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terça-feira, 17 de maio de 2011

Racismo nas entrelinhas das entrevistas

domingo, 5 de setembro de 2010

De identidade à desigualdade

(textos sobre a discussão do bimestre)
IDENTIDADE: “conjunto de caracteres próprios e exclusivos de uma pessoa (nome, idade, sexo, estado civil, filiação, etc.”. Ela é relacional, carregada de símbolos e está vinculada a condições sociais e materiais. Essa identidade nos fala, então, sobre a cultura, a época, as relações sociais e psíquicas as quais o indivíduo foi e/ou é submetido, ou seja, ela é também uma intersecção de diferentes componentes. É através dos significados produzidos por estas relações que encontramos sentido para aquilo que somos ou, ainda, para aquilo que podemos nos tornar.
Para falarmos em identidade precisamos falar também de diferença. A nossa identidade, muitas vezes, é descrita a partir do que ela não é. São essas diferenças utilizadas para promover classificações ou agrupamentos (ex: identidade nacional), que possibilitam divisões do tipo: nós/eles. Dessa forma, ao contrário do que possa parecer, identidade e diferença não são conceitos antagônicos; além de serem interligados, partilham uma importante característica, a de serem resultantes de uma atividade lingüística. Isso equivale dizer que não são essenciais, não são elementos naturais que estão a espera de se revelar ou serem descobertos. Ambos, para existir, precisam ser ativamente criados ou produzidos. Somos nós que criamos identidades e diferenças nas nossas relações sociais e culturais. Sob essas influências e diferenças, as posições que assumimos e com as quais subjetivamente nos identificamos, constituem nossas identidades.

ALTERIDADE: “qualidade de ser outro”, relação com um outro no qual não nos vemos refletidos. É oposto de identidade.

LINHAGEM OU GENEALOGIA: Linha de parentesco que estabelece um vínculo contínuo de descendência entre pessoas de várias gerações, podendo servir para a identificação de um grupo.

ETNIA: Refere-se à classificação de um povo ou de uma população de acordo com sua organização social e cultural, caracterizadas por particulares modos de vida.

ETNOCENTRISMO: sentimento genérico das pessoas que preferem o modo de vida do seu próprio grupo social ou cultural ao de outros. Visão de mundo na qual o centro de todos os valores é o próprio grupo a que o indivíduo pertence.

RAÇA: só há sentido usar o termo “raça” numa sociedade marcada pelo racismo. Do ponto de vista científico não existem raças humanas; há apenas uma raça humana. No entanto, do ponto de vista social e político é possível (e necessário) reconhecer a existência do racismo enquanto atitude.

RACISMO: É uma doutrina que afirma não só a existência das raças, mas também a superioridade natural e, portanto, hereditária, de umas sobre as outras. A atitude racista atribui qualidades aos indivíduos ou aos grupos conforme o seu suposto pertencimento biológico a uma dessas diferentes raças, portanto, de acordo com as suas supostas qualidades ou defeitos inatos e hereditários.

ESTEREÓTIPO: É um “molde” imposto com valores negativos a uma grupo ou a uma pessoa para inferioriza-la.

PRECONCEITO: Qualquer atitude negativa em relação a uma pessoa ou a um grupo social que derive de uma idéia preconcebida sobre tal pessoa ou grupo; é um pré-juízo.

DISCRIMINAÇÃO: Ação de discriminar, tratar diferente, anular, de tornar invisível, excluir, marginalizar.

DIFERENÇA: Viva a diferença com direitos iguais!

DESIGUALDADE: hierarquização entre indivíduos e/ou grupos não permitindo um tratamento igualitário (em termos de oportunidades, acesso a bens e recursos etc.) a todos/as.

Trabalhos do 3° bimestre

Trabalho 1 – montar uma árvore genealógica familiar, demonstrando as relações de parentesco entre as pessoas. Em seguida, fazer uma legenda com os nomes e as características de cada pessoa: aspectos corporais; nascimento; idade atual ou óbito; doenças que tiveram (ou morreram de que); descendente de que tipo humano; vivem/viveram em que região do Brasil; o que comem/comiam; que festas, danças, brincadeiras, trabalhos e artes fazem/faziam.

Trabalho 2 – contar uma história usando os elementos pesquisados por você e montados na árvore genealógica, como se fosse uma história para as gerações novatas, com o intuito de ilustrar um pouco a vida de seus antepassados familiares.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O lado negro dos jogos

Jornal Extra, domingo 10 de agosto de 2008, p.17
Leonardo Valente

Estadistas, ativistas e até terroristas já exploraram oportunidades nas Olimpíadas

Quando a chama foi acesa no estádio olímpico Ninho do Pássaro, na sexta-feira – encerrando a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim – milhões de espectadores em todo o mundo olhavam admirados para uma China da qual já se ouvia falar, mas que pouca gente até então teve oportunidade de ver: moderna, organizada e muito rica. Para o comitê organizador, ficou a alegria pelo sucesso dessa primeira etapa. Para a História, foi o início espetacular de mais uma Olimpíada que transcende o mundo do esporte para se transformar em um megaevento político.

- Em 1936, Adolf Hitler fez das Olimpíadas de Berlim um grande evento de propaganda nazista. E, a partir daquele ano, o que observamos é uma politização explícita dos Jogos – diz Willians Gonçalves, professor de relações internacionais da UFF e da UERJ.

Não apenas os países passaram a ter noção da importância política das Olimpíadas, mas também muitas organizações, inclusive terroristas, que viram no evento uma grande oportunidade para divulgar suas causas. Nos Jogos de 1968, na Cidades do México, atletas negros americanos ficaram conhecidos em todo mundo pela saudação black power (típica do grupo Panteras Negras), em protesto contra política racial nos Estados Unidos.

Já em 1972, durante as Olimpíadas de Munique, ocorreu um dos episódios mais dramáticos da História dos Jogos: o evento acabou marcado pela morte de 18 pessoas, entre atletas israelenses, terroristas e policiais. Palestinos da organização Setembro Negro invadiram os dormitórios da delegação israelense. Duas pessoas foram assassinadas imediatamente e nove foram feitas reféns. Os terroristas pediam a libertação de 200 árabes presos em Israel.

Em 1980, em Moscou, uma outra versão das Olimpíadas ficou marcada pela propaganda política. A União Soviética mostrou ao mundo sua organização e emocionou milhões de espectadores com seu mascote, o urso Misha. Mas os Jogos também acabaram sendo marcados pelo boicote dos Estados Unidos e de países da Europa Ocidental, em protesto contra a invasão soviética ao Afeganistão.

A grande repercussão da Olimpíada soviética teve como reposta a realização dos Jogos de 1984, em Los Angeles. Os americanos fizeram questão de mostrar alta tecnologia, numa clara provocação ao bloco socialista, que já se encontrava em relativo atraso tecnológico. Em retaliação ao boicote de 19880, a União Soviética e seus aliados não foram aos Jogos.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Grandes jogos e Política do pão e circo VERSÃO 2010

O mundo europeu da Antiguidade teve impérios como o Grego (e o Romano, em seguida), que viviam de guerras. Era preciso manter o controle da população diante disso, que provocava fome, morte, escravidão. Os filósofos da época, ao atentarem para as medidas dos governantes para este controle, as chamaram de “política do pão e circo”. Para amenizar e “anestesiar” a população de seus problemas cotidianos, os governos promoviam cada vez mais os chamados “grandes jogos”, que a princípio tinham caráter festivo e de louvação aos deuses. Durante a realização destes, as guerras que estivessem ocorrendo ficavam suspensas. Aos jogos, que eram a própria diversão das massas, somava-se redistribuição de alimentos. Problemas “políticos” podiam ser resolvidos; e a estabilidade dos impérios, garantida.
Na era moderna, o Barão de Cobertin retoma os “grandes jogos” atribuindo-lhes valores “educacionais” e de congregação dos povos do mundo, tanto que os primeiros jogos foram realizados com atletas amadores. Estes valores, reunidos na “filosofia do olimpismo”, utilizariam os jogos para a “formação de uma consciência pacifista, democrática, humanitária, cultural e ecológica por intermédio da prática esportiva”.

No entanto, apesar destes ideais, o que realmente foi retomado, com uma nova apresentação, se chama “política do pão e circo”. Promover a diversão de países do mundo todo através de disputas esportivas é pertinente quando existem poucas pessoas privilegiadas e a maioria sem suas necessidades vitais e básicas concretizadas. Percebe-se que o mundo está marcado por alguns campeonatos mundiais, e outros regionais e locais. Enquanto estes jogos acontecem, nos esquecemos de nossos problemas e que nada mudará após algum atleta ganhar ou perder uma medalha.
É possível perceber a importância desses jogos e dessa política através do investimento neles. Além de grandes empresas patrocinarem atletas, de vários programas ditos “sociais” realizados pelos governos, os grandes meios de comunicação colocam em evidência o esporte como resposta a todo tipo de problema: social, educacional, de saúde, psicológico etc.. Se investe muito neste fenômeno e pouquíssimo em educação e saúde: com o dinheiro gasto para a realização destes eventos, se poderia revolucionar os sistemas públicos de educação, saúde, transporte etc..

Nosso exemplo mais próximo é o Pan-Rio2007, em que a “agenda social” foi vulgarizada, tendo apenas alguns pontos (os menos importantes) cumpridos; e o orçamento estourado, se gastando mais que 10 vezes o planejado. Já a China2009, desde 2001 gastou por base 53 bilhões no evento e a maior parte dos problemas permanece. A estrutura esportiva do país, assim como da cidade do Rio, é que foi mudada. Mesmo assim, as pessoas se sentem orgulhosas em sediar estes eventos. É essa mesma população quem paga pelo evento, de diversas formas (impostos, pagamento de ingressos, voluntariado), mas, de fato ganha quase nada. Quem ganha mesmo é quem aplica esta política: governo e grandes empresas (patrocinadoras, de comunicação, turismo etc.).

Exposição sobre Futebol e Copas no Forte

Local: Forte de Copacabana – Praça Coronel Eugênio Franco nº 1 – Posto 6, Copacabana
Datas: De 30 de abril a 23 de maio
Horários: De terça a domingo, das 9h às 20h

Roteiro do Trabalho (2ºBimestre)

ROTEIRO DE ELABORAÇÃO DE TRABALHO
EDUCAÇÃO FÍSICA – PROFESSOR BRUNO

Como elaborar o trabalho escrito:
1° passo - pesquisa (em livros, revistas, internet, jornais, entrevistas, documentários etc...)
2° passo - parte escrita

(1ª folha) capa: cabeçalho / tema / nomes, números, turma;

(2ª folha) introdução ao trabalho (texto onde se responde para que o trabalho foi feito, qual a importância, sobre o que se está escrevendo, para quem serve, e as questões de todo o trabalho);

(3ª folha) a partir desta folha é o conteúdo, com no mínimo 5 e no máximo 7 folhas de texto;

(última folha de texto) fontes e bibliografia, que devem ser variadas e estarem organizadas conforme a seguir:
Se for num livro, revista ou jornal (coloque assim: nome do autor, título, editora, ano)
Se for da internet (autor, título, ano, página da internet)
Se for anotação de programa de tv (autor, título da matéria, nome do programa, ano)
Se for entrevista (entrevista com “nome do entrevistado”, data de entrevista e quem entrevistou)

(anexos) no final do trabalho: figuras, gráficos e tudo aquilo que não fizer parte do “texto”, mas que seja bom mostrar no trabalho.

Se o trabalho for feito no computador deve seguir a formatação: Fonte times new roman, tamanho 12, espaçamento simples, justificado, página tipo A4, com 2cm nas margens.
Impressão com folha de papel RECICLADO. Atenção à consciência e à responsabilidade sócio-ecológica!

Se for feito à mão: letra legível e em folhas de caderno sem figuras.

Evite copiar e colar da internet ou de outa fonte, desenvolva seu próprio texto sobre os assuntos!
Pesquisar no mínimo uma fonte de cada tipo acima.

+ (Mural artístico) desenhado sobre o tema do trabalho


Avaliação:
Serão avaliados a organização, o cumprimento das etapas e a consistência do trabalho;
Os pontos serão dados de acordo com os componentes de cada grupo.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Teste de andar e correr em 12’ (Cooper)

Teste de andar e correr em 12’ (Cooper)

População alvo: apresenta uma ampla variedade de população, podendo ser aplicado em pessoas com baixo condicionamento físico e na maioria dos atletas. Em relação ao grupo etário é possível sua aplicação entre 10 e 70 anos para ambos os sexos.
Metodologia: o avaliado deverá correr e/ou caminhar sem interrupção durante 12 minutos, sendo registrada a distância total percorrida. A forma ideal de execução do teste, em termos de velocidade de deslocamento, será aquela onde o avaliado mantenha uma velocidade constante durante todo o teste. Quando da interrupção do mesmo, o avaliado deverá manter-se em deslocamento caminhando no sentido transversal ao do deslocamento. Com a distancia apurada, identificar na tabela a categoria de capacidade aeróbica de acordo com a idade e sexo do avaliado.

Categoria de capacidade aeróbica (idade de 13 a 19 anos)

I.muito fraca: H < 2090m / M < 1610
II.fraca: H 2090-2200m / M 1610-1900
III.média: H 2210-2510m / M 1910-2080
IV.boa: H 2520-2770m / M 2090-2300
V.excelente: H 2780-3000m / M 2310-2430
VI.superior: H > 3000m / M > 2430

(Fonte: MARINS, João Carlos Bouzas & GIANNICHI, Ronaldo César. Avaliação e prescrição de atividade física: guia prático. 2.ed. Rio de Janeiro: Shape, 1998.) p.123, 173, 174, 175

sexta-feira, 12 de março de 2010

A “educação física” enquanto “educação e movimento”

O movimento, que é associado ao trabalho e também à transformação, tradicionalmente é relegado a um campo marginal de conhecimento no meio escolar. Entretanto, sua suposta “ausência” entre os educandos sempre esteve presente, principalmente na estrutura organizacional escolar e nas idéias, formando assim pessoas “estagnadas” – tanto no aspecto corporal, quanto no campo de pensamentos e sentimentos (obs.: esta ilustração é didática apenas, pois assumo a concepção de ser humano integral e as linhas “teóricas” correspondentes, não concebendo tais divisões como realmente existentes). A própria expressão “educação física” demonstra esta problemática.

Entendendo que o movimento é essência da, ou melhor, é a própria vida, a educação física teria enquanto objeto de conhecimento o ser humano e sua relação com o movimento. Assume-se assim a questão da transformação dos paradigmas clássicos da área, como a tendência tradicional e tecnicista, assim como a forte influência esportivista. Árdua tarefa, visto que é uma minoria de educadores da área alinhados com a transformação, reforçando a situação e colaborando para a passividade de seus educandos e a manutenção de suas limitações.

Temos nesta proposta algumas abordagens específicas. Estas são:

Educação SOBRE o movimento – na qual os temas tratados estão relacionados com: cinesiologia, anatomia, fisiologia, história, psicologia “do esporte” etc..
Aprender sobre o organismo ou o chamado “corpo biológico” e a relação com suas mudanças, ou seja, seus movimentos.

Educação ATRAVÉS do movimento – na qual se trata da reflexão de valores, como saúde, doença, estética, ética, tempo livre, socialização etc.. Aprender que todo movimento e gesto têm inculcado valores, que traduzem uma cultura e muitas vezes os praticamos sem questionamento ou crítica, ficando apenas reproduzindo-os.

Educação PELO/EM movimento – na qual enfoca a participação ativa no movimento, implicando no conhecimento de si e do outro, do mundo. Neste se projeta o autoconhecimento e a terapêutica, no sentido em que se identifica motivos para se continuar ou mudar, juntamente com o “fazer” coerente com estas forças.

Com o intuito de provocar e propocionar movimento aos educandos, nas suas diversas formas (ou seja, didaticamente: tanto movimentos “corporais” tanto como de “pensamentos e sentimentos”), é que temas, conteúdos e metodologias foram escolhidos.

Introdução do Planejamento Anual para a Educação Física no Nono Ano do Ensino Fundamental, do Prof. Bruno.

Pressão Arterial (PA) e Frequência Cardíaca (FC)

Uma onda de sangue entra na aorta com cada contração do ventrículo esquerdo, distendendo o vaso e gerando pressão em seu interior. O estiramento e subsequente recuo da parede aórtica propagam-se como uma onda através de todo o sistema arterial. A onda de pressão aparece prontamente como um pulso nas seguintes áreas: a artéria radial superficial pelo lado do punho que corresponde ao polegar, a artéria temporal (ao lado da cabeça na têmpora) e a artéria carótida ao longo da parte lateral da traquéia. Nas pessoas saudáveis, a frequência do pulso é igual à frequência cardíaca.

(fonte: McArdle, William D.; KATCH, Frank I.; KATCH, Victor L.. Fundamentos de fisiologia do exercício. 2.ed. (tradução: Giuseppe Taranto) Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.)

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Cultura, culturas, natureza, culturas - Carlos Rodrigues Brandão

Cultura, culturas, natureza, culturas
Carlos Rodrigues Brandão

A criação da cultura
De duas maneiras podemos entender a criação da cultura pelos seres humanos.
Em uma direção, a cultura representa o processo e os produtos do trabalho na transformação da natureza dada a nós, em um mundo significativo, intencionalmente criado por nós. Trabalhos, ciências, tecnologias, artes, das mais arcaicas às mais atuais, desde as que praticam as nossas sociedades indígenas até as criadas mais recentemente pela empresa neo-capitalista, eis os processos e os produtos da cultura em sua sempre continua interação com o mundo natural. A casa construída em qualquer lugar é um produto do trabalho humano de criar cultura através de processos culturais que envolvem as mais diferentes tecnologias de relações com forças, energias e matérias da natureza. Práticas sociais fundadas em principias de conhecimentos de diferentes ciências. Isto vale para uma aldeia indígena da Amazônia e para uma grande cidade do América Latina ou da Europa. Criar cultura é transformar intencionalmente a natureza, dotando de sentido e de valor o ato transformador e o produto da transformação. Somos o que criamos, ao gerar o mundo onde sobrevivemos e nos transformamos a nós mesmos... culturalmente.
Pois, na outra direção, o mais importante trabalho da cultura é o que os seres humanos realizam sobre eles mesmos. Somos a única espécie que transcendeu o domínio das leis biológicos impressas geneticamente sobre cada um e todos os participantes de um grupo de seres vivos, para criar um mundo de relacionamentos fundado sobre regras sociais. Macacos se unem a uma fêmea. Nós nos casamos com uma mulher que, filha de alguém, se transforma em nossa esposa, mãe de nossos filhos, avó dos netos e madrinha dos afilhados.
Somos uma espécie única de criadores de técnicas de ação, e também de regras do agir, de códigos de conduta ou gramáticas de relacionamentos interativos. E somos também criadores dos contos, dos cantos, dos mitos, dos poemas épicos, das idéias, dos imaginários e das ideologias, das ciências, das filosofias, das espiritualidades e das religiões. Se foi um deus amoroso quem nos deu “os dez mandamentos”, fomos nós quem inventamos tanto as palavras quanto a vida social que deu sentido a eles. Enfim, somos ao mesmo tempo os criadores e os servos de uma variedade de sistemas de sentido com que continuamente nos dizemos a nós mesmos quem somos e quem não somos. Quem são os outros que não são “nõs”. Qual a origem de nosso mundo, da vida e de nós mesmos. Como se deve ser diante de cada outro. E como cada tipo de individuo natural — como o macho e a fêmea — transformados culturalmente em categorias de sujeitos sociais — como homem e a mulher, o marido e a esposa, a mãe e a filha, o jovem e o ancião, o nativo e o estrangeiro — devem se colocar diante do “outro” e devem se relacionar com ele. Com “eles”.
Assim, a cultura é e está nos atos e nos fatos através dos quais nos apropriamos do mundo natural e o transformamos em um mundo humano. E ela está também nos gestos e nos feitos com que nos criamos a nós próprios, ao passarmos — em cada individuo, em um grupo humano ou em toda a nossa espécie — de organismos biológicos a sujeitos sociais. Ao criarmos socialmente os nossos próprios mundos e ao procurarmos dotá-los e a nós próprios e aos nossos destinos de algum sentido. Somos aquilo em que nos transformamos ao continuamente transformarmos o mundo natural de que somos parte e de que vivemos.
A cultura está mais no que e no como nós nos dizemos palavras, idéias, símbolos e significados entre nós, para nós e a nosso respeito, do que nós fazemos em nosso mundo, ao nos organizarmos socialmente para viver nele e transformá-lo. Eis um belo sentido da idéia de nossa liberdade. Ao levarmos a vida do reflexo à reflexão e do conhecimento à consciência, nós acrescentamos ao mundo o dom gratuito do espírito. Com ele, nós nos tornamos senhores do sentido e criadores de uma vida regida não pelo instinto impresso na biologia do corpo da espécie, como entre nossos irmãos animais, mas pelo símbolo, pelo saber e pelo sentimento tornado mito e rito.
Somos uma espécie única que, ao longo de toda a história da humanidade e também em cada pequenino momento da vida cotidiana, estamos a todo o tempo criando e recriando as teias e as tramas de simbolos e de significados com o que buscamos respostas ás nossas perguntas. Com que estabelecemos sentidos para as nossas vidas, consagramos principios para a nossa múltipla convivência e nos impomos códigos e gramáticas de preceitos e regras para podermos viver no único mundo que nos é possível: uma sociedade humana e as suas várias culturas.

Diferenças, desigualdades
Pois as culturas são múltiplas. Foram e são inúmeras nos tempos da história e nos espaços da geografia humana. Somos a única espécie que, munida de um mesmo aparato biopsicotógico, ao invés de produzir um único modo de vida, ou modos de ser muito semelhantes, geramos quase incontáveis formas de ser e de viver, como tipos de sociedades e de culturas.
Durante muito tempo estas diferenças culturais foram pensadas como desigualdades entre culturas. De que maneira? Seguindo tradições da Grécia antiga, os modos de ser “do outro” costumavam ser classificados como: “primitivos”, “selvagens”, “bárbaros”. Ainda hoje, muitas vezes, pensam-se e se classificam povos e suas culturas desta maneira. Tomando o modo de ser ocidental, branco e europeu de ser como um padrão de civilidade e de desenvolvimento cultural, todos os outros eram avaliados como situados em algum ponto anterior de uma espécie de “evolução” inevitável e diferenciada da humanidade. Ciências, sistemas jurídicos, artes, religiões, enfim, modos sociais de se ser, pensar e viver de povos das Amêricas, da Ásia, da Oceania e da África, eram distribuídos em escalas de “evolução cultural” com graus quantitativos e qualitativos de “atraso” ou de “primitivo”, diante de um padrão de “civilização” representado, quase sempre, por algum sistema cultural “erudito e civilizado”de atribuição de identidade.
Sabemos hoje que nada disto corresponde à verdade. Cada cultura é uma experiência única, irredutível a qualquer uma outra. Cada sistema cultural vive o seu próprio tempo em seu próprio ritmo. Cada cultura possui uma coerência interna em todos os seus planos e em todas as suas dimensões de realização. Portanto, cada cultura somente pode ser compreendida em toda a sua experiência, “de dentro para fora”. Isto é, do interior de sua própria lógica para qualquer outra.
Entre o que podemos chamar de “cultura tapirapé”. “cultura aymara”, “culturas de tradições afro¬americanas” e “culturas brancas de tradição européia nas Américas”, existem formas qualitativas de diferenças de realização e, não, graus quantitativos de desigualdade evolutiva tradutível como mais ou menos “primitiva” ou “civilizada”. Os cientistas da natureza humana (biólogos, geneticistas, paleontólogos) não encontram razão alguma que justifique uma diferença que signifique uma verdadeira desigualdade qualitativa entre as diferentes “raças humanas”, cujo equivalente cultural são as inúmeras etnias do passado e do presente da humanidade. Assim também os cientistas sociais não afiliados a alguma visão evolucionista estreita, não encontram motivos para classificar as culturas dos diferentes povos da terra segundo qualquer escala hierárquica típica dos olhares do passado.
Simplesmente não há escalas, não há uma “trajetória do selvagem ao civilizado, passando pelo bárbaro”, não há um eixo central de onde as culturas partem e não há um ápice cultural que todas devem inevitavelmente atingir. Existem diferentes vocações culturais e esta diferença não é um acidente transitório a superar. Ela é a própria realização de uma vocação humana à liberdade, na criação continua da diversidade das experiências humanas de vida e de sentido da vida.
Sem qualquer eixo universal de determinação de direções únicas, as culturas humanas possuem situações de origens diferenciadas. Possuem trajetórias de interações com a natureza e com outras culturas também diferentes. Possuem, finalmente, ritmos de transformações e vocações de realização de si mesmas e de seus sujeitos, também diferenciadas. Esta é também a razão pela qual hoje em dia dizemos que existem inúmeras experiências partilhadas, logo, socioculturais, de Deus, do sagrado e da religião, que em nada poom ser classificadas como “primitivas”, “atrasadas”, “falsas” ou “evoluidas”, “verdadeiras”. Cada uma delas realiza no tempo e no espaço uma vocação humana da experiência do sagrado. E é mais através de suas diferenças em direção a horizontes humanos comuns, do que por meio de suas igualdades forçadas, que elas se comunicam através do diálogo fraterno entre os seus diferentes crentes e praticantes.
E os próprios sonhos e ideais humanos, como a busca universal da paz, como o destino ao amor, à partilha solidária da Terra, como a procura incessante de construção de um único mundo justo, fraterno e não-excludente de pessoas, de povos e de experiências culturais, há de ser uma convergência entre pessoas, povos e culturas diferentes pela escolha de seus caminhos, e absolutamente igualados quanto aos direitos humanos de trilhá-los com passos de seres humanos livres, participantes, solidários e felizes. Fernando Pessoa diz isto: “tudo o que existe é diferente de mim. E por isso tudo existe”.

A Educação Física como Cultura Corporal

O ser humano, desde suas origens, produziu cultura. Sua história é uma história de cultura, na medida em que tudo o que faz está inserido num contexto cultural, produzindo e reproduzindo cultura. O conceito de cultura é aqui entendido como produto da sociedade, da coletividade à qual os indivíduos pertencem, antecedendo-os e transcendendo-os.
"É preciso considerar que não se trata, aqui, do sentido mais usual do termo cultura, empregado para definir certo saber, ilustração, refinamento de maneiras. No sentido antropológico do termo, afirma-se que todo e qualquer indivíduo nasce no contexto de uma cultura, não existe homem sem cultura, mesmo que não saiba ler, escrever e fazer contas. É como se se pudesse dizer que o homem é biologicamente incompleto: não sobreviveria sozinho sem a participação das pessoas e do grupo que o gerou.
A cultura é o conjunto de códigos simbólicos reconhecíveis pelo grupo: neles o indivíduo é formado desde o momento da sua concepção; nesses mesmos códigos, durante a sua infância, aprende os valores do grupo; por eles é mais tarde introduzido nas obrigações da vida adulta, da maneira como cada grupo social as concebe."
A fragilidade de recursos biológicos fez com que os seres humanos buscassem suprir as insuficiências com criações que tornassem os movimentos mais eficazes, seja por razões "militares", relativas ao domínio e uso de espaço, seja por razões econômicas, que dizem respeito às tecnologias de caça, pesca e agricultura, seja por razões religiosas, que tangem aos rituais e festas, ou por razões apenas lúdicas. Derivaram daí inúmeros conhecimentos e representações que se transformaram ao longo do tempo, tendo ressignificadas as suas intencionalidades e formas de expressão e que constituem o que se pode chamar de cultura corporal.
Dentre as produções dessa cultura corporal, algumas foram incorporadas pela Educação Física em seus conteúdos: o jogo, o esporte, a dança, a ginástica e a luta. Estes têm em comum a representação corporal, com características lúdicas, de diversas culturas humanas; todos eles ressignificam a cultura corporal humana e o fazem utilizando uma atitude lúdica.
A Educação Física tem uma história de pelo menos um século e meio no mundo ocidental moderno, possui uma tradição e um saber-fazer e tem buscado a formulação de um recorte epistemológico próprio.
Assim, a área de Educação Física hoje contempla múltiplos conhecimentos produzidos e usufruídos pela sociedade a respeito do corpo e do movimento. Entre eles, se consideram fundamentais as atividades culturais de movimento com finalidades de lazer, expressão de sentimentos, afetos e emoções, e com possibilidades de promoção, recuperação e manutenção da saúde.
Trata-se, então, de localizar em cada uma dessas manifestações (jogo, esporte, dança, ginástica e luta) seus benefícios fisiológicos e psicológicos e suas possibilidades de utilização como instrumentos de comunicação, expressão, lazer e cultura, e formular a partir daí as propostas para a Educação Física escolar.
A Educação Física escolar pode sistematizar situações de ensino e aprendizagem que garantam aos alunos o acesso a conhecimentos práticos e conceituais. Para isso é necessário mudar a ênfase na aptidão física e no rendimento padronizado que caracterizava a Educação Física, para uma concepção mais abrangente, que contemple todas as dimensões envolvidas em cada prática corporal. É fundamental também que se faça uma clara distinção entre os objetivos da Educação Física escolar e os objetivos do esporte, da dança, da ginástica e da luta profissionais, pois, embora seja uma referência, o profissionalismo não pode ser a meta almejada pela escola. A Educação Física escolar deve dar oportunidades a todos os alunos para que desenvolvam suas potencialidades, de forma democrática e não seletiva, visando seu aprimoramento como seres humanos. Nesse sentido, cabe assinalar que os alunos portadores de deficiências físicas não podem ser privados das aulas de Educação Física.
Independentemente de qual seja o conteúdo escolhido, os processos de ensino e aprendizagem devem considerar as características dos alunos em todas as suas dimensões (cognitiva, corporal, afetiva, ética, estética, de relação interpessoal e inserção social). Sobre o jogo da amarelinha, o voleibol ou uma dança, o aluno deve aprender, para além das técnicas de execução, a discutir regras e estratégias, apreciá-los criticamente, analisá-los esteticamente, avaliá-los eticamente, ressignificá-los e recriá-los.
É tarefa da Educação Física escolar, portanto, garantir o acesso dos alunos às práticas da cultura corporal, contribuir para a construção de um estilo pessoal de exercê-las e oferecer instrumentos para que sejam capazes de apreciá-las criticamente.

*Trecho dos Parâmetros Curriculares Nacionais para a Educação Física no Ensino Fundamental

Cultura e natureza

Debateremos uma questão básica, de certa forma já superada, sobre cultura. Por isso, também, precisaremos entender o que é natureza.

O ser humano não é pronto. Ele muda. E está em constante mudança, e esta característica parece ser bem específica dele próprio. Outros seres que conhecemos não têm a capacidade de mudar que o ser humano possui. Os outros seres, dessa forma, continuariam a ser sempre o que são. Poderíamos dizer que tudo faz parte do que chamamos natureza, e que, o ser humano se distinguiria dos outros seres por agir culturalmente. Poderíamos acrescentar outras idéias, todas tendo em comum que o ser humano seja passível de modificação – ou seja, não está pronto de uma vez por todas. Ele é visto como uma criação de si próprio, mediante um trabalho específico, ligado à convivência social, à ação de uns sobre os outros (e reciprocamente). É nesse quadro que os antropólogos, mas não só eles, se especializaram na idéia de que a cultura é a dimensão característica do ser humano.

A cultura é a lente através da qual os seres humanos enxergam a realidade. Com isto, se quer dizer que há uma multiplicidade de formas de ver o mundo, dependendo da maneira como se foi ensinado a vê-lo e que isto na depende da cor da pele de uma pessoa, do lugar de onde nasceu ou do clima onde vive.

Esta multiplicidade que poderíamos chamar de multiplicidade cultural é proveniente da criatividade humana, que encontra soluções muito distintas para problemas bastante comuns à humanidade, tais como os de sobrevivência, como perceber a natureza, o tempo e o espaço.

A maneira como se percebe a natureza e se lhe atribui significados é também cultural. Dizendo de uma outra maneira, a natureza apenas existe a partir do olhar humano que olha para ela, classifica as espécies existentes, define quais são úteis ou não.

Esquema:

NATUREZA
- Sem intervenção humana
- Biológico
- Sem aprendizado
- Sem responsabilidade
- Sem vontade, instinto, automatismo, espontâneo
- Objeto
- Herança genética

CULTURA
- Com intervenção humana
- Social
- Com aprendizado
- Com responsabilidade
- Com vontade, razão, escolha
- Sujeito
- Modos de viver, herança social, criações e invenções

Questionário 2010

Questionário:

1. nome / idade / turma
2. mora onde? (bairro, município)
3. pratica atividade física regular? Qual?
4. trabalha em que?
5. mora com quem?
6. como ocupa seu tempo livre?

7. o que é EF?
8. para que servem as aulas de EF?
9. como foram as aulas de EF passadas?
10. o que considera importante aprender nestas aulas?
11. como gostaria de ser avaliado?
12. o que espera do atual professor?

13. o que representa a escola para você?
14. por que você está na escola?

15. escreva algo que você aprendeu nas aulas de EF: