acesso ao
sistema era dez pontos percentuais menor em relação aos brancos. No caso das
mulheres negras 20% das seguradas o eram na condição de Segurada Especial
(entre as mulheres brancas, 10%)

11. Estudo especial da Unicamp feito para o Relatório mostra que negros tem
menor esperança de sobrevida no conjunto das faixas de idade selecionadas.
Fator Previdenciário aprofunda desigualdades raciais

12. Relatório revela que a Constituição de 1988 não é cumprida quando se
trata do acesso da população negra ao sistema escolar. Descumprimento é
generalizado. Entre as crianças negras entre 11 e 14 anos nem metade
estudava na série esperada.

13. Crianças e adolescentes negros têm pior desempenho escolar e sofrem com
condições de ensino mais precárias. Taxa de crianças negras estudando em
escolas públicas é de 90% (brancas 80%). Mais de um terço das escolas
públicas frequentadas por alunos negros tem ou nenhuma ou pouca condição de
adequação de infraestrutura. Nem 20% têm condições de segurança boa ou muito
boa

14. Jovens afrodescendentes são mais expostos ao abandono escolar e à
frequência à escola em idade superior à desejada. Um em cada quatro jovens
negros que fizeram o ENEM tiveram relatos de ter sofrido discriminação
racial

15. Vinte anos depois da Constituição de 1988, a taxa de analfabetismo das
pessoas negras segue sendo mais que o dobro do que a das pessoas brancas.
6,8 milhões de pessoas em todo país que frequentam ou tinham frequentado a
escola são analfabetos, os pretos & pardos correspondem a 71,6% deste total.

16. Crianças afrodescendentes com idade inferior a 6 anos têm mais
dificuldade para ingressar nas creches e no sistema regular de ensino. 84,5%
das crianças negras de até 3 anos não frequentavam creches; 7,5% das
crianças negras de 6 anos estavam fora de qualquer tipo de escola e apenas
41,6% estavam no sistema de ensino seriado

17. Réus vencem causas nos tribunais com maior frequência diante dos casos
de denúncia de racismo. 66,9% nos Superiores Tribunais de Justiça. 58,5% nos
Tribunais Regionais do Trabalho de 2ª instância

18. O Relatório Anual das Desigualdades Raciais traz, ainda, dados inéditos
sobre desigualdades raciais contra pessoas afrodescendentes nos EUA, Cuba,
Equador, Colômbia, Uruguai e Comunidade Europeia.

Fonte: Afropess

Visite Rede Afrobrasileira Sociocultural em:
http://redeafro.ning.com/?xg_source= msg_mes_network

segunda-feira, 23 de maio de 2011

As lições (e os alertas) do novo Wembley para o Maracanã - Giancarlo Lepiani

Enquanto o Rio torrava dinheiro com reformas malfeitas, Londres derrubou seu estádio e ergueu a melhor arena do mundo - mas fora do prazo e do orçamento

O novo estádio de Wembley

Londres derrubou seu tradicional estádio e ergueu a melhor arena do mundo para a Olimpíada de 2012.

Na Inglaterra, o fato de o novo Wembley ter saído do prazo e do orçamento foi considerado uma vergonha nacional - mesmo com pouco dinheiro público na obra

Se no século passado o futebol virou quase uma religião, Maracanã e Wembley transformaram-se em templos sagrados. Dezenas de milhões de torcedores fizeram a peregrinação às suas arquibancadas - no Rio de Janeiro, durante sessenta anos; em Londres, por quase oitenta. Na entrada do novo século, foi preciso renovar as duas catedrais do esporte. E foi aí que os estádios mais famosos do planeta tomaram rumos diferentes. Os brasileiros decidiram reabilitar o Maracanã com uma série de profundas reformas - a mais radical delas, atualmente em curso, para deixá-lo pronto para a Copa do Mundo de 2014. Os ingleses, conhecidos pelo apego às tradições, surpreenderam: reduziram Wembley a pó e construíram uma novíssima arena multiuso no mesmo lugar onde ficava o antigo estádio. Concluído em 2007, o novo Wembley talvez seja o melhor estádio do mundo. E o projeto já serve de lição para o Maracanã do futuro - tanto nos acertos quanto nos erros.

A própria decisão de resolver o problema de uma só vez, evitando desperdiçar dinheiro com reformas parciais, pode ser vista como boa lição dos ingleses. Não foi fácil convencer a população de que era necessário colocar o velho estádio no chão. Uma vez reconstruído, porém, Wembley ficou pronto para mais algumas boas décadas de uso ininterrupto. É difícil imaginar que seja necessário fazer qualquer tipo de obra ali por pelo menos meio século. A construção é robusta o bastante para suportar a passagem do tempo, e o projeto é versátil o suficiente para permitir a adaptação do estádio a diversos tipos de uso. Todo o anel inferior, por exemplo, pode ter suas cadeiras retiradas, ampliando o espaço disponível para montar pistas de corrida e palcos para shows. O Rio não tem essa perspectiva, pelo menos por enquanto - o que permite prever que outras obras de adaptação podem ser necessárias no futuro (como para a Olimpíada de 2016).

Foi justamente essa falta de planejamento a longo prazo que transformou o Maracanã num buraco negro de dinheiro público nos últimos anos. Na primeira série de reformas, nos anos 1990, as mudanças foram apenas superficiais. Em 1999, pouco antes da primeira edição do Mundial de Clubes da Fifa, o estádio recebeu obras mais extensas, ao custo de 100 milhões de reais. Mas elas não foram suficientes para deixar o Maracanã para os Jogos Pan-Americanos de 2007, quando um investimento de mais de 200 milhões de reais fez a primeira grande transformação no estádio. Ou seja: quando o Rio de Janeiro anuncia gastos de pelo menos 966 milhões de reais nas obras para a Copa do Mundo de 2014, deve-se lembrar dos outros 300 milhões já consumidos num intervalo de pouco mais de dez anos. O valor total gasto no Rio, quase 1,3 bilhão de reais, ainda é inferior ao custo do novo Wembley, equivalente a 2,1 bilhão de reais. Londres tem o estádio mais caro do planeta.

Ainda assim, a comparação entre os investimentos nos dois estádios é alarmante. O preço de Wembley é final, e inclui gastos em infraestrutura nos arredores, compra definitiva do terreno, um fundo de contingência e a demolição completa do estádio antigo. Contando apenas a construção, os custos do projeto e juros, Wembley soma 517 milhões de libras - ou 1,37 bilhão de reais, valor similar, portanto, ao que está custando a interminável série de reformas no Maracanã. E isso sem contar a chance de novas revisões no orçamento - em caso de atrasos ou imprevistos nas obras, a despesa com o Maracanã pode dar um outro salto - e a enorme diferença nos custos de produção no Rio e em Londres, uma das cidades mais caras do mundo, onde desde os materiais até a força de trabalho consomem muito mais dinheiro. O melhor de tudo é que Wembley é uma parceria público-privada - e a verba pública corresponde a só uma pequena parcela do investimento.


O que copiar dos ingleses

O uso de pouca verba pública no projeto: foram só 41 milhões de libras de um total de 798 milhões de libras

A qualidade do projeto: sem luxos ou excessos, mas prático, confortável, durável e sustentável, como espera-se hoje

A diversificação das receitas: Wembley tem quatro restaurantes, estrutura para shows, uma loja, visitas turísticas...

O que não repetir no Rio

O atraso nas obras. Se estourar o prazo como Wembley, o Maracanã não poderá receber a Copa do Mundo de 2014

A destruição de todos os vestígios do antigo estádio - só sobraram dois painéis da Olimpíada de Londres, em 1948

A baixa frequência de uso: apenas jogos da seleção, finais de torneios e eventos especiais são realizados no estádio

Atraso e prejuízo - Mesmo a pontualidade britânica e o preço salgado da empreitada não garantiram a entrega de Wembley no prazo. Da demolição à inauguração, foram cinco anos, um a mais que o previsto. Primeiro, a destruição das arquibancadas demorou a engrenar. Depois, no decorrer das obras, alguns acidentes e uma reforma no sistema de esgoto sob o estádio atrapalharam o cumprimento do cronograma. Mas se a repetição desses problemas no Maracanã deve significar uma nova remessa de dinheiro público ao projeto, em Wembley o prejuízo ficou com a empreiteira australiana Brookfield Multiplex, responsável pela obra. Hoje, o estádio é de propriedade de uma subsidiária da Federação Inglesa, criada para cuidar exclusivamente da administração do estádio. No Maracanã, fala-se no uso do modelo de concessão, mas ninguém sabe ao certo como (ou por quem) o estádio será gerenciado depois que a Copa terminar, já no segundo semestre de 2014.

Por coincidência, será justamente em 2014 que o novo Wembley deverá começar a dar lucro - por enquanto, os juros dos empréstimos que bancaram a obra e a quitação dos valores investidos na construção superam as gordas receitas provenientes de jogos e shows realizados no estádio. No Maracanã, espera-se de que um clube ou empresa assuma a administração, arcando com os pesadíssimos custos de manutenção de um estádio tão grande. Mesmo assim será um negócio da China: quem ficar com o Maracanã ganhará a chance de explorar o estádio sem precisar se preocupar com a montanha de contas a pagar pela obra. Na Inglaterra, o fato de o novo Wembley ter saído do prazo e do orçamento foi considerado uma vergonha nacional, principalmente por tratar-se de um patrimônio importante do país, o palco de sua maior vitória no esporte, a Copa de 1966. É difícil dizer como os ingleses teriam reagido se o fiasco tivesse sido pago por dinheiro público.

Construído em 1950, o Maracanã tinha capacidade para 150.000 pessoas até os anos 1980. Com a instalação de cadeiras em todo o estádio, o limite de público oficial caiu para 82.000 pessoas. Recebeu a final da Copa de 1950.

Erguido em 1923, Wembley era originalmente conhecido como Empire Stadium. Recebia até 127.000 torcedores até os anos 1980. Com a instalação de assentos, caiu para 82.000 pessoas. Foi o palco da final da Copa de 1966.


http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/as-licoes-e-os-alertas-do-novo-wembley-para-o-maracana

domingo, 22 de maio de 2011

sábado, 21 de maio de 2011

Acorda, Brasil-il-il: farra do Maracanã conduz a reforma para R$ 1 bilhão

Navegando pela internet encontrei esta matéria no blog do comentarista da ESPN Brasil, Mauro Cesar Pereira, onde o comentarista da ESPN fala do absurdo das obras do Maracanã.

Está no jornal O Globo de hoje, terça-feira: “Gasto com obras do Maracanã pode chegar a R$ 1 bilhão”. A matéria de Luiz Ernesto Magalhães lembra que a brincadeira já está custando R$ 712 milhões (inicialmente seriam R$ 705,5 milhões) e revela que foram encontrados “sinais de deterioração de parte da estrutura da cobertura original”. Assim, a reforma, que descaracterizará o estádio e que inicialmente terminaria em dezembro de 2012, podem se arrastar por mais seis meses, elevando seus custos totais à casa de R$ 1 bilhão – clique aqui e leia.

O consultor em engenharia estrutural João Luiz Casagrande dá uma declaração estarrecedora a O Globo: “Não estou surpreso que encontraram sinais de deterioração. Estruturas metálicas e de concreto armado foram projetadas para durar 50 anos. O Maracanã já tem 60 anos”. Ora, então que orçamento inicial era aquele? Talvez tenham apresentado números elevadíssimos mas não tão assustadores para, adiante, revelar a realidade.

“Minha estimativa é que possa chegar a R$ 900 milhões ou até R$ 1 bilhão”, acrescenta Casagrande. Este blog vem alertando para isso não é de hoje (veja matérias anteriores nos links abaixo). Se ele vinha chamando atenção para isso, o que o Estado fez diante de tais “alertas”?

A mídia oficial, claro, já defende o indefensável. Citam superfaturamentos em estádios da África do Sul, ou o estouro no custo da construção do novo Wembley. Como se absurdos anteriores justificassem novos. Pena que a indignação dos brasileiros com um pênalti mal marcado contra seu time de fé seja mil vezes maior do que qualquer reação contrária a tamanho absurdo.

Acorda, Brasil-il-il-il-il!

Fonte: http://www.espn.com.br/maurocezarpereira

http://www.futsalinterior.com.br/2011/01/11/acorda-brasil-il-il-farra-do-maracana-conduz-a-reforma-para-r-1-bilhao/

Reforma do Maracanã custará R$ 956,8 milhões, o dobro do previsto - Estadão

A conclusão das obras está prevista para dezembro de 2012 - ou seja, no limite da Fifa
17 de maio de 2011

A reforma do Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, que sediará a decisão da Copa do Mundo de 2014, custará R$ 956,8 milhões, aproximadamente o dobro do valor que estava previsto anteriormente, informou o Governo do Rio de Janeiro, que apresentou nesta terça-feira o orçamento oficial ao Tribunal de Contas.

O documento foi entregue ao presidente do TCU, ministro Benjamin Zymler, pelo vice-governador fluminense Luiz Fernando Pezão, ao lado do relator, o ministroWalmir Campello.

Segundo o documento, o custo das obras duplica os cálculos iniciais anunciados no final de 2009, que eram de cerca R$ 500 milhões.

A conclusão das obras está prevista para dezembro de 2012, de acordo com os responsáveis pelo projeto, exatamente na data limite que a Fifa impôs para os estádios que serão utilizados na Copa das Confederações de 2013.

Cerca de 90% da parte interna do antigo estádio já foi demolida, enquanto fachada será mantida intacta, segundo um comunicado do Governo do estado.

Uma das razões que explicam o aumento do orçamento é a necessidade de demolir a cobertura, que se encontra muito desgastada, conforme constatação dos engenheiros, e será substituída por uma estrutura de lona tensionada, que dura cerca de 50 anos e tem uma aparência similar à atual.

O desenho definitivo prevê a redução da capacidade de 87 mil assentos para 80 mil, e não para 76.525, como previa o projeto inicial.

http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,reforma-do-maracana-custara-r-9568-milhoes-o-dobro-do-previsto,720532,0.htm

Projeto da cobertura do Maracanã é divulgado. Estádio pronto em 2012 - GloboEsporte

Projeto da cobertura do Maracanã é divulgado. Estádio pronto em 2012

‘Vamos entregar a mais moderna arena do mundo’, garante Luiz Fernando Pezão, vice-governador e secretário de Obras do Estado do RJ

Por GLOBOESPORTE.COM


Um novo Maracanã será entregue aos cariocas em dezembro de 2012. Com cobertura nova, o estádio, que servirá de palco para a final da Copa do Mundo de 2014, se tornará mais moderno, confortável e seguro. E, para isso, serão investidos R$ 956.787.720,00 nas obras, cujo o orçamento final foi apresentado nesta terça-feira, em Brasília, pelo vice-governador e secretário de Obras do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, pelo presidente da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop), Ícaro Moreno, e pela secretária de Esporte e Lazer, Márcia Lins, aos técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria Geral da União (CGU).

- Vamos entregar a mais moderna arena do mundo que está sendo preparada para receber a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, atendendo aos requisitos da FIFA e do Comitê Olímpico Internacional (COI). Nós somos a primeira cidade a apresentar o projeto executivo. A reforma do Maracanã, que recebe cerca de cem eventos por ano, custará menos de R$ 1 bilhão. Enquanto a construção e a reforma do Wembley, na Inglaterra, que promove 16 eventos anuais, foi orçada em R$ 3 bilhões - afirmou o vice-governador, que apresentou aos técnicos as plantas da reforma.

Novo Maracanã será entregue em 2012 (Foto: Divulgação)De acordo com a secretaria de obras, os trabalhos para reforma do Estádio Jornalista Mário Filho estão dentro do cronograma. Na semana passada, as fundações para as novas arquibancadas e as rampas de acesso externas começaram a ser construídas. Cerca de 90% da parte interna, incluindo arquibancadas, vestiários, banheiros, salas de rádio e camarotes, já foram demolidos. Os 800 profissionais responsáveis pelas melhorias do estádio estão trabalhando em dois turnos: das 7h às 17h e das 19h às 5h.

Maracanã terá capacidade para 80 mil pessoas

O valor orçado para a reforma ficou acima do esperado, por causa da necessidade de substituir a cobertura existente. A atual marquise foi condenada por laudos de órgãos nacionais e internacionais. Uma estrutura em lona tensionada, aprovada pelo Iphan por não descaracterizar a atual, vai proteger os torcedores da chuva e do calor. A estrutura tem durabilidade de 50 anos e garantia de 15 anos. Além de recursos estaduais, há um financiamento realizado junto ao Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES).

- A nova cobertura, que teve toda a sua estrutura aprovada, terá condições de luz mais uniformes, borda externa mais baixa e flexibilidade plena para instalação de equipamentos. Serão seis semanas para levantar a nova cobertura. Na demolição, podemos ver o quanto a marquise atual está degradada. Todas as premissas devem ser entregues até o dia 15 de junho. - explicou Ícaro Moreno.

Maracanã receberá certificação ambiental

Transformar o Maracanã em um estádio ecologicamente correto também está entre as prioridades do Governo do Estado do Rio de Janeiro. O projeto, preparado segundo o sistema Leardership In Energy and Environmental Design (LEED), prevê a utilização de dispositivos economizadores de água e a implantação de um sistema de captação de água de chuva, resultando em uma economia de 50% no que se refere à irrigação do gramado. Além disso, um moderno sistema de iluminação ajudará a reduzir o consumo de energia em 6%. Serão 23.500 luminárias econômicas de LER.

Mais conforto para os torcedores

A capacidade do novo Maracanã, antes prevista para 76.525 cadeiras, será aumentada para 80 mil lugares. Para oferecer mais conforto aos torcedores, serão construídos 110 camarotes, entre as arquibancadas superior e inferior, e quatro conjuntos de rampas; instalados mais onze elevadores, totalizando 16, e seis escadas rolantes, aumentando para 12; aumentado a distância entre as cadeiras de 48cm para 50cm; e colocados assentos rebatíveis nas novas cadeiras. O estádio contará com 3.860 alto-falantes, 314 câmeras de segurança, 360 monitores de TV, quatro telões e 36 mil metros quadrados de área refrigerada.

A nova cobertura do Maracanã usará a água da chuva para irrigar o gramado e alimentar os banheiros. Projeto visa economizar 50% do consumo de água no estádio (Divulgação)As obras também vão permitir ao torcedor assistir aos jogos em uma posição privilegiada e, como nos estádios americanos e europeus, ficar mais perto do campo. A parte inferior, onde ficavam as cadeiras azuis, será elevada em cerca de cinco metros. A parte superior vai avançar 12 metros em direção ao campo. O padrão de visibilidade determina que todos os espectadores possam enxergar sobre a cabeça do torcedor sentado duas fileiras à frente, em uma linha reta.

A setorização, que permite ao torcedor saber como chegar à área de arquibancada, facilitará a saída do estádio, que deverá ocorrer em apenas oito minutos. Já o gramado será mais resistente e adequado ao clima brasileiro. A construção de um túnel de acesso ao campo, além da readequação dos quatro existentes, também está entre as novidades. A área da imprensa recebeu um centro de mídia, com áreas de redação, estúdios e um auditório com 450 lugares, além de um espaço dedicado à transmissão que será acomodada no anel superior.

- A apresentação do projeto de reforma tem um conteúdo simbólico e prático. Serve de referência para outras obras que serão realizadas para a Copa do Mundo. O Rio de Janeiro demonstra total transparência no uso dos recursos públicos. Até hoje, o governo estadual ainda não precisou captar muitos recursos da União. Do orçamento total, que podia ultrapassar 50%, o Estado do Rio utilizou 35% - disse o presidente do TCU, ministro Benjamin Zymler, depois da apresentação do projeto executivo.

http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2011/05/projeto-da-nova-cobertura-do-maracana-e-divulgado-estadio-pronto-em-2012.html