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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Os privilégios que o governo propõe dar à Fifa na Copa de 2014 - André Barrocal

Lei Geral da Copa enviada ao Congresso propõe tratamento especial à Fifa, para que a maior entidade do planeta tenha controle total do Mundial de 2014 e de sua exploração comercial. Entre as poucas exigências à Fifa, estão a cessão de parte do tempo dos jogos a todas as TVs e 'ficha limpa' para estrangeiro que pedir visto. A brasileiros, garante-se feriado em dia de jogo.

BRASÍLIA – A Organização das Nações Unidas (ONU) realiza nesta quarta-feira (21), nos Estados Unidos, sua Assembléia Geral anual, da qual podem participar líderes dos 193 países membros. Criada para ser o grande fórum político global, a ONU ainda está a 15 países de distância do posto de maior entidade planetária. Ele pertence à Federação Internacional das Associações de Futebol e ajuda a entender porque o Brasil – como outros países no passado – dará tantos privilégios legais à Fifa durante a Copa de 2014.

O tratamento especial está definido numa proposta de Lei Geral da Copa que o governo mandou ao Congresso nessa segunda-feira (19). O texto, de 46 artigos, tenta garantir que a Fifa tire proveito máximo das possibilidades comerciais da Copa. Possa promovê-la com as pessoas que bem entender. Tenha controle total da realização de – e do acesso a - cada jogo ou evento da competição. Faz dela uma personalidade que pode ser protegida do ponto de vista criminal, entre outras coisas.

A parte mais extensa do projeto diz respeito à propriedade intelectual de símbolos e marcas da Fifa e da Copa. Todos poderão ser registrados no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) de forma especial: de graça e em até 60 dias. Eles serão informados pelo INPI ao NIC.br, órgão encarregado de gerenciar domínios na internet, para que nenhum domínio seja registrado com nada que lembre as marcas da Copa e da Fifa.

Falsificar e comercializar símbolos oficiais da Copa e da Fifa ou tentar explorá-los comercialmente sem aval da entidade, serão considerados crimes. A punição pode chegar a um ano de cadeia.

A Fifa e seus parceiros estão liberados para fazer publicidade nas ruas próximas dos estádios. E terão a ajuda do governo, do estado e da prefeitura para isso. Mas quem, sem o aval da Fifa, se aventurar a fazer mesmo, ainda que utilizando veículos, balões ou embarcações, poderá ser punido do ponto de vista civil - com multas e indenizações.

Exibir um jogo em associação com uma marca que não é parceira da Fifa e sem autorização da entidade, também resultará em sanção civil. O valor será calculado depois, caso a caso – não está previsto no projeto.

A transmissão dos jogos, como em todas as Copas, é exclusiva para emissora de TV que comprar os direitos. Mas, em uma das poucas imposições que faz à Fifa, o projeto obriga a entidade a ceder pelo menos 10% de cada partida e 30 segundos das cerimônias de abertura e encerramento da Copa, às emissoras brasileiras sem os direitos comprados.

A Fifa terá de fazer um vídeo de ao menos 6 minutos, no máximo até duas horas depois de cada a partida ou evento, para que o veículo selecione o conteúdo que lhe interessa e possa exibir em sua programação jornalística.

O acesso das pessoas e da imprensa aos eventos será controlado de forma absoluta pela Fifa. Ela é quem dará credencial ou não para os jornalistas, por exemplo. O preço os ingressos será definido exclusivamente pela entidade e não precisará constar dos bilhetes, como o Estatuto do Torcedor obriga no Brasil. E não basta que a pessoa tenha ingresso. Para entrar no estádio, não poderá usar camiseta com mensagens racistas ou xenófobas, nem entoar cantos com conteúdo igual.

Já a Fifa poderá botar para dentro do estádio – e até do país – quem bem entender. Todo mundo que a entidade indicar como pessoa envolvida na organização e realização da Copa, vai receber visto de imigrante em regime especial - mais rápido.

Em uma das outras poucas exigências que faz à Fifa, porém, o projeto ressalva que algumas condições previstas em lei de 1980 que criou o conselho nacional de imigracão, devem ser seguidas. Por exemplo: não poderão receber vistos pessoas consideradas nocivas à ordem pública, condenadas e que podem ser passíveis de extradição, menores desacompanhados dos pais ou que não atendam condições de saúde definidas pelo ministério da Saúde.

Depois de tantos privilégios à Fifa e à Copa, o projeto reserva ao menos um aos brasileiros. Governo federal, estados e municípios poderão decretar feriado em dias de jogos. Os estados e municípios de cidades sede da Copa poderão fazê-lo independentemente do governo federal ou de ser jogo do Brasil. São 12 cidades sedes: Rio, São Paulo, Brasília, Salvador, Recife, Porto Alegre, Belo Horizonte, Cuiabá, Manaus, Fortaleza, Natal e Curitiba.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18518&boletim_id=1009&componente_id=16225

Cidades-sede de jogos da Copa poderão decretar feriado

A Lei Geral da Copa, enviada hoje (19) pelo governo ao Congresso Nacional, prevê que o Distrito Federal, os estados e municípios poderão decretar feriado nos dias em que forem disputados em seu território jogos da Copa do Mundo de 2014. O mesmo direito é estendido à União.

O texto da lei, que agora será discutido por deputados e senadores, dispõe sobre as medidas relativas a eventos esportivos internacionais vinculados à Copa do Mundo de 2014, incluindo as responsabilidades da Federação Internacional de Futebol (Fifa) e da União, a proteção de símbolos oficiais e as punições para quem falsificar produtos licenciados.

Sobre os ingressos, o texto da lei determina que o preço será fixado pela Fifa, que também fica responsável pela venda. Outro item trata dos vistos de entrada e das permissões de trabalho que serão concedidas sem restrições até 31 de dezembro de 2014 a integrantes da delegação e convidados da Fifa, representantes da imprensa e espectadores com ingresso ou confirmação de aquisição de ingressos.

A lei ainda define que, no período do evento, caberá à União oferecer segurança, saúde e serviços médicos, vigilância sanitária, alfândega e imigração.

http://br.noticias.yahoo.com/cidades-sede-de-jogos-da-copa-poder%C3%A3o-decretar-feriado.html

domingo, 19 de junho de 2011

Leiam essa interessante matéria. Pena que o Saint Pauli foi rebaixado...

[Martin Smith]

Se você odeia futebol com toda sua força, então leia. Se você ama futebol, então você tem que ler também.

Como posso fazer isso, ouço você perguntar. A resposta a este enigma reside em Hamburgo, Alemanha. Lá, localizado entre a Reeperbahn (a "rua da luz vermelha" de Hamburgo), docas e bairros de trabalhadores e imigrantes pobres está o estádio Millerntor, a casa do time de futebol Saint Pauli.

O Saint Pauli é, de longe, o clube mais de esquerda da Europa. O clube lançou agora uma nova camiseta com os dizeres "love Saint Pauli, hate racism" ("ame o Saint Pauli, odeie o racismo") que é inspirada pela mensagem do Love Music Hate Racism, festival político-musical antifascista na Grã-Bretanha. Fui convidado por um grupo de torcedores para falar sobre a nossa luta contra o movimento racista English Defence League, divulgar a nova camiseta deles e assistir a um jogo no mês passado.

Uma coisa te impressiona enquanto você faz o caminho até o campo. Em todo bar, toda loja e aparentemente todo prédio se vê a bandeira pirata, conhecida como Jolly Roger (Totenkopf, em alemão). O meu anfitrião neste dia é Bruno, um ex-squatter (squatters são ativistas que ocupam e vivem em lugares abandonados) e socialista libertário. Ele explica que a bandeira simboliza a luta dos clubes pobres contra os clubes ricos.

A segunda coisa que chama sua atenção é que os torcedores do Saint Pauli não são fãs comuns. Eles são uma mistura de punks, roqueiros tatuados, anarquistas, trabalhadores industriais e, além disso, tem mais torcedoras do que qualquer outro clube na Europa.

Esses torcedores são atraídos por um clube que veste seu coração político na manga e estimula uma cultura alternativa que floresce nas arquibancadas. Eles foram o primeiro clube europeu a promover uma cultura antiracista e antifascista nas arquibancadas. O time jogou um torneio em Cuba para mostrar solidariedade ao país nos anos 90 e Volker Ippig, goleiro do Saint Pauli na época, para ajudar a Revolução Sandinista na Nicarágua.

As partidas são como um festival. O time entra no campo ao som de "Hells Bells", música do AC/DC e quando marca um gol ouve-se no estádio "Song 2", música do Blur. Depois do jogo, caixas de som são colocadas fora do estádio e são feitas pequenas festas nas ruas.

Bruno me explicou que a transformação em um clube radical começou nos anos 80. Naquela época, o Saint Pauli estava jogando nas divisões inferiores.

Um grupo de squatters começou a comparecer nos jogos. Por brincadeira alguns começaram a trazer suas bandeiras piratas. Lentamente, o grupo cresceu e outros torcedores, cansados da mercantilização crescente e de elementos fascistas associados a outros clubes, começaram a acompanhar o Saint Pauli. Hoje você vê bandeiras de Che Guevara e faixas anarcossindicalistas erguidas por todo o estádio.

Até recentemente o presidente do clube era Corny Littman, um homem assumidamente gay. Alguns anos atrás, torcedores de um outro time entoaram cantos homofóbicos contra Littman. Quando o time fez o jogo de volta no estádio do Saint Pauli, as arquibancadas estavam totalmente cobertas por "bandeiras arcoíris", a resposta perfeita.

No ano passado, o Saint Pauli subiu para a Bundesliga, a primeira divisão do futebol alemão. A pressão para se manter no campeonato fez com que o clube sucumbisse a pressões comerciais. Assentos especiais foram criados e, inacreditavelmente, um dos espaços do estádio foi patrocinado por uma casa de strip de Hamburgo. Torcedores revoltados resisitram. A Socialromantiker, uma torcida do Saint Pauli, começou a cobrir as propagandas da casa de strip durante os jogos. A Jolly Roger foi erguida por fãs nas arquibancadas nos protestos contra o patrocínio de casa de strip.

Hoje não há mais propagandas e o clube encerrou o contrato de patrocínio com os donos da casa de strip. O poder dos torcedores venceu e as bandeiras piratas são vistas por todo o estádio.

Depois do jogo, sou levado por Bruno e alguns outros torcedores para o bar Jolly Roger. Está lotado de punks e de todos os adesivos antiracistas e antifascistas possíveis. Sou apresentado a quatro pessoas sentadas numa mesa fora do bar. Eles parecem estar ligeiramente fora de lugar. Não são punks ou roqueiros, nem estão com o uniforme do Saint Pauli dos pés à cabeça. Ainda assim, parecem ter um momento ótimo. Eles me dizem que são refugiados e procuram asilo, foram convidados por Bruno e seus amigos.

Bruno acrescenta: "Nos jogos em casa, nosso grupo convida um pequeno grupo de refugiados para vir ao jogo. Depois comemos e bebemos até altas horas da noite, nós pagamos por tudo. Nós éramos forasteiros. Agora encontramos uma casa. Nós queremos que essas pessoas tenham no Saint Pauli uma casa."

Para mim, isso resume a essência do Saint Pauli.

Portanto, você pode detestar futebol, mas como não amar o Saint Pauli? E se amar futebol como eu, pode imaginar algum lugar melhor para passar uma tarde de sábado?

http://www.revolutas.net/index.php?INTEGRA=1580

http://www.socialistreview.org.uk/article.php?articlenumber=11701

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Um ano depois da Copa, estádios da África do Sul amargam prejuízos

Governo sul-africano amarga prejuízo com a manutenção do Green Point. Em Porto Elizabeth, o cenário também não é nada animador

Por GLOBOESPORTE.COM
Cidade do Cabo, África do Sul


Nem tudo é motivo de comemoração na África do Sul um ano depois da realização da Copa do Mundo. A começar pela utilização do estádio Green Point, que fica na Cidade do Cabo e recebeu oito jogos no Mundial, incluindo uma semifinal. Apesar de receber turistas até hoje, ninguém quer usá-lo. Com capacidade para 58 mil pessoas e vista deslumbrante, o local só foi lembrado para 12 eventos. A empresa francesa que seria responsável pela administração depois da Copa desistiu. Viu que o negócio era prejuízo certo (assista ao vídeo da matéria que foi ao ar no Globo Esporte).

No dia primeiro de janeiro de 2011, a prefeitura assumiu o comando. Uma votação na Câmera de Vereadores determinou o destino do estádio. Acredite: uma das propostas era botá-lo abaixo. Optou-se pelo bom-senso. Pelos próximos três anos, o estádio será de responsabilidade do poder público municipal.

Sendo assim, Lesley de Reuck ganhou um dos empregos mais difíceis da África do Sul hoje. Ele tem a missão de fazer desse elefante branco algo lucrativo.

- Derrubar o estádio é uma ideia louca. Isso custou caro. E é um lugar único. Haverá solução. Estamos contratando profissionais pra isso - explicou o administrador.

Mesmo sem uso, o governo sul-africano gasta com manutenção do gramado e do teto. Todo mês, dezenas de funcionários têm que limpá-lo. O curioso é que a Cidade do Cabo abriga um dos maiores times de rugby do mundo: o Stomers, que se recusa a jogar no Estádio Green Point. O clube dispõe de um campo próprio, para 50 mil pessoas, e lucra muito com a venda de camarotes a cada temporada.

Há na cidade três times de futebol, mas nenhum deles com torcida suficiente para encher o estádio. Por isso, raramente jogam no local. Por enquanto, o Green Point é um exemplo de desperdício de dinheiro público. Foi o estádio mais caro a Copa: custou R$ 1 bilhão para mal ser usado.

Os problemas não param por aí. Sem times de futebol, Nelspruit precisa importar clubes populares. A prefeitura oferece dinheiro, eles jogam nessa cidade e enchem o estádio.
Em Porto Elisabeth, a sensação é que o passado foi apagado. As traves onde a Holanda fez os dois gols que eliminaram o Brasil nas quartas de final não estão mais no estádio. Desde o fim da Copa, esse estádio vive do rugby. Em um ano, ele não abriu as portas para um jogo de futebol sequer.

Na verdade, foram só 11 jogos da Segunda Divisão de rugby. A diretora de comunicação do estádio conta nos dedos o número de eventos. É constrangedor. Chega a citar um festival de vinhos para aumentar a lista.

A boa notícia é que em agosto a seleção de rugby vai jogar em Porto Elisabeth. Enfim, um evento digno do estádio. O pior é que histórias assim se repetem em outros estádios construídos para a Copa. Dos dez palcos do Mundial, só metade tem recebido jogos. A Copa passou, mas o prejuízo para os cofres públicos ficou.

http://globoesporte.globo.com/programas/globo-esporte/noticia/2011/06/um-ano-depois-da-copa-metade-dos-estadios-da-africa-do-sul-esta-ocioso.html

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Boicote ao GP do Bahrein de F1

Nesta sexta-feira, os brutais governantes do Bahrein podem ganhar direitos de sediar o prestigioso Grande Prêmio de Fórmula 1.
Mas muitos pilotos estão sentindo-se desconfortáveis com a perspectiva de correr em um país que tem torturado enfermeiras, estudantes e manifestantes inocentes. Vamos pedir a Red Bull -- a equipe liderante -- e a seus rivais que boicotem Bahrein até que a violência pare!

Red Bull construiu uma reputação como uma bebida esportiva e engraçada -- mas nesta sexta-feira, Red Bull e outras equipes liderantes de F1 podem ficar mais conhecidos por endossar tortura e assassinato por parte do governo. A Fórmula Um tem 24 horas para decidir se mantém sua corrida já atrasada no Bahrein, local de uma das repressões mais brutais no Oriente Médio.

Se Red Bull recusar-se a correr em Bahrein, outras equipes também se retirarão -- e a corrida de Fórmula Um poderia ser cancelada, enviando ondas de choque através do governo brutal do Bahrein e enviando uma mensagem inconfundível de que o mundo não ignorará a brutalidade do estado. Os boicotes do esporte já colocaram pressão sobre outros regimes como o apartheid na África do Sul -- podemos fazê-lo novamente.

Red Bull só agirá se um número suficiente de nós nos juntarmos para deixar claro que sua marca, e mesmo sua reputação, estão em jogo. Vamos lançar um grito que os assassinatos do governo do Bahrein não podem silenciar, e pedir a Red Bull que diga que não vai correr em Bahrein este ano. Se 300.000 de nós assinarmos a petição, a Avaaz irá promover duras campanhas de propaganda levando nossas mensagens aos executivos da Red Bull. Só resta mais um dia -- assine agora e encaminhe esta mensagem:

http://www.avaaz.org/po/no_f1_in_brutal_bahrain/?vl

O governo do Bahrein expulsou a mídia mundial -- chegando até mesmo a torturar uma jornalista trabalhando para um canal da TV francesa. Encobrindo essa violência está a legação de que tudo está calmo e ordenado. Isso é uma mentira gritante. De manhã cedo na semana passada bombas de gás lacrimogêneo foram lançadas através de uma janela de um importante ativista de direitos humanos. Ele conseguiu apenas resgatar seu irmão, mulher e filha, que estavam perto de sufocar. Ele agora apela à Avaaz “para fazer o que puder para impedir que o governo me ataque e à minha família".

O Bahrein até mesmo demitiu e abusou de um quarto dos trabalhadores de seu circuito de F1. Um trabalhador muito ferido e cheio de hematomas disse que um policial “pôs a minha cabeça entre as pernas dele, me derrubou no chão - e então a pancadaria realmente começou”. Muitas pessoas ainda estão desaparecidas -- como um estudante que foi ferido durante o ataque à universidade do Bahrein. Médicos, jornalistas e outros fazem relatos angustiantes de tortura e abuso nas mãos da polícia.

Mais cedo este ano - antes que outros levantes tirassem Bahrein das manchetes - a corrida de Bahrein foi adiada. Mas agora o chefe da Fórmula 1 quer prosseguir com ela. Ele diz que seu negócio não é tomar parte em discussões políticas, mas sabe que correr em Bahrein em frente às câmeras do mundo todo vai fazê-lo tomar parte em um governo com as mãos sujas de sangue. Vamos nos levantar pelas enfermeiras, estudantes e outros habitantes do Bahrein que foram abatidos e feridos por dizer a Red Bull que dissesse não à F1 no brutal Bahrein. Se Red Bull concordar, outras equipes irão seguir. Assine a petição agora e envie a todo mundo:

http://www.avaaz.org/po/no_f1_in_brutal_bahrain/?vl

Os esportes que praticamos e assistimos podem nos elevar, mas também podem ser usados como penhor em jogos políticos. Juntos nós podemos mostrar que as pessoas que apoiam os direitos humanos em todo lugar superam o dinheiro e a brutalidade onde quer que seja.

Com esperança e determinação,

Alex, Sam, Ricken, Mia, Pascal e toda a equipe Avaaz


MAIS INFORMAÇÕES

Bahrein suspende estado de emergência em vigor desde março
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/06/110601_bahrein_estado_emergencia_cc.shtml

Bahrein tem dia de conflitos às vésperas da reunião da FIA
http://www.superesportes.com.br/app/1,188/2011/06/02/noticia_automobilismo,185990/bahrein-tem-dia-de-conflitos-as-vesperas-da-reuniao-da-fia.shtml

Governo do Bahrein abafa protestos na vespera de decisão sobre o GP
http://globoesporte.globo.com/motor/formula-1/noticia/2011/06/governo-do-bahrein-abafa-protestos-na-vespera-de-decisao-sobre-o-gp.html

Protestos no Bahrein bloqueiam via em confronto com a polícia
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/03/13/protestos-no-bahrein-bloqueiam-via-em-confronto-com-policia-924001259.asp

Manifestantes morrem em conflito com policiais no Bahrein
http://g1.globo.com/revolta-arabe/noticia/2011/03/manifestantes-morrem-em-conflito-com-policiais-no-bahrein.html

No Bahrein, 15 mil pedem a queda do regime no enterro de vítimas
http://exame.abril.com.br/economia/mundo/noticias/no-bahrein-15-mil-pedem-a-queda-do-regime-no-enterro-de-vitimas

Índia pode encerrar F1 se prova do Bahrein voltar ao calendário
http://esportes.terra.com.br/noticias/0,,OI5141261-EI1137,00-India+pode+encerrar+F+se+prova+do+Barein+voltar+ao+calendario.html

terça-feira, 24 de maio de 2011

Analfabetismo entre negros é o dobro

A taxa de analfabetismo das pessoas negras no Brasil, segue sendo maior que
o dobro do que ocorre entre as pessoas brancas, correspondendo a 71,6% do
6,8 milhões considerados analfabetos. Esse é um dos indicadores constantes
do Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil – 2009/2010.

Veja os outros principais indicadores

1. Afrodescendentes têm menor chance de acesso ao sistema de saúde. Taxa de
não cobertura ao sistema chega a quase 27% (brancos, no entorno de 14%)

2. Entre 1986 e 2008 a Taxa de Fecundidade Total (TFT) de mulheres negras
(48,8%) cai de forma mais acelerada que das mulheres brancas (36,7%), mas as
negras se sujeitam com mais intensidade às laqueaduras. Quase 30% em idade
fértil estão esterilizadas; brancas, 21,7%)

3. Mulheres negras têm menor acesso aos exames ginecológicos preventivos:
37,5% nunca fizeram exame de mamas (brancas, 22,9%), 40,9% nunca fizeram
mamografia (brancas, 26,4%), 15,5% jamais fizeram o Papanicolau (brancas,
13,2%)

4. Cresce o peso relativo de Aids junto à população negra, especialmente no
sexo feminino. Desde 2006, a taxa de mortalidade por 100 mil habitantes das
negras é superior à das brancas. Letalidade da Aids é maior entre os negros

5. A população negra é mais acometida pela infecção e morte por sífilis. No
ano de 2008, do total de bebês infectados por sífilis congênita, 54,2% eram
negros.

6. Mães de crianças negras têm menor acesso ao exame pré-natal (somente
42,6% fizeram mais de sete exames; no caso das brancas, 71%) e recebem
atendimento menos cuidadoso no sistema de saúde, sugerindo a presença do
racismo institucional. Por exemplo, mães que fizeram exame ginecológico até
dois meses depois do parto: 46,0%, entre as gestantes brancas; 34,7%, entre
as gestantes pretas & pardas.

7. Mães de crianças negras têm maior probabilidade de falecer por
mortalidade materna. Morrem por dia cerca de 2,6 mulheres afrodescendentes
por causas maternas (mulheres brancas, 1,5 por dia)

8. Negros são os mais beneficiados pelo Programa Bolsa-Família. Uma em cada
quatro famílias chefiadas por afrodescendentes recebia o PBF (brancos,
9,8%). Peso deste Programa junto a esta população tem maior efeito no alívio
das situações de Insegurança Alimentar extremadas. Por exemplo, o PBF
permitiu a elevação do consumo de arroz por parte dos pretos & pardos em
68,5%, ao passo que entre os brancos o aumento foi de 31,5%. No caso do
feijão ocorreu elevação no consumo pelos pretos & pardos de 68,0%, frente a
32,0% no aumento do consumo entre os brancos

9. Crianças e adolescentes afrodescendentes entre 4 e 17 anos são mais
dependentes da merenda escolar para sobreviver: 60,6% são usuários deste
tipo de recurso (brancas: 48,1%)

10. População negra tem menor probabilidade de acesso à Previdência Social.
Em 2008, peso relativo dos trabalhadores pretos & pardos com acesso ao
sistema era dez pontos percentuais menor em relação aos brancos. No caso das
mulheres negras 20% das seguradas o eram na condição de Segurada Especial
(entre as mulheres brancas, 10%)

11. Estudo especial da Unicamp feito para o Relatório mostra que negros tem
menor esperança de sobrevida no conjunto das faixas de idade selecionadas.
Fator Previdenciário aprofunda desigualdades raciais

12. Relatório revela que a Constituição de 1988 não é cumprida quando se
trata do acesso da população negra ao sistema escolar. Descumprimento é
generalizado. Entre as crianças negras entre 11 e 14 anos nem metade
estudava na série esperada.

13. Crianças e adolescentes negros têm pior desempenho escolar e sofrem com
condições de ensino mais precárias. Taxa de crianças negras estudando em
escolas públicas é de 90% (brancas 80%). Mais de um terço das escolas
públicas frequentadas por alunos negros tem ou nenhuma ou pouca condição de
adequação de infraestrutura. Nem 20% têm condições de segurança boa ou muito
boa

14. Jovens afrodescendentes são mais expostos ao abandono escolar e à
frequência à escola em idade superior à desejada. Um em cada quatro jovens
negros que fizeram o ENEM tiveram relatos de ter sofrido discriminação
racial

15. Vinte anos depois da Constituição de 1988, a taxa de analfabetismo das
pessoas negras segue sendo mais que o dobro do que a das pessoas brancas.
6,8 milhões de pessoas em todo país que frequentam ou tinham frequentado a
escola são analfabetos, os pretos & pardos correspondem a 71,6% deste total.

16. Crianças afrodescendentes com idade inferior a 6 anos têm mais
dificuldade para ingressar nas creches e no sistema regular de ensino. 84,5%
das crianças negras de até 3 anos não frequentavam creches; 7,5% das
crianças negras de 6 anos estavam fora de qualquer tipo de escola e apenas
41,6% estavam no sistema de ensino seriado

17. Réus vencem causas nos tribunais com maior frequência diante dos casos
de denúncia de racismo. 66,9% nos Superiores Tribunais de Justiça. 58,5% nos
Tribunais Regionais do Trabalho de 2ª instância

18. O Relatório Anual das Desigualdades Raciais traz, ainda, dados inéditos
sobre desigualdades raciais contra pessoas afrodescendentes nos EUA, Cuba,
Equador, Colômbia, Uruguai e Comunidade Europeia.

Fonte: Afropess

Visite Rede Afrobrasileira Sociocultural em:
http://redeafro.ning.com/?xg_source= msg_mes_network

segunda-feira, 23 de maio de 2011

As lições (e os alertas) do novo Wembley para o Maracanã - Giancarlo Lepiani

Enquanto o Rio torrava dinheiro com reformas malfeitas, Londres derrubou seu estádio e ergueu a melhor arena do mundo - mas fora do prazo e do orçamento

O novo estádio de Wembley

Londres derrubou seu tradicional estádio e ergueu a melhor arena do mundo para a Olimpíada de 2012.

Na Inglaterra, o fato de o novo Wembley ter saído do prazo e do orçamento foi considerado uma vergonha nacional - mesmo com pouco dinheiro público na obra

Se no século passado o futebol virou quase uma religião, Maracanã e Wembley transformaram-se em templos sagrados. Dezenas de milhões de torcedores fizeram a peregrinação às suas arquibancadas - no Rio de Janeiro, durante sessenta anos; em Londres, por quase oitenta. Na entrada do novo século, foi preciso renovar as duas catedrais do esporte. E foi aí que os estádios mais famosos do planeta tomaram rumos diferentes. Os brasileiros decidiram reabilitar o Maracanã com uma série de profundas reformas - a mais radical delas, atualmente em curso, para deixá-lo pronto para a Copa do Mundo de 2014. Os ingleses, conhecidos pelo apego às tradições, surpreenderam: reduziram Wembley a pó e construíram uma novíssima arena multiuso no mesmo lugar onde ficava o antigo estádio. Concluído em 2007, o novo Wembley talvez seja o melhor estádio do mundo. E o projeto já serve de lição para o Maracanã do futuro - tanto nos acertos quanto nos erros.

A própria decisão de resolver o problema de uma só vez, evitando desperdiçar dinheiro com reformas parciais, pode ser vista como boa lição dos ingleses. Não foi fácil convencer a população de que era necessário colocar o velho estádio no chão. Uma vez reconstruído, porém, Wembley ficou pronto para mais algumas boas décadas de uso ininterrupto. É difícil imaginar que seja necessário fazer qualquer tipo de obra ali por pelo menos meio século. A construção é robusta o bastante para suportar a passagem do tempo, e o projeto é versátil o suficiente para permitir a adaptação do estádio a diversos tipos de uso. Todo o anel inferior, por exemplo, pode ter suas cadeiras retiradas, ampliando o espaço disponível para montar pistas de corrida e palcos para shows. O Rio não tem essa perspectiva, pelo menos por enquanto - o que permite prever que outras obras de adaptação podem ser necessárias no futuro (como para a Olimpíada de 2016).

Foi justamente essa falta de planejamento a longo prazo que transformou o Maracanã num buraco negro de dinheiro público nos últimos anos. Na primeira série de reformas, nos anos 1990, as mudanças foram apenas superficiais. Em 1999, pouco antes da primeira edição do Mundial de Clubes da Fifa, o estádio recebeu obras mais extensas, ao custo de 100 milhões de reais. Mas elas não foram suficientes para deixar o Maracanã para os Jogos Pan-Americanos de 2007, quando um investimento de mais de 200 milhões de reais fez a primeira grande transformação no estádio. Ou seja: quando o Rio de Janeiro anuncia gastos de pelo menos 966 milhões de reais nas obras para a Copa do Mundo de 2014, deve-se lembrar dos outros 300 milhões já consumidos num intervalo de pouco mais de dez anos. O valor total gasto no Rio, quase 1,3 bilhão de reais, ainda é inferior ao custo do novo Wembley, equivalente a 2,1 bilhão de reais. Londres tem o estádio mais caro do planeta.

Ainda assim, a comparação entre os investimentos nos dois estádios é alarmante. O preço de Wembley é final, e inclui gastos em infraestrutura nos arredores, compra definitiva do terreno, um fundo de contingência e a demolição completa do estádio antigo. Contando apenas a construção, os custos do projeto e juros, Wembley soma 517 milhões de libras - ou 1,37 bilhão de reais, valor similar, portanto, ao que está custando a interminável série de reformas no Maracanã. E isso sem contar a chance de novas revisões no orçamento - em caso de atrasos ou imprevistos nas obras, a despesa com o Maracanã pode dar um outro salto - e a enorme diferença nos custos de produção no Rio e em Londres, uma das cidades mais caras do mundo, onde desde os materiais até a força de trabalho consomem muito mais dinheiro. O melhor de tudo é que Wembley é uma parceria público-privada - e a verba pública corresponde a só uma pequena parcela do investimento.


O que copiar dos ingleses

O uso de pouca verba pública no projeto: foram só 41 milhões de libras de um total de 798 milhões de libras

A qualidade do projeto: sem luxos ou excessos, mas prático, confortável, durável e sustentável, como espera-se hoje

A diversificação das receitas: Wembley tem quatro restaurantes, estrutura para shows, uma loja, visitas turísticas...

O que não repetir no Rio

O atraso nas obras. Se estourar o prazo como Wembley, o Maracanã não poderá receber a Copa do Mundo de 2014

A destruição de todos os vestígios do antigo estádio - só sobraram dois painéis da Olimpíada de Londres, em 1948

A baixa frequência de uso: apenas jogos da seleção, finais de torneios e eventos especiais são realizados no estádio

Atraso e prejuízo - Mesmo a pontualidade britânica e o preço salgado da empreitada não garantiram a entrega de Wembley no prazo. Da demolição à inauguração, foram cinco anos, um a mais que o previsto. Primeiro, a destruição das arquibancadas demorou a engrenar. Depois, no decorrer das obras, alguns acidentes e uma reforma no sistema de esgoto sob o estádio atrapalharam o cumprimento do cronograma. Mas se a repetição desses problemas no Maracanã deve significar uma nova remessa de dinheiro público ao projeto, em Wembley o prejuízo ficou com a empreiteira australiana Brookfield Multiplex, responsável pela obra. Hoje, o estádio é de propriedade de uma subsidiária da Federação Inglesa, criada para cuidar exclusivamente da administração do estádio. No Maracanã, fala-se no uso do modelo de concessão, mas ninguém sabe ao certo como (ou por quem) o estádio será gerenciado depois que a Copa terminar, já no segundo semestre de 2014.

Por coincidência, será justamente em 2014 que o novo Wembley deverá começar a dar lucro - por enquanto, os juros dos empréstimos que bancaram a obra e a quitação dos valores investidos na construção superam as gordas receitas provenientes de jogos e shows realizados no estádio. No Maracanã, espera-se de que um clube ou empresa assuma a administração, arcando com os pesadíssimos custos de manutenção de um estádio tão grande. Mesmo assim será um negócio da China: quem ficar com o Maracanã ganhará a chance de explorar o estádio sem precisar se preocupar com a montanha de contas a pagar pela obra. Na Inglaterra, o fato de o novo Wembley ter saído do prazo e do orçamento foi considerado uma vergonha nacional, principalmente por tratar-se de um patrimônio importante do país, o palco de sua maior vitória no esporte, a Copa de 1966. É difícil dizer como os ingleses teriam reagido se o fiasco tivesse sido pago por dinheiro público.

Construído em 1950, o Maracanã tinha capacidade para 150.000 pessoas até os anos 1980. Com a instalação de cadeiras em todo o estádio, o limite de público oficial caiu para 82.000 pessoas. Recebeu a final da Copa de 1950.

Erguido em 1923, Wembley era originalmente conhecido como Empire Stadium. Recebia até 127.000 torcedores até os anos 1980. Com a instalação de assentos, caiu para 82.000 pessoas. Foi o palco da final da Copa de 1966.


http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/as-licoes-e-os-alertas-do-novo-wembley-para-o-maracana

sábado, 21 de maio de 2011

Acorda, Brasil-il-il: farra do Maracanã conduz a reforma para R$ 1 bilhão

Navegando pela internet encontrei esta matéria no blog do comentarista da ESPN Brasil, Mauro Cesar Pereira, onde o comentarista da ESPN fala do absurdo das obras do Maracanã.

Está no jornal O Globo de hoje, terça-feira: “Gasto com obras do Maracanã pode chegar a R$ 1 bilhão”. A matéria de Luiz Ernesto Magalhães lembra que a brincadeira já está custando R$ 712 milhões (inicialmente seriam R$ 705,5 milhões) e revela que foram encontrados “sinais de deterioração de parte da estrutura da cobertura original”. Assim, a reforma, que descaracterizará o estádio e que inicialmente terminaria em dezembro de 2012, podem se arrastar por mais seis meses, elevando seus custos totais à casa de R$ 1 bilhão – clique aqui e leia.

O consultor em engenharia estrutural João Luiz Casagrande dá uma declaração estarrecedora a O Globo: “Não estou surpreso que encontraram sinais de deterioração. Estruturas metálicas e de concreto armado foram projetadas para durar 50 anos. O Maracanã já tem 60 anos”. Ora, então que orçamento inicial era aquele? Talvez tenham apresentado números elevadíssimos mas não tão assustadores para, adiante, revelar a realidade.

“Minha estimativa é que possa chegar a R$ 900 milhões ou até R$ 1 bilhão”, acrescenta Casagrande. Este blog vem alertando para isso não é de hoje (veja matérias anteriores nos links abaixo). Se ele vinha chamando atenção para isso, o que o Estado fez diante de tais “alertas”?

A mídia oficial, claro, já defende o indefensável. Citam superfaturamentos em estádios da África do Sul, ou o estouro no custo da construção do novo Wembley. Como se absurdos anteriores justificassem novos. Pena que a indignação dos brasileiros com um pênalti mal marcado contra seu time de fé seja mil vezes maior do que qualquer reação contrária a tamanho absurdo.

Acorda, Brasil-il-il-il-il!

Fonte: http://www.espn.com.br/maurocezarpereira

http://www.futsalinterior.com.br/2011/01/11/acorda-brasil-il-il-farra-do-maracana-conduz-a-reforma-para-r-1-bilhao/

Reforma do Maracanã custará R$ 956,8 milhões, o dobro do previsto - Estadão

A conclusão das obras está prevista para dezembro de 2012 - ou seja, no limite da Fifa
17 de maio de 2011

A reforma do Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, que sediará a decisão da Copa do Mundo de 2014, custará R$ 956,8 milhões, aproximadamente o dobro do valor que estava previsto anteriormente, informou o Governo do Rio de Janeiro, que apresentou nesta terça-feira o orçamento oficial ao Tribunal de Contas.

O documento foi entregue ao presidente do TCU, ministro Benjamin Zymler, pelo vice-governador fluminense Luiz Fernando Pezão, ao lado do relator, o ministroWalmir Campello.

Segundo o documento, o custo das obras duplica os cálculos iniciais anunciados no final de 2009, que eram de cerca R$ 500 milhões.

A conclusão das obras está prevista para dezembro de 2012, de acordo com os responsáveis pelo projeto, exatamente na data limite que a Fifa impôs para os estádios que serão utilizados na Copa das Confederações de 2013.

Cerca de 90% da parte interna do antigo estádio já foi demolida, enquanto fachada será mantida intacta, segundo um comunicado do Governo do estado.

Uma das razões que explicam o aumento do orçamento é a necessidade de demolir a cobertura, que se encontra muito desgastada, conforme constatação dos engenheiros, e será substituída por uma estrutura de lona tensionada, que dura cerca de 50 anos e tem uma aparência similar à atual.

O desenho definitivo prevê a redução da capacidade de 87 mil assentos para 80 mil, e não para 76.525, como previa o projeto inicial.

http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,reforma-do-maracana-custara-r-9568-milhoes-o-dobro-do-previsto,720532,0.htm

Projeto da cobertura do Maracanã é divulgado. Estádio pronto em 2012 - GloboEsporte

Projeto da cobertura do Maracanã é divulgado. Estádio pronto em 2012

‘Vamos entregar a mais moderna arena do mundo’, garante Luiz Fernando Pezão, vice-governador e secretário de Obras do Estado do RJ

Por GLOBOESPORTE.COM


Um novo Maracanã será entregue aos cariocas em dezembro de 2012. Com cobertura nova, o estádio, que servirá de palco para a final da Copa do Mundo de 2014, se tornará mais moderno, confortável e seguro. E, para isso, serão investidos R$ 956.787.720,00 nas obras, cujo o orçamento final foi apresentado nesta terça-feira, em Brasília, pelo vice-governador e secretário de Obras do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, pelo presidente da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop), Ícaro Moreno, e pela secretária de Esporte e Lazer, Márcia Lins, aos técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria Geral da União (CGU).

- Vamos entregar a mais moderna arena do mundo que está sendo preparada para receber a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, atendendo aos requisitos da FIFA e do Comitê Olímpico Internacional (COI). Nós somos a primeira cidade a apresentar o projeto executivo. A reforma do Maracanã, que recebe cerca de cem eventos por ano, custará menos de R$ 1 bilhão. Enquanto a construção e a reforma do Wembley, na Inglaterra, que promove 16 eventos anuais, foi orçada em R$ 3 bilhões - afirmou o vice-governador, que apresentou aos técnicos as plantas da reforma.

Novo Maracanã será entregue em 2012 (Foto: Divulgação)De acordo com a secretaria de obras, os trabalhos para reforma do Estádio Jornalista Mário Filho estão dentro do cronograma. Na semana passada, as fundações para as novas arquibancadas e as rampas de acesso externas começaram a ser construídas. Cerca de 90% da parte interna, incluindo arquibancadas, vestiários, banheiros, salas de rádio e camarotes, já foram demolidos. Os 800 profissionais responsáveis pelas melhorias do estádio estão trabalhando em dois turnos: das 7h às 17h e das 19h às 5h.

Maracanã terá capacidade para 80 mil pessoas

O valor orçado para a reforma ficou acima do esperado, por causa da necessidade de substituir a cobertura existente. A atual marquise foi condenada por laudos de órgãos nacionais e internacionais. Uma estrutura em lona tensionada, aprovada pelo Iphan por não descaracterizar a atual, vai proteger os torcedores da chuva e do calor. A estrutura tem durabilidade de 50 anos e garantia de 15 anos. Além de recursos estaduais, há um financiamento realizado junto ao Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES).

- A nova cobertura, que teve toda a sua estrutura aprovada, terá condições de luz mais uniformes, borda externa mais baixa e flexibilidade plena para instalação de equipamentos. Serão seis semanas para levantar a nova cobertura. Na demolição, podemos ver o quanto a marquise atual está degradada. Todas as premissas devem ser entregues até o dia 15 de junho. - explicou Ícaro Moreno.

Maracanã receberá certificação ambiental

Transformar o Maracanã em um estádio ecologicamente correto também está entre as prioridades do Governo do Estado do Rio de Janeiro. O projeto, preparado segundo o sistema Leardership In Energy and Environmental Design (LEED), prevê a utilização de dispositivos economizadores de água e a implantação de um sistema de captação de água de chuva, resultando em uma economia de 50% no que se refere à irrigação do gramado. Além disso, um moderno sistema de iluminação ajudará a reduzir o consumo de energia em 6%. Serão 23.500 luminárias econômicas de LER.

Mais conforto para os torcedores

A capacidade do novo Maracanã, antes prevista para 76.525 cadeiras, será aumentada para 80 mil lugares. Para oferecer mais conforto aos torcedores, serão construídos 110 camarotes, entre as arquibancadas superior e inferior, e quatro conjuntos de rampas; instalados mais onze elevadores, totalizando 16, e seis escadas rolantes, aumentando para 12; aumentado a distância entre as cadeiras de 48cm para 50cm; e colocados assentos rebatíveis nas novas cadeiras. O estádio contará com 3.860 alto-falantes, 314 câmeras de segurança, 360 monitores de TV, quatro telões e 36 mil metros quadrados de área refrigerada.

A nova cobertura do Maracanã usará a água da chuva para irrigar o gramado e alimentar os banheiros. Projeto visa economizar 50% do consumo de água no estádio (Divulgação)As obras também vão permitir ao torcedor assistir aos jogos em uma posição privilegiada e, como nos estádios americanos e europeus, ficar mais perto do campo. A parte inferior, onde ficavam as cadeiras azuis, será elevada em cerca de cinco metros. A parte superior vai avançar 12 metros em direção ao campo. O padrão de visibilidade determina que todos os espectadores possam enxergar sobre a cabeça do torcedor sentado duas fileiras à frente, em uma linha reta.

A setorização, que permite ao torcedor saber como chegar à área de arquibancada, facilitará a saída do estádio, que deverá ocorrer em apenas oito minutos. Já o gramado será mais resistente e adequado ao clima brasileiro. A construção de um túnel de acesso ao campo, além da readequação dos quatro existentes, também está entre as novidades. A área da imprensa recebeu um centro de mídia, com áreas de redação, estúdios e um auditório com 450 lugares, além de um espaço dedicado à transmissão que será acomodada no anel superior.

- A apresentação do projeto de reforma tem um conteúdo simbólico e prático. Serve de referência para outras obras que serão realizadas para a Copa do Mundo. O Rio de Janeiro demonstra total transparência no uso dos recursos públicos. Até hoje, o governo estadual ainda não precisou captar muitos recursos da União. Do orçamento total, que podia ultrapassar 50%, o Estado do Rio utilizou 35% - disse o presidente do TCU, ministro Benjamin Zymler, depois da apresentação do projeto executivo.

http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2011/05/projeto-da-nova-cobertura-do-maracana-e-divulgado-estadio-pronto-em-2012.html

Projeto da cobertura do Maracanã é divulgado. Estádio pronto em 2012 - GloboEsporte

Projeto da cobertura do Maracanã é divulgado. Estádio pronto em 2012

‘Vamos entregar a mais moderna arena do mundo’, garante Luiz Fernando Pezão, vice-governador e secretário de Obras do Estado do RJ

Por GLOBOESPORTE.COM


Um novo Maracanã será entregue aos cariocas em dezembro de 2012. Com cobertura nova, o estádio, que servirá de palco para a final da Copa do Mundo de 2014, se tornará mais moderno, confortável e seguro. E, para isso, serão investidos R$ 956.787.720,00 nas obras, cujo o orçamento final foi apresentado nesta terça-feira, em Brasília, pelo vice-governador e secretário de Obras do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, pelo presidente da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop), Ícaro Moreno, e pela secretária de Esporte e Lazer, Márcia Lins, aos técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria Geral da União (CGU).

- Vamos entregar a mais moderna arena do mundo que está sendo preparada para receber a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, atendendo aos requisitos da FIFA e do Comitê Olímpico Internacional (COI). Nós somos a primeira cidade a apresentar o projeto executivo. A reforma do Maracanã, que recebe cerca de cem eventos por ano, custará menos de R$ 1 bilhão. Enquanto a construção e a reforma do Wembley, na Inglaterra, que promove 16 eventos anuais, foi orçada em R$ 3 bilhões - afirmou o vice-governador, que apresentou aos técnicos as plantas da reforma.

Novo Maracanã será entregue em 2012 (Foto: Divulgação)De acordo com a secretaria de obras, os trabalhos para reforma do Estádio Jornalista Mário Filho estão dentro do cronograma. Na semana passada, as fundações para as novas arquibancadas e as rampas de acesso externas começaram a ser construídas. Cerca de 90% da parte interna, incluindo arquibancadas, vestiários, banheiros, salas de rádio e camarotes, já foram demolidos. Os 800 profissionais responsáveis pelas melhorias do estádio estão trabalhando em dois turnos: das 7h às 17h e das 19h às 5h.

Maracanã terá capacidade para 80 mil pessoas

O valor orçado para a reforma ficou acima do esperado, por causa da necessidade de substituir a cobertura existente. A atual marquise foi condenada por laudos de órgãos nacionais e internacionais. Uma estrutura em lona tensionada, aprovada pelo Iphan por não descaracterizar a atual, vai proteger os torcedores da chuva e do calor. A estrutura tem durabilidade de 50 anos e garantia de 15 anos. Além de recursos estaduais, há um financiamento realizado junto ao Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES).

- A nova cobertura, que teve toda a sua estrutura aprovada, terá condições de luz mais uniformes, borda externa mais baixa e flexibilidade plena para instalação de equipamentos. Serão seis semanas para levantar a nova cobertura. Na demolição, podemos ver o quanto a marquise atual está degradada. Todas as premissas devem ser entregues até o dia 15 de junho. - explicou Ícaro Moreno.

Maracanã receberá certificação ambiental

Transformar o Maracanã em um estádio ecologicamente correto também está entre as prioridades do Governo do Estado do Rio de Janeiro. O projeto, preparado segundo o sistema Leardership In Energy and Environmental Design (LEED), prevê a utilização de dispositivos economizadores de água e a implantação de um sistema de captação de água de chuva, resultando em uma economia de 50% no que se refere à irrigação do gramado. Além disso, um moderno sistema de iluminação ajudará a reduzir o consumo de energia em 6%. Serão 23.500 luminárias econômicas de LER.

Mais conforto para os torcedores

A capacidade do novo Maracanã, antes prevista para 76.525 cadeiras, será aumentada para 80 mil lugares. Para oferecer mais conforto aos torcedores, serão construídos 110 camarotes, entre as arquibancadas superior e inferior, e quatro conjuntos de rampas; instalados mais onze elevadores, totalizando 16, e seis escadas rolantes, aumentando para 12; aumentado a distância entre as cadeiras de 48cm para 50cm; e colocados assentos rebatíveis nas novas cadeiras. O estádio contará com 3.860 alto-falantes, 314 câmeras de segurança, 360 monitores de TV, quatro telões e 36 mil metros quadrados de área refrigerada.

A nova cobertura do Maracanã usará a água da chuva para irrigar o gramado e alimentar os banheiros. Projeto visa economizar 50% do consumo de água no estádio (Divulgação)As obras também vão permitir ao torcedor assistir aos jogos em uma posição privilegiada e, como nos estádios americanos e europeus, ficar mais perto do campo. A parte inferior, onde ficavam as cadeiras azuis, será elevada em cerca de cinco metros. A parte superior vai avançar 12 metros em direção ao campo. O padrão de visibilidade determina que todos os espectadores possam enxergar sobre a cabeça do torcedor sentado duas fileiras à frente, em uma linha reta.

A setorização, que permite ao torcedor saber como chegar à área de arquibancada, facilitará a saída do estádio, que deverá ocorrer em apenas oito minutos. Já o gramado será mais resistente e adequado ao clima brasileiro. A construção de um túnel de acesso ao campo, além da readequação dos quatro existentes, também está entre as novidades. A área da imprensa recebeu um centro de mídia, com áreas de redação, estúdios e um auditório com 450 lugares, além de um espaço dedicado à transmissão que será acomodada no anel superior.

- A apresentação do projeto de reforma tem um conteúdo simbólico e prático. Serve de referência para outras obras que serão realizadas para a Copa do Mundo. O Rio de Janeiro demonstra total transparência no uso dos recursos públicos. Até hoje, o governo estadual ainda não precisou captar muitos recursos da União. Do orçamento total, que podia ultrapassar 50%, o Estado do Rio utilizou 35% - disse o presidente do TCU, ministro Benjamin Zymler, depois da apresentação do projeto executivo.

http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2011/05/projeto-da-nova-cobertura-do-maracana-e-divulgado-estadio-pronto-em-2012.html

Os riscos da arrogância do império - Leonardo Boff

15/05/2011
"Estamos diante de um império. É um império singular, não baseado na ocupação territorial ou em colônias mas nas 800 bases militares distribuidas pelo mundo todo"

Conto-me entre os que se entusiasmaram com a eleição de Barack Obama para Presidente dos EUA, especialmente vindo depois de G. Bush Jr, presidente belicoso, fundamentalsta e de pouqíssimas luzes. Este acreditava da iminência do Armagedon bíblico e seguia à risca a ideologia do Destino Manifesto, um texto inventado pela vontade imperial norteamericana, para justificar a guerra contra o México, segundo o qual os EUA seriam o novo povo escolhido por Deus para levar ao mundo os direitos humanos, a liberdade e a democracia. Esta excepcionalidade se traduziu numa histórica arrogância que fazia os EUA se arrogarem o direito de levar ao mudo inteiro, pela política ou pelas armas, o seu estilo de vida e sua visão do mundo.

Esperava que o novo presidente não fosse mais refém desta nefasta e forjada eleição divina, pois anunciava em seu programa o multilateralismo e a não hegemonia. Mas tinha lá minhas desconfianças, pois atrás do Yes, we can (Sim, nós podemos”) podia se esconder a velha arrogância. Face à crise econômico-financeira, apregoava que os EUA mostrou em sua história que podia tudo e que ia superar a atual situação. Agora por ocasião do assassinato de Osama bin Laden ordenada por ele (num Estado de Direito que separa os poderes, tem o Executivo o poder de mandar matar ou não cabe isso ao Judiciário que manda prender, julgar e punir?), caiu a máscara. Não teve como escondera arrogância atávica.

O presidente, de extração humilde, afrodescentente, nascido fora do continente, primeiramente muçulmano e depois convertido evangélico, disse claramente: ”O que aconteceu domingo envia uma mensagem a todo o mundo: quando dizemos que nunca vamos esquecer, estamos falando sério”. Em outras palavras: “Terrorristas do mundo inteiro, nós vamos assassinar vocês”. Aqui está revelada, sem meias palavras, toda a arrogância e a atitude imperial de se sobrepor a toda ética.

Isso me faz lembrar uma frase de um teólogo que serviu por 12 anos como assessor da ex-Inquisição em Roma e que veio me prestar solidariedade por ocasião do processo doutrinário que lá sofri. Confessou-me: ”Aprenda da minha experiência: a ex-Inquisição, não esquece nada, não perdoa nada e cobra tudo; prepare-se”. Efetivamente, assim foi o que senti. Pior ocorreu com um teólogo moralista, queridíssimo em toda a cristandade, o alemão, Bernhard Hâring, com câncer na garganta a ponto de quase não poder falar. Mesmo assim, foi submetido a rigoroso interrogatório na sala escura daquela instância de terror psicológico por causa de algumas afirmações sobre sexualidade. Ao sair, confessou:“O interrogatório foi pior do que aquele que sofri com a SS nazista durante a guerra”. O que significa: pouco importa a etiqueta, católico ou nazista, todo sistema autoritário e totalitário obedece à mesma lógica: cobra tudo, não esquece e não perdoa. Assim prometeu Barack Osama e se propõe levar avante o Estado terrorista, criado pelo seu antecessor, mantendo o Ato Patriótico que autoriza a suspensão de certos direitos e a prisão preventiva de suspeitos sem sequer avisar aos familiares, o que configura sequestro. Não sem razão escreveu Johan Galtung, norueguês, o homem da cultura da paz, criador de duas instituições de pesquisa da paz e inventor do método Transcend na mediação dos conflitos (uma espécie de política do ganha-ganha): tais atos aproximam os EUA do Estado fascista.

O fato é que estamos diante de um império. Ele é consequência logica e necessária do presumido excepcionalismo. É um império singular, não baseado na ocupação territorial ou em colônias mas nas 800 bases militares distribuidas pelo mundo todo, a maioria desnecessária para a segurança americana. Elas estão lá para meter medo e garantir a hegemonia no mundo. Nada disso foi desmontado pelo novo imperador, nem fechou Guantânamo como prometeu, e ainda mais: enviou trinta mil soldados ao Afeganistão para uma guerra de antemão perdida.

Podemos discordar da tese básica de Abraham P. Huntington em seu discutido livro O choque de civilizações. Mas nele há observações, dignas de nota, como esta: “A crença na superioridade da cultura ocidental é falsa, imoral e perigosa”(p.395). Mais ainda: ”A intervenção ocidental provavelmente constitui a mais perigosa fonte de instabilidade e de um possível conflito global num mundo multicivilizacional”(p.397). Pois as condições para semelhante tragédia estão sendo criadas pelos EUA e pelos seus súcubos europeus.

Uma coisa é o povo norte-americano, bom, engenhoso, trabalhador e até ingênuo que admiramos, outra é o governo imperial, que não respeita tratados internacionais que vão contra seus interesses e capaz de todo tipo de violência. Mas não há impérios eternos. Chegará o momento em que ele será um número a mais no cemitério dos impérios mortos.


http://congressoemfoco.uol.com.br/noticia.asp?cod_canal=14&cod_publicacao=37066

Um equívoco - Vladimir Safatle

19/05/2011

O Ministério da Educação está prestes a cometer um grave equívoco. Na semana passada, o Conselho Nacional de Educação aprovou diretrizes “flexibilizando” o ensino médio. Tais diretrizes dão às escolas públicas e privadas autonomia para compor a grade curricular de seus alunos a partir de quatro obscuros eixos temáticos: trabalho, tecnologia, ciência e cultura.

Tal possibilidade de composição visa, entre outras coisas, favorecer o agrupamento de disciplinas, que se organizarão a partir de projetos comuns capazes de levar em conta os interesses específicos das comunidades nas quais as escolas estão inseridas.

As novas diretrizes ainda sugerem que a lei que aumenta em 20% o número de horas-aula leve em conta atividades fora da sala de aula.

O argumento para a primeira modificação é a adequação às particularidades. Uma escola em área industrial poderia, assim, dar mais ênfase a disciplinas como física e química. Certamente, para fornecer mão de obra mais adequada para as industrias locais.

Uma outra, estabelecida em área turística, talvez pudesse ensinar uma versão “Club Med” de geografia.
Vejam que interessante. Em um momento no qual se insiste na necessidade de formações capazes de abrir nossos alunos para realidades globais, resolve-se formá-los para trabalhar melhor na fábrica de tecidos da esquina. Como se eles passassem o resto de suas vidas no mesmo lugar.
Há de se perguntar se não necessitaríamos, na verdade, da definição de um currículo básico unificado a ser ministrado em todas as escolas e cuja aplicação adequada seria objeto de avaliação feita por uma inspetoria nacional.

Não creio haver alguém que discorde da importância de ensinar, de maneira aprofundada, as causas da Segunda Guerra, equações de segundo grau, o sistema literário brasileiro e as leis de Newton, em São Paulo ou em Roraima.
Podemos não estar de acordo sobre todos os conteúdos, mas se o Ministério da Educação ouvisse diretamente os professores, certamente ele seria capaz de criar um currículo básico que não colocaria nossos alunos à mercê dos caprichos do dia.

Tais caprichos ficam claros em ideias como “agrupamento de disciplinas”. Trata-se de organizar os conteúdos através dos interesses mais imediatos, normalmente aqueles ligados a notícias que aparecem na imprensa.
Assim, se a notícia do mês é o terrorismo islâmico, então agrupa-se disciplinas de história, geografia etc. para “criar projetos” capazes de dar conta da curiosidade geral.
Se nada aparecer sobre “ditadura militar”, então seus conteúdos serão secundarizados. O mínimo que se pode dizer é: triste o país que forma seus adolescentes ao sabor dos ventos.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Mensagem eletrônica de escola exemplar!

Esta é a mensagem que os professores de uma escola decidiram gravar na secretária eletrônica. A escola cobra responsabilidade dos alunos e dos pais perante as faltas e trabalhos de casa e, por isso, ela e os professores estão sendo processados por pais que querem que seus filhos sejam aprovados mesmo com muitas faltas e sem fazer os trabalhos escolares.

Eis a mensagem gravada:

- Olá! Para que possamos ajudá-lo, por favor, ouça todas as opções:
- Para mentir sobre o motivo das faltas do seu filho - tecle 1.
- Para dar uma desculpa por seu filho não ter feito o trabalho de casa - tecle 2.
- Para se queixar sobre o que nós fazemos - tecle 3.
- Para insultar os professores - tecle 4.
- Para saber por que não foi informado sobre o que consta no boletim do seu filho ou em diversos documentos que lhe enviamos - tecle 5.
- Se quiser que criemos o seu filho - tecle 6.
- Se quiser agarrar, esbofetear ou agredir alguém - tecle 7.
- Para pedir um professor novo pela terceira vez este ano - tecle 8.
- Para se queixar do transporte escolar - tecle 9.
- Para se queixar da alimentação fornecida pela escola - tecle 0.
- Mas se você já compreendeu que este é um mundo real e que seu filho deve ser responsabilizado pelo próprio comportamento, pelo seu trabalho na aula, pelas tarefas de casa, e que a culpa da falta de esforço do seu filho não é culpa do professor, desligue e tenha um bom dia!"

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O Brasil dos brancos é rico; dos negros, muito pobre...

Prof Paixão: quando o Brasil terá os índices do Brasil só dos brancos ?

O programa Entrevista Record Atualidade que a Record News exibiu ontem mostrou uma entrevista com o professor Marcelo Paixão, do Instituto de Economia da UFRJ. Ele mostrou alguns dados que deveriam dar muito orgulho aos brasileiros (da elite):
Os negros brasileiros vivem seis anos menos que os brancos.
O número de analfabetos negros é o dobro do número de brancos.
A renda dos negros é a metade da renda dos brancos.
Os negros ficam dois anos a menos na escola que os brancos.
Se desmontarmos os números do IDH, índice do desenvolvimento humano, da ONU, veremos que se o Brasil fosse só dos brancos (O SONHO DA ELITE BRASILEIRA …) ficaria na 40a. posição do IDH.
O Brasil está na 70a.
Mas, se fosse só de negros, seria um país pobre africano e ficaria na 104a. posição.
Não, nada disso, nós não somos racistas.

Tanto assim, demonstra o professor Paixão, que entre 2003 e 2009 foram libertados 40 mil brasileiros.
Isso mesmo, amigo navegante, “libertados”, ou seja, abandonaram a posição de escravos, porque viviam em fazendas sob o regime servil: não recebiam remuneração para poder pagar dívidas impagáveis. Desses 40 mil escravos, 73,5% eram negros.

Ora direis, mas o Brasil é um país negro.
Sim, 50,5% da população é negra.
Mas, dos escravos, 73,5% são negros.
Não, amigo navegante, o professor Paixão exagera.
Não, não somos um país racista.

A última coisa de que o Brasil precisa é de ações afirmativas, como, por exemplo, cotas para negros nas universidades. Isso é recurso de país pobre, subdesenvolvido, como os Estados Unidos. E viva a democracia racial do Brasil !
Viva !

http://aldeiagriot.blogspot.com/2010/05/o-brasil-dos-brancos-e-rico-dos-negros.html

Desigualdade: o Brasil é rico, mas não é justo - Frei Betto

Relatório da ONU (Pnud), divulgado em julho, aponta o Brasil como o terceiro pior índice de desigualdade no mundo. Quanto à distância entre pobres e ricos, nosso país empata com o Equador e só fica atrás de Bolívia, Haiti, Madagascar, Camarões, Tailândia e África do Sul.

Aqui temos uma das piores distribuições de renda do planeta. Entre os 15 países com maior diferença entre ricos e pobres, 10 se encontram na América Latina e Caribe. Mulheres (que recebem salários menores que os homens), negros e indígenas são os mais afetados pela desigualdade social. No Brasil, apenas 5,1% dos brancos sobrevivem com o equivalente a 30 dólares por mês (cerca de R$ 54). O percentual sobe para 10,6% em relação a índios e negros.

Na América Latina, há menos desigualdade na Costa Rica, Argentina, Venezuela e Uruguai. A ONU aponta como principais causas da disparidade social a falta de acesso à educação, a política fiscal injusta, os baixos salários e a dificuldade de dispor de serviços básicos, como saúde, saneamento e transporte.

É verdade que nos últimos dez anos o governo brasileiro investiu na redução da miséria. Nem por isso se conseguiu evitar que a desigualdade se propague entre as futuras gerações. Segundo a ONU, 58% da população brasileira mantém o mesmo perfil social de pobreza entre duas gerações. No Canadá e países escandinavos, este índice é de 19%.

O que permite a redução da desigualdade é, em especial, o acesso à educação de qualidade. No Brasil, em cada grupo de 100 habitantes, apenas 9 possuem diploma universitário. Basta dizer que, a cada ano, 130 mil jovens, em todo o Brasil, ingressam nos cursos de engenharia. Sobram 50 mil vagas... E apenas 30 mil chegam a se formar. Os demais desistem por falta de capacidade para prosseguir os estudos, de recursos para pagar a mensalidade ou necessidade de abandonar o curso para garantir um lugar no mercado de trabalho.

Nas eleições deste ano votarão 135 milhões de brasileiros. Dos quais, 53% não terminaram o ensino fundamental. Que futuro terá este país se a sangria da desescolaridade não for estancada?

Há, sim, melhoras em nosso país. Entre 2001 e 2008, a renda dos 10% mais pobres cresceu seis vezes mais rapidamente que a dos 10% mais ricos. A dos ricos cresceu 11,2%; a dos pobres, 72%. No entanto, há 25 anos, de acordo com dados do IPEA, este índice não muda: metade da renda total do Brasil está em mãos dos 10% mais ricos do país. E os 50% mais pobres dividem entre si apenas 10% da riqueza nacional.

Para operar uma drástica redução na desigualdade imperante em nosso país é urgente promover a reforma agrária e multiplicar os mecanismos de transferência de renda, como a Previdência Social. Hoje, 81,2 milhões de brasileiros são beneficiados pelo sistema previdenciário, que promove de fato distribuição de renda.

Mais da metade da população do Brasil detém menos de 3% das propriedades rurais. E apenas 46 mil proprietários são donos de metade das terras. Nossa estrutura fundiária é a mesma desde o Brasil império! E quem dá emprego no campo não é o latifúndio nem o agronegócio, é a agricultura familiar, que ocupa apenas 24% das terras, mas emprega 75% dos trabalhadores rurais.

Hoje, os programas de transferência de renda do governo (incluindo assistência social, Bolsa Família e aposentadorias) representam 20% do total da renda das famílias brasileiras. Em 2008, 18,7 milhões de pessoas viviam com menos de metade do salário mínimo. Se não fossem as políticas de transferência, seriam 40,5 milhões. Isso significa que, nesses últimos anos, o governo Lula tirou da miséria 21,8 milhões de pessoas. Em 1978, apenas 8,3% das famílias brasileiras recebiam transferência de renda. Em 2008 eram 58,3%.

É uma falácia dizer que, ao promover transferência de renda, o governo está "sustentando vagabundos". O governo sustenta vagabundos quando não pune os corruptos, o nepotismo, as licitações fajutas, a malversação de dinheiro público. Transferir renda aos mais pobres é dever, em especial num país em que o governo irriga o mercado financeiro engordando a fortuna dos especuladores que nada produzem. A questão reside em ensinar a pescar, em vez de dar o peixe. Entenda-se: encontrar a porta de saída do Bolsa Família.

Todas as pesquisas comprovam que os mais pobres, ao obterem um pouco mais de renda, investem em qualidade de vida, como saúde, educação e moradia.

O Brasil é rico, mas não é justo.
Relatório da ONU (Pnud), divulgado

12 de agosto de 2010

Desigualdade: o Brasil é rico, mas não é justo - Frei Betto

Em julho, aponta o Brasil como o terceiro pior índice de desigualdade no mundo. Quanto à distância entre pobres e ricos, nosso país empata com o Equador e só fica atrás de Bolívia, Haiti, Madagascar, Camarões, Tailândia e África do Sul.

Aqui temos uma das piores distribuições de renda do planeta. Entre os 15 países com maior diferença entre ricos e pobres, 10 se encontram na América Latina e Caribe. Mulheres (que recebem salários menores que os homens), negros e indígenas são os mais afetados pela desigualdade social. No Brasil, apenas 5,1% dos brancos sobrevivem com o equivalente a 30 dólares por mês (cerca de R$ 54). O percentual sobe para 10,6% em relação a índios e negros.

Na América Latina, há menos desigualdade na Costa Rica, Argentina, Venezuela e Uruguai. A ONU aponta como principais causas da disparidade social a falta de acesso à educação, a política fiscal injusta, os baixos salários e a dificuldade de dispor de serviços básicos, como saúde, saneamento e transporte.

É verdade que nos últimos dez anos o governo brasileiro investiu na redução da miséria. Nem por isso se conseguiu evitar que a desigualdade se propague entre as futuras gerações. Segundo a ONU, 58% da população brasileira mantém o mesmo perfil social de pobreza entre duas gerações. No Canadá e países escandinavos, este índice é de 19%.

O que permite a redução da desigualdade é, em especial, o acesso à educação de qualidade. No Brasil, em cada grupo de 100 habitantes, apenas 9 possuem diploma universitário. Basta dizer que, a cada ano, 130 mil jovens, em todo o Brasil, ingressam nos cursos de engenharia. Sobram 50 mil vagas... E apenas 30 mil chegam a se formar. Os demais desistem por falta de capacidade para prosseguir os estudos, de recursos para pagar a mensalidade ou necessidade de abandonar o curso para garantir um lugar no mercado de trabalho.

Nas eleições deste ano votarão 135 milhões de brasileiros. Dos quais, 53% não terminaram o ensino fundamental. Que futuro terá este país se a sangria da desescolaridade não for estancada?

Há, sim, melhoras em nosso país. Entre 2001 e 2008, a renda dos 10% mais pobres cresceu seis vezes mais rapidamente que a dos 10% mais ricos. A dos ricos cresceu 11,2%; a dos pobres, 72%. No entanto, há 25 anos, de acordo com dados do IPEA, este índice não muda: metade da renda total do Brasil está em mãos dos 10% mais ricos do país. E os 50% mais pobres dividem entre si apenas 10% da riqueza nacional.

Para operar uma drástica redução na desigualdade imperante em nosso país é urgente promover a reforma agrária e multiplicar os mecanismos de transferência de renda, como a Previdência Social. Hoje, 81,2 milhões de brasileiros são beneficiados pelo sistema previdenciário, que promove de fato distribuição de renda.

Mais da metade da população do Brasil detém menos de 3% das propriedades rurais. E apenas 46 mil proprietários são donos de metade das terras. Nossa estrutura fundiária é a mesma desde o Brasil império! E quem dá emprego no campo não é o latifúndio nem o agronegócio, é a agricultura familiar, que ocupa apenas 24% das terras, mas emprega 75% dos trabalhadores rurais.

Hoje, os programas de transferência de renda do governo (incluindo assistência social, Bolsa Família e aposentadorias) representam 20% do total da renda das famílias brasileiras. Em 2008, 18,7 milhões de pessoas viviam com menos de metade do salário mínimo. Se não fossem as políticas de transferência, seriam 40,5 milhões. Isso significa que, nesses últimos anos, o governo Lula tirou da miséria 21,8 milhões de pessoas. Em 1978, apenas 8,3% das famílias brasileiras recebiam transferência de renda. Em 2008 eram 58,3%.

É uma falácia dizer que, ao promover transferência de renda, o governo está "sustentando vagabundos". O governo sustenta vagabundos quando não pune os corruptos, o nepotismo, as licitações fajutas, a malversação de dinheiro público. Transferir renda aos mais pobres é dever, em especial num país em que o governo irriga o mercado financeiro engordando a fortuna dos especuladores que nada produzem. A questão reside em ensinar a pescar, em vez de dar o peixe. Entenda-se: encontrar a porta de saída do Bolsa Família.

Todas as pesquisas comprovam que os mais pobres, ao obterem um pouco mais de renda, investem em qualidade de vida, como saúde, educação e moradia.

O Brasil é rico, mas não é justo.
Relatório da ONU (Pnud), divulgado

12 de agosto de 2010

Síntese de Indicadores Sociais 2010 do IBGE

Informação faz parte da Síntese de Indicadores Sociais 2010 do IBGE.
Aumentou frequência no nível superior entre estudantes de 18 a 24 anos

Um em cada dois jovens de 15 a 17 anos estava fora do nível de ensino adequado em 2009, mostra a Síntese de Indicadores Sociais 2010, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (17).

Segundo a pesquisa, 50,9% dos adolescentes nessa faixa etária estavam no ensino médio em 2009. Em 1999, eram 32,7% e em 2004 eram 44,2%. Entre as regiões do país, o estudo mostra que no Nordeste apenas 39,2% dos jovens dessa faixa etária estavam no nível médio em 2009. No Sudeste, eram 60,5%, no Sul, 57,4%, no Centro-Oeste, 54,7% e no Norte, 39,1%.

Na comparação entre rendimento familiar per capita, entre os 20% mais pobres do país, somente 32% dos adolescentes de 15 a 17 anos estavam no ensino médio contra 78% entre os 20% mais ricos do país em 2009.

A baixa escolarização adequada dos adolescentes decorre de atrasos no ensino fundamental, de acordo com o estudo. "É fato constatado que a maioria das crianças brasileiras ingressa neste ciclo (ensino fundamental) sem antes ter cursado o pré-escolar, o que acarreta, no início do processo, um atraso em média de dois anos", afirma o texto da síntese.

O problema pode ser percebido com o reduzido progresso no número médio de anos de estudo concluídos das crianças de 10 a 14 anos de idade, entre 1999 e 2009. Os anos de estudo das crianças de 10 anos passou de 2,2 para 2,3 no período. Aos 14 anos, a mudança foi de 5 para 5,8 anos.

A partir dos 15 anos de idade, o brasileiro tinha, em média, 7,5 anos de estudo, o que significa que não conseguiu concluir o ciclo fundamental obrigatório, de acordo com a pesquisa. "As evidências estatísticas revelam uma média muito baixa de anos de estudo concluídos, especialmente se comparada a outros países dos mesmos níveis de desenvolvimento econômico e social", diz a síntese do IBGE.

* A situação é pior entre os pardos e pretos. Daqueles que têm 15 anos ou mais, cada um dos grupos tinha, em média, 6,7 anos de estudo em 2009 contra 8,4 anos de estudo da população branca.*

O estudo cita ainda a qualidade do conhecimento adquirido pelos estudantes dos ensino fundamental e médio. De acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O índice estipula metas em torno de 6, em uma escala de 0 a 10, para 2021. Em 2009, o país teve 4,6 nas séries iniciais do ensino fundamental, 4 nas séries finais do mesmo nível e 3,6 no ensino médio.

A proporção de crianças de 0 a 5 anos escolarizadas melhorou. Foi de 23,3% em 1999 para 38,1% em 2009. Na faixa etária de 6 a 14 anos, a taxa foi se 94,2% em 1999 para 97,6% em 2009. Dos 15 a 17 anos, o índice foi de 78,5% para 85,2% no período.

*Ensino superior*

Na faixa etária de 18 a 24 anos, a maioria dos estudantes, 52%, ainda freqüentava nível de ensino abaixo do recomendado para a faixa etária. No entanto, a pesquisa do IBGE mostra que houve melhora na situação. Em 2009, 48% dos estudantes de 18 a 24 anos estavam no ensino superior contra 22,1% em 1999.

No ensino médio, a parcela dos estudantes de 18 a 24 anos diminuiu de 41% para 33,8%, no ensino fundamental passou de 24,8% para 8,3% e em outros, como cursinhos e educação de jovens e adultos, passou de 12,1% para 8,8%.

*O estudo mostra que 62,6% dos estudantes brancos de 18 a 24 anos cursavam o nível superior em 2009 contra 28,2% de pretos e 31,8% de pardos. A situação melhorou em relação a 1999, quando 33,4% dos brancos nessa faixa etária fazia o ensino superior contra 7,5% dos pretos e 8% dos pardos.*

*Abandono*

O Brasil mostra situação desfavorável na comparação com outros países da América Latina com relação às taxas de aprovação, reprovação e abandono, segundo a síntese do IBGE. Enquanto Chile, Paraguai e Venezuela têm taxas de aprovação superiores a 90% no ensino fundamental e médio, o Brasil tem taxas de 85,8% e 77% respectivamente. A Argentina tem 92,3% e 74,3% e o Uruguai tem 92% e 72,7% respectivamente.

As taxas de abandono do Brasil são 3,2% no ensino fundamental e 10% no ensino médio. No Chile, Paraguai e Venezuela, esses índices ficam abaixo de 3%. A Argentina tem 1,3% e 7% e o Uruguai tem 0,3% e 6,8% respectivamente.

Com relação à reprovação, o Brasil tem taxa de 11% no ensino fundamental e 13,1% no ensino médio. No Chile, Paraguai e Venezuela, os índices ficam abaixo de 8%. Na Argentina, são 6,4% e 18,8% e no Uruguai são 7,7% e 20,4% respectivamente.

*Educação e trabalho*

O país tinha apenas 15,2% das pessoas de 18 a 24 anos de idade economicamente ativas com mais de 11 anos estudo em 2009, mostra o IBGE. Em 1999, eram 7,9%. Com exatos 11 anos de estudo, eram 40,7% em 2009 e 21,7% em 1999.

Na faixa etária de 25 a 34 anos, a taxa era de 21,1% em 2009 contra 12,8% em 1999. Com exatos 11 anos de estudo, eram 34,9% em 2009 e 20,5% em 1999.

Segundo o estudo, o conceito de educação continuada se aplica às pessoas de 25 a 64 anos de idade e mostra o acesso à escola desse grupo na busca da melhora do nível educacional.

Em 2009, 5,7% desse grupo estava na escola. Entre as mulheres, a proporção é de 6,6%.

Na comparação com outros países, o Brasil também fica para atrás no grupo das pessoas de 25 anos ou mais. Esse grupo tem, em média, 7,1 anos de estudo. Dados da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que a maioria dos países-membros tem uma média superior a dez anos de estudo completos para a faixa etária de 25 a 64 anos. Como o Brasil, Portugal, México e Turquia são exceções.

* Segundo o IBGE, o país tinha 9,7% das pessoas de 15 anos ou mais analfabetas contra 13,3% em 1999. Entre os analfabetos, 32,9% têm 60 anos ou mais, 10,2% são pretos, 58,8% são pardos, 52,2% moram no Nordeste e 16,4% vivem com meio salário mínimo de renda familiar per capita.*

(G1, 17/9)

*Extraído: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=73524*

* *

Notícias

Sexta-Feira, 17 de setembro de 2010

JC e-mail 4098, de 17 de Setembro de 2010.

*Número de brancos no ensino superior ainda é o dobro do de pretos*

*Mais negros (pretos e pardos) têm entrado nas universidades, na última década, mas o número de brancos no ensino superior (62,6%) é o dobro dos percentuais de pretos (28,2%) e de pardos (31,8%), segundo IBGE*

Em 1999, entre os estudantes de 18 a 24 anos de idade que cursavam universidade, 33,4% eram brancos, 7,5% pretos e 8% pardos. Os dados fazem parte da pesquisa Síntese de Indicadores Sociais 2009 divulgada nesta sexta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

*Em relação à população com ensino superior concluído, o número de brancos é três vezes maior (15%), apesar de o número de pretos e pardos graduados ter crescido entre 1999 e 2009, passando de 2,3% (tanto para pretos quanto para pardos) para 4,7% e 5,3%, respectivamente. *

* No geral, os brancos têm mais acesso à educação em todos os níveis. As desigualdades se apresentam desde o analfabetismo, cuja a taxa nacional era de 13,3% em 1999 e passou para 9,7% em 2009. Apesar dos avanços registrados na última década, os pretos e pardos ainda apresentam o dobro da incidência de analfabetismo verificado na população branca: 13,3% dos pretos e 13,4% dos pardos são analfabetos, contra 5,9% dos brancos.*

Por fim, os brancos, em média, estudam 8,4 anos, enquanto os negros, 6,7 anos. Embora o indicador tenha melhorado entre pretos e pardos, em 2009, ainda está abaixo da escolaridade dos brancos em 1999, que era de 7 anos.

Na última década, a pesquisa também registrou que a diferença de rendimentos entre os negros e os brancos é de pelo menos 20%. No segmento mais rico da população, a síntese chama atenção para o fato de a proporção de pretos e pardos ser de 1,8% e de 14,2%, respectivamente.

"Trata-se de uma cifra ainda bastante distante da representatividade da população. Pretos e pardos são 6,9% e 44,2% das pessoas no Brasil em 2009, o que corresponde a uma maioria de 51,1% da população", avalia a pesquisa.

*O documento também alerta que a vulnerabilidade das pessoas negras diante dos indicadores requer "atenção para as políticas públicas", pois, famílias de cor preta e parda são maioria entre aquelas com filhos de até 14 anos.*

(Agência Brasil, 17/9)
Sexta-Feira, 17 de setembro de 2010
JC e-mail 4098, de 17 de Setembro de 2010.
*Extraído: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=73525*

Eu nunca tive um amigo negro - Cláudio César Dutra de Souza

Debate sobre raças

Publicada em 24/08/2010 - Artigo do leitor Cláudio César Dutra de Souza
Retirado de: http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2010/08/24/eu-nunca-tive-um-amigo- negro-917467096.asp


*Não costumo postar opiniões de leitores de jornais, mas essa é uma declaração assustadoramente (para os racistas anti-cotas) sincera.*

Nunca se discutiu tanto a questão racial no Brasil como na época da aprovação da lei das cotas para negros em nossas universidades públicas. Também foi esclarecedora a percepção de nossas limitações nesse assunto. Subitamente, fomos brindados com as mais sofisticadas teorias sobre a inexistência do conceito de "raça", que seriam muito bem vindas caso não estivesse totalmente deturpadas pelo nosso "racismo cordial". Branqueamos os nossos negros, paradoxalmente, para mantê-los afastados de nós e de qualquer compensação reparatória, mesmo que mínima.

Ao pensar em um suposto "conflito racial", algumas pessoas foram a público denunciar a inconstitucionalidade, a aberração e a inutilidade de uma política de cotas para negros, visto que não existe racismo no Brasil. Daiane dos Santos, Neguinho da Beija-Flor e Santos outros foram "branqueados" e alçados a sua genética condição européia que lhes excluiria de uma vaga especial pelo sistema de cotas. Ao lermos o livro de ficção científica de Monteiro Lobato, "O presidente negro", somos capazes de entender o que pode significar tais asserções e os aspectos políticos nelas envolvidos. Branqueamos os nossos negros, paradoxalmente, para mantê-los afastados de nós e de qualquer compensação reparatória, mesmo que mínima.

O fato é que somos racistas até a medula nesse país. Isso não significa que, em nossa história, queimamos negros vivos como muitas vezes aconteceu nos Estados Unidos na época da Klu-Klux-Klan ou que nossos negros fossem impedidos de sentar ao lado de brancos nos ônibus. Isso é tecnicamente incompatível com o nosso caráter cordial-lusitano, até mesmo porque é desnecessário quando os negros "sabem o seu lugar". E onde é esse lugar a qual designamos historicamente os nossos negros?

Basta pensar em qualquer garoto (a) de classe média branco (a) no Brasil em relação ao seu círculo próximo de amigos para se ter uma resposta muito rápida e precisa. Quase ninguém tem ou teve qualquer amigo negro. Quando falo em amigo não estou me referindo a conhecidos, mas sim, aqueles a quem dividimos nossos sucessos, alegrias, fracassos ou angústias. Aqueles que são convidados para dormir ou almoçar em nossas casas, bem como aqueles que podem se tornar objeto de nosso interesse amoroso. Eu jamais tive um amigo negro e tampouco alguma negra pela qual pudesse me apaixonar, pelo simples motivo que não convivi com eles na minha infância e adolescência como
estudante em uma escola privada de Porto Alegre. Eles simplesmente não existiam.

Quando veio ao Brasil em agosto de 1960, o filósofo Jean Paul Sartre percebeu com perplexidade a ausência de negros em suas concorridas palestras. "Onde estão os negros?", perguntou ele a certa altura para o constrangimento dos universitários ali presentes. Alguém responderia a Sartre que não havia negros no recinto tão somente por causa da falta de mérito dos mesmos em conquistar um lugar no espaço universitário? Nesse período, o dramaturgo Nelson Rodrigues também se perguntava: "Onde estão os
negros do Itamaraty? Procurei em vão um negro de casaca ou uma negra de vestido de baile. O Itamaraty é uma paisagem sem negros."

Alguém responderia a Sartre que não havia negros no recinto tão somente por causa da falta de mérito dos mesmos em conquistar um lugar no espaço universitário?

Nelson publicou em uma de suas "confissões" no jornal Última Hora em 26 de agosto de 1957 a seguinte observação acerca do teatrólogo e futuro senador da República Abdias do Nascimento: "O que eu admiro em Abdias do Nascimento é a sua irredutível consciência racial. Por outras palavras: trata-se um negro que se apresenta como tal, que não se envergonha de sê-lo e que esfrega a cor na cara de todo o mundo. (...) Eu já imagino o que vão dizer três ou quatro críticos da nova geração: que o problema não existe no Brasil. Mas existe. E só a obtusidade pétrea ou a má fé cínica poderão negá-lo. Não caçamos pretos, no meio da rua, a pauladas, como nos Estados Unidos. Mas fazemos o que talvez seja pior. A vida do preto brasileiro é toda tecida de humilhações. Nós o tratamos com uma cordialidade que é o disfarce pusilânime de um desprezo que fermenta em nós, dia e noite. Acho o branco brasileiro um dos mais racistas do mundo".

A exata localização de nossos negros me intriga. Essa inquietação já me levou a dirigir o meu olhar na esperança de encontrá-los, por exemplo, nas universidades em Porto Alegre. Munido desse olhar específico, passei dias no campus do Valle da Universidade Federal do Rio Grande do Sul em busca de negros nas áreas comuns do campus e não os encontrei, salvo como funcionários da cantina. Em entidades particulares a experiência se repetiu exatamente da mesma forma. Tudo era uma branca e vasta paisagem, com poucas gradações de cor.

Intrigado com tudo isso, estendi a minha observação aos lugares na noite a quais frequento bares, restaurantes, cinemas e casas noturnas em geral. Eles não estavam lá. Não existem negros ou grupos de negros se divertindo junto com brancos ou estudando junto com brancos, salvo raras e honrosas exceções. Essa situação se repete nas principais cidades do Brasil, não sendo apenas um fenômeno típico de Porto Alegre.

Os negros estão nas periferias, nas favelas, nas escolas públicas mais suburbanas, nos presídios e em subempregos pelo país afora. É hipocrisia nossa imaginarmo-nos, por um instante que for, que vivemos em uma sociedade multicultural, inter-racial, ou qualquer coisa desse tipo. É urgente que nossos negros comecem a desenvolver certa consciência racial e a problematizar o lugar que ocupam dentro de uma sociedade racista como a nossa. Que exijam serem reconhecidos para além dos estereótipos e que ocupem os lugares reservados à elite branca. Que exijam a compensação por séculos de escravidão e exclusão a que foram obrigados pelo escravocrata branco. Se bem que, se a reação causada por um reles ensaio de ação afirmativa se deu em um nível histriônico, poderíamos esperar coisas piores de nossos alvos cidadãos em face de ações mais contundentes.

Fonte: http://aldeiagriot.blogspot.com/2010/ 08/eu-nunca-tive-um-amigo-negro.html

Sermão da Montanha - versão p/ professores

Igualzinho as escolas públicas estaduais e a Pedagogia do Sergio Cabral...


Jesus aguentaria ser um professor nos dias de hoje?

Naquele tempo, Jesus subiu a um monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discí­pulos e seguidores se aproximassem.
Ele os preparava para serem os educadores capazes de transmitir a lição da Boa Nova a todos os homens.
Tomando a palavra, disse-lhes:
- Em verdade, em verdade vos digo:
Felizes os pobres de espi­rito, porque deles são o reino dos céus.
Felizes os que tem fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Felizes os misericordiosos, porque eles...
Pedro o interrompeu:
- Mestre, vamos ter que saber isso de cor?
André perguntou:
- É pra copiar?
Filipe lamentou-se:
- Esqueci meu papiro!
Bartolomeu quis saber:
- Vai cair na prova?
João levantou a mão:
- Posso ir ao banheiro?
Judas Iscariotes resmungou:
- O que é que a gente vai ganhar com isso?
Judas Tadeu defendeu-se:
- Foi o outro Judas que perguntou!
Tomé questionou:
- Tem uma formula pra provar que isso ta certo?
Tiago Maior indagou:
- Vai valer nota?
Tiago Menor reclamou:
- Não ouvi nada, com esse grandão na minha frente.
Simão Zelote gritou, nervoso:
- Mas porque é que não dá logo a resposta e pronto!?
Mateus queixou-se:
- Eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!

Um dos fariseus, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada a ninguém, tomou a palavra e dirigiu-se a Jesus, dizendo:
- Isso que o senhor está fazendo é uma aula? Onde está o seu plano de curso e a avaliação diagnóstica? Quais são os objetivos gerais e especí­ficos? Quais são as suas estratégias para o levantamento dos conhecimentos prévios?

Caifas emendou:
- Fez uma programação que inclua os temas transversais e atividades integradoras com outras disciplinas? E os espaços para incluir os parâmetros curriculares gerais? Elaborou os conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais?
Pilatos, sentado lá no fundão, disse a Jesus:
- Quero ver as avaliações da primeira, segunda e terceira etapas e reservo-me o direito de, ao final, aumentar as notas dos seus discí­pulos para que se cumpram as promessas do Imperador de um ensino de qualidade. Nem pensar em números e estata­sticas que coloquem em dúvida a eficácia do nosso projeto. E vê lá se não vai reprovar alguém! Lembre-se que você ainda não é professor titular..