domingo, 22 de maio de 2011

sábado, 21 de maio de 2011

Acorda, Brasil-il-il: farra do Maracanã conduz a reforma para R$ 1 bilhão

Navegando pela internet encontrei esta matéria no blog do comentarista da ESPN Brasil, Mauro Cesar Pereira, onde o comentarista da ESPN fala do absurdo das obras do Maracanã.

Está no jornal O Globo de hoje, terça-feira: “Gasto com obras do Maracanã pode chegar a R$ 1 bilhão”. A matéria de Luiz Ernesto Magalhães lembra que a brincadeira já está custando R$ 712 milhões (inicialmente seriam R$ 705,5 milhões) e revela que foram encontrados “sinais de deterioração de parte da estrutura da cobertura original”. Assim, a reforma, que descaracterizará o estádio e que inicialmente terminaria em dezembro de 2012, podem se arrastar por mais seis meses, elevando seus custos totais à casa de R$ 1 bilhão – clique aqui e leia.

O consultor em engenharia estrutural João Luiz Casagrande dá uma declaração estarrecedora a O Globo: “Não estou surpreso que encontraram sinais de deterioração. Estruturas metálicas e de concreto armado foram projetadas para durar 50 anos. O Maracanã já tem 60 anos”. Ora, então que orçamento inicial era aquele? Talvez tenham apresentado números elevadíssimos mas não tão assustadores para, adiante, revelar a realidade.

“Minha estimativa é que possa chegar a R$ 900 milhões ou até R$ 1 bilhão”, acrescenta Casagrande. Este blog vem alertando para isso não é de hoje (veja matérias anteriores nos links abaixo). Se ele vinha chamando atenção para isso, o que o Estado fez diante de tais “alertas”?

A mídia oficial, claro, já defende o indefensável. Citam superfaturamentos em estádios da África do Sul, ou o estouro no custo da construção do novo Wembley. Como se absurdos anteriores justificassem novos. Pena que a indignação dos brasileiros com um pênalti mal marcado contra seu time de fé seja mil vezes maior do que qualquer reação contrária a tamanho absurdo.

Acorda, Brasil-il-il-il-il!

Fonte: http://www.espn.com.br/maurocezarpereira

http://www.futsalinterior.com.br/2011/01/11/acorda-brasil-il-il-farra-do-maracana-conduz-a-reforma-para-r-1-bilhao/

Reforma do Maracanã custará R$ 956,8 milhões, o dobro do previsto - Estadão

A conclusão das obras está prevista para dezembro de 2012 - ou seja, no limite da Fifa
17 de maio de 2011

A reforma do Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, que sediará a decisão da Copa do Mundo de 2014, custará R$ 956,8 milhões, aproximadamente o dobro do valor que estava previsto anteriormente, informou o Governo do Rio de Janeiro, que apresentou nesta terça-feira o orçamento oficial ao Tribunal de Contas.

O documento foi entregue ao presidente do TCU, ministro Benjamin Zymler, pelo vice-governador fluminense Luiz Fernando Pezão, ao lado do relator, o ministroWalmir Campello.

Segundo o documento, o custo das obras duplica os cálculos iniciais anunciados no final de 2009, que eram de cerca R$ 500 milhões.

A conclusão das obras está prevista para dezembro de 2012, de acordo com os responsáveis pelo projeto, exatamente na data limite que a Fifa impôs para os estádios que serão utilizados na Copa das Confederações de 2013.

Cerca de 90% da parte interna do antigo estádio já foi demolida, enquanto fachada será mantida intacta, segundo um comunicado do Governo do estado.

Uma das razões que explicam o aumento do orçamento é a necessidade de demolir a cobertura, que se encontra muito desgastada, conforme constatação dos engenheiros, e será substituída por uma estrutura de lona tensionada, que dura cerca de 50 anos e tem uma aparência similar à atual.

O desenho definitivo prevê a redução da capacidade de 87 mil assentos para 80 mil, e não para 76.525, como previa o projeto inicial.

http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,reforma-do-maracana-custara-r-9568-milhoes-o-dobro-do-previsto,720532,0.htm

Projeto da cobertura do Maracanã é divulgado. Estádio pronto em 2012 - GloboEsporte

Projeto da cobertura do Maracanã é divulgado. Estádio pronto em 2012

‘Vamos entregar a mais moderna arena do mundo’, garante Luiz Fernando Pezão, vice-governador e secretário de Obras do Estado do RJ

Por GLOBOESPORTE.COM


Um novo Maracanã será entregue aos cariocas em dezembro de 2012. Com cobertura nova, o estádio, que servirá de palco para a final da Copa do Mundo de 2014, se tornará mais moderno, confortável e seguro. E, para isso, serão investidos R$ 956.787.720,00 nas obras, cujo o orçamento final foi apresentado nesta terça-feira, em Brasília, pelo vice-governador e secretário de Obras do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, pelo presidente da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop), Ícaro Moreno, e pela secretária de Esporte e Lazer, Márcia Lins, aos técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria Geral da União (CGU).

- Vamos entregar a mais moderna arena do mundo que está sendo preparada para receber a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, atendendo aos requisitos da FIFA e do Comitê Olímpico Internacional (COI). Nós somos a primeira cidade a apresentar o projeto executivo. A reforma do Maracanã, que recebe cerca de cem eventos por ano, custará menos de R$ 1 bilhão. Enquanto a construção e a reforma do Wembley, na Inglaterra, que promove 16 eventos anuais, foi orçada em R$ 3 bilhões - afirmou o vice-governador, que apresentou aos técnicos as plantas da reforma.

Novo Maracanã será entregue em 2012 (Foto: Divulgação)De acordo com a secretaria de obras, os trabalhos para reforma do Estádio Jornalista Mário Filho estão dentro do cronograma. Na semana passada, as fundações para as novas arquibancadas e as rampas de acesso externas começaram a ser construídas. Cerca de 90% da parte interna, incluindo arquibancadas, vestiários, banheiros, salas de rádio e camarotes, já foram demolidos. Os 800 profissionais responsáveis pelas melhorias do estádio estão trabalhando em dois turnos: das 7h às 17h e das 19h às 5h.

Maracanã terá capacidade para 80 mil pessoas

O valor orçado para a reforma ficou acima do esperado, por causa da necessidade de substituir a cobertura existente. A atual marquise foi condenada por laudos de órgãos nacionais e internacionais. Uma estrutura em lona tensionada, aprovada pelo Iphan por não descaracterizar a atual, vai proteger os torcedores da chuva e do calor. A estrutura tem durabilidade de 50 anos e garantia de 15 anos. Além de recursos estaduais, há um financiamento realizado junto ao Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES).

- A nova cobertura, que teve toda a sua estrutura aprovada, terá condições de luz mais uniformes, borda externa mais baixa e flexibilidade plena para instalação de equipamentos. Serão seis semanas para levantar a nova cobertura. Na demolição, podemos ver o quanto a marquise atual está degradada. Todas as premissas devem ser entregues até o dia 15 de junho. - explicou Ícaro Moreno.

Maracanã receberá certificação ambiental

Transformar o Maracanã em um estádio ecologicamente correto também está entre as prioridades do Governo do Estado do Rio de Janeiro. O projeto, preparado segundo o sistema Leardership In Energy and Environmental Design (LEED), prevê a utilização de dispositivos economizadores de água e a implantação de um sistema de captação de água de chuva, resultando em uma economia de 50% no que se refere à irrigação do gramado. Além disso, um moderno sistema de iluminação ajudará a reduzir o consumo de energia em 6%. Serão 23.500 luminárias econômicas de LER.

Mais conforto para os torcedores

A capacidade do novo Maracanã, antes prevista para 76.525 cadeiras, será aumentada para 80 mil lugares. Para oferecer mais conforto aos torcedores, serão construídos 110 camarotes, entre as arquibancadas superior e inferior, e quatro conjuntos de rampas; instalados mais onze elevadores, totalizando 16, e seis escadas rolantes, aumentando para 12; aumentado a distância entre as cadeiras de 48cm para 50cm; e colocados assentos rebatíveis nas novas cadeiras. O estádio contará com 3.860 alto-falantes, 314 câmeras de segurança, 360 monitores de TV, quatro telões e 36 mil metros quadrados de área refrigerada.

A nova cobertura do Maracanã usará a água da chuva para irrigar o gramado e alimentar os banheiros. Projeto visa economizar 50% do consumo de água no estádio (Divulgação)As obras também vão permitir ao torcedor assistir aos jogos em uma posição privilegiada e, como nos estádios americanos e europeus, ficar mais perto do campo. A parte inferior, onde ficavam as cadeiras azuis, será elevada em cerca de cinco metros. A parte superior vai avançar 12 metros em direção ao campo. O padrão de visibilidade determina que todos os espectadores possam enxergar sobre a cabeça do torcedor sentado duas fileiras à frente, em uma linha reta.

A setorização, que permite ao torcedor saber como chegar à área de arquibancada, facilitará a saída do estádio, que deverá ocorrer em apenas oito minutos. Já o gramado será mais resistente e adequado ao clima brasileiro. A construção de um túnel de acesso ao campo, além da readequação dos quatro existentes, também está entre as novidades. A área da imprensa recebeu um centro de mídia, com áreas de redação, estúdios e um auditório com 450 lugares, além de um espaço dedicado à transmissão que será acomodada no anel superior.

- A apresentação do projeto de reforma tem um conteúdo simbólico e prático. Serve de referência para outras obras que serão realizadas para a Copa do Mundo. O Rio de Janeiro demonstra total transparência no uso dos recursos públicos. Até hoje, o governo estadual ainda não precisou captar muitos recursos da União. Do orçamento total, que podia ultrapassar 50%, o Estado do Rio utilizou 35% - disse o presidente do TCU, ministro Benjamin Zymler, depois da apresentação do projeto executivo.

http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2011/05/projeto-da-nova-cobertura-do-maracana-e-divulgado-estadio-pronto-em-2012.html

Projeto da cobertura do Maracanã é divulgado. Estádio pronto em 2012 - GloboEsporte

Projeto da cobertura do Maracanã é divulgado. Estádio pronto em 2012

‘Vamos entregar a mais moderna arena do mundo’, garante Luiz Fernando Pezão, vice-governador e secretário de Obras do Estado do RJ

Por GLOBOESPORTE.COM


Um novo Maracanã será entregue aos cariocas em dezembro de 2012. Com cobertura nova, o estádio, que servirá de palco para a final da Copa do Mundo de 2014, se tornará mais moderno, confortável e seguro. E, para isso, serão investidos R$ 956.787.720,00 nas obras, cujo o orçamento final foi apresentado nesta terça-feira, em Brasília, pelo vice-governador e secretário de Obras do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, pelo presidente da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop), Ícaro Moreno, e pela secretária de Esporte e Lazer, Márcia Lins, aos técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria Geral da União (CGU).

- Vamos entregar a mais moderna arena do mundo que está sendo preparada para receber a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, atendendo aos requisitos da FIFA e do Comitê Olímpico Internacional (COI). Nós somos a primeira cidade a apresentar o projeto executivo. A reforma do Maracanã, que recebe cerca de cem eventos por ano, custará menos de R$ 1 bilhão. Enquanto a construção e a reforma do Wembley, na Inglaterra, que promove 16 eventos anuais, foi orçada em R$ 3 bilhões - afirmou o vice-governador, que apresentou aos técnicos as plantas da reforma.

Novo Maracanã será entregue em 2012 (Foto: Divulgação)De acordo com a secretaria de obras, os trabalhos para reforma do Estádio Jornalista Mário Filho estão dentro do cronograma. Na semana passada, as fundações para as novas arquibancadas e as rampas de acesso externas começaram a ser construídas. Cerca de 90% da parte interna, incluindo arquibancadas, vestiários, banheiros, salas de rádio e camarotes, já foram demolidos. Os 800 profissionais responsáveis pelas melhorias do estádio estão trabalhando em dois turnos: das 7h às 17h e das 19h às 5h.

Maracanã terá capacidade para 80 mil pessoas

O valor orçado para a reforma ficou acima do esperado, por causa da necessidade de substituir a cobertura existente. A atual marquise foi condenada por laudos de órgãos nacionais e internacionais. Uma estrutura em lona tensionada, aprovada pelo Iphan por não descaracterizar a atual, vai proteger os torcedores da chuva e do calor. A estrutura tem durabilidade de 50 anos e garantia de 15 anos. Além de recursos estaduais, há um financiamento realizado junto ao Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES).

- A nova cobertura, que teve toda a sua estrutura aprovada, terá condições de luz mais uniformes, borda externa mais baixa e flexibilidade plena para instalação de equipamentos. Serão seis semanas para levantar a nova cobertura. Na demolição, podemos ver o quanto a marquise atual está degradada. Todas as premissas devem ser entregues até o dia 15 de junho. - explicou Ícaro Moreno.

Maracanã receberá certificação ambiental

Transformar o Maracanã em um estádio ecologicamente correto também está entre as prioridades do Governo do Estado do Rio de Janeiro. O projeto, preparado segundo o sistema Leardership In Energy and Environmental Design (LEED), prevê a utilização de dispositivos economizadores de água e a implantação de um sistema de captação de água de chuva, resultando em uma economia de 50% no que se refere à irrigação do gramado. Além disso, um moderno sistema de iluminação ajudará a reduzir o consumo de energia em 6%. Serão 23.500 luminárias econômicas de LER.

Mais conforto para os torcedores

A capacidade do novo Maracanã, antes prevista para 76.525 cadeiras, será aumentada para 80 mil lugares. Para oferecer mais conforto aos torcedores, serão construídos 110 camarotes, entre as arquibancadas superior e inferior, e quatro conjuntos de rampas; instalados mais onze elevadores, totalizando 16, e seis escadas rolantes, aumentando para 12; aumentado a distância entre as cadeiras de 48cm para 50cm; e colocados assentos rebatíveis nas novas cadeiras. O estádio contará com 3.860 alto-falantes, 314 câmeras de segurança, 360 monitores de TV, quatro telões e 36 mil metros quadrados de área refrigerada.

A nova cobertura do Maracanã usará a água da chuva para irrigar o gramado e alimentar os banheiros. Projeto visa economizar 50% do consumo de água no estádio (Divulgação)As obras também vão permitir ao torcedor assistir aos jogos em uma posição privilegiada e, como nos estádios americanos e europeus, ficar mais perto do campo. A parte inferior, onde ficavam as cadeiras azuis, será elevada em cerca de cinco metros. A parte superior vai avançar 12 metros em direção ao campo. O padrão de visibilidade determina que todos os espectadores possam enxergar sobre a cabeça do torcedor sentado duas fileiras à frente, em uma linha reta.

A setorização, que permite ao torcedor saber como chegar à área de arquibancada, facilitará a saída do estádio, que deverá ocorrer em apenas oito minutos. Já o gramado será mais resistente e adequado ao clima brasileiro. A construção de um túnel de acesso ao campo, além da readequação dos quatro existentes, também está entre as novidades. A área da imprensa recebeu um centro de mídia, com áreas de redação, estúdios e um auditório com 450 lugares, além de um espaço dedicado à transmissão que será acomodada no anel superior.

- A apresentação do projeto de reforma tem um conteúdo simbólico e prático. Serve de referência para outras obras que serão realizadas para a Copa do Mundo. O Rio de Janeiro demonstra total transparência no uso dos recursos públicos. Até hoje, o governo estadual ainda não precisou captar muitos recursos da União. Do orçamento total, que podia ultrapassar 50%, o Estado do Rio utilizou 35% - disse o presidente do TCU, ministro Benjamin Zymler, depois da apresentação do projeto executivo.

http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2011/05/projeto-da-nova-cobertura-do-maracana-e-divulgado-estadio-pronto-em-2012.html

Os riscos da arrogância do império - Leonardo Boff

15/05/2011
"Estamos diante de um império. É um império singular, não baseado na ocupação territorial ou em colônias mas nas 800 bases militares distribuidas pelo mundo todo"

Conto-me entre os que se entusiasmaram com a eleição de Barack Obama para Presidente dos EUA, especialmente vindo depois de G. Bush Jr, presidente belicoso, fundamentalsta e de pouqíssimas luzes. Este acreditava da iminência do Armagedon bíblico e seguia à risca a ideologia do Destino Manifesto, um texto inventado pela vontade imperial norteamericana, para justificar a guerra contra o México, segundo o qual os EUA seriam o novo povo escolhido por Deus para levar ao mundo os direitos humanos, a liberdade e a democracia. Esta excepcionalidade se traduziu numa histórica arrogância que fazia os EUA se arrogarem o direito de levar ao mudo inteiro, pela política ou pelas armas, o seu estilo de vida e sua visão do mundo.

Esperava que o novo presidente não fosse mais refém desta nefasta e forjada eleição divina, pois anunciava em seu programa o multilateralismo e a não hegemonia. Mas tinha lá minhas desconfianças, pois atrás do Yes, we can (Sim, nós podemos”) podia se esconder a velha arrogância. Face à crise econômico-financeira, apregoava que os EUA mostrou em sua história que podia tudo e que ia superar a atual situação. Agora por ocasião do assassinato de Osama bin Laden ordenada por ele (num Estado de Direito que separa os poderes, tem o Executivo o poder de mandar matar ou não cabe isso ao Judiciário que manda prender, julgar e punir?), caiu a máscara. Não teve como escondera arrogância atávica.

O presidente, de extração humilde, afrodescentente, nascido fora do continente, primeiramente muçulmano e depois convertido evangélico, disse claramente: ”O que aconteceu domingo envia uma mensagem a todo o mundo: quando dizemos que nunca vamos esquecer, estamos falando sério”. Em outras palavras: “Terrorristas do mundo inteiro, nós vamos assassinar vocês”. Aqui está revelada, sem meias palavras, toda a arrogância e a atitude imperial de se sobrepor a toda ética.

Isso me faz lembrar uma frase de um teólogo que serviu por 12 anos como assessor da ex-Inquisição em Roma e que veio me prestar solidariedade por ocasião do processo doutrinário que lá sofri. Confessou-me: ”Aprenda da minha experiência: a ex-Inquisição, não esquece nada, não perdoa nada e cobra tudo; prepare-se”. Efetivamente, assim foi o que senti. Pior ocorreu com um teólogo moralista, queridíssimo em toda a cristandade, o alemão, Bernhard Hâring, com câncer na garganta a ponto de quase não poder falar. Mesmo assim, foi submetido a rigoroso interrogatório na sala escura daquela instância de terror psicológico por causa de algumas afirmações sobre sexualidade. Ao sair, confessou:“O interrogatório foi pior do que aquele que sofri com a SS nazista durante a guerra”. O que significa: pouco importa a etiqueta, católico ou nazista, todo sistema autoritário e totalitário obedece à mesma lógica: cobra tudo, não esquece e não perdoa. Assim prometeu Barack Osama e se propõe levar avante o Estado terrorista, criado pelo seu antecessor, mantendo o Ato Patriótico que autoriza a suspensão de certos direitos e a prisão preventiva de suspeitos sem sequer avisar aos familiares, o que configura sequestro. Não sem razão escreveu Johan Galtung, norueguês, o homem da cultura da paz, criador de duas instituições de pesquisa da paz e inventor do método Transcend na mediação dos conflitos (uma espécie de política do ganha-ganha): tais atos aproximam os EUA do Estado fascista.

O fato é que estamos diante de um império. Ele é consequência logica e necessária do presumido excepcionalismo. É um império singular, não baseado na ocupação territorial ou em colônias mas nas 800 bases militares distribuidas pelo mundo todo, a maioria desnecessária para a segurança americana. Elas estão lá para meter medo e garantir a hegemonia no mundo. Nada disso foi desmontado pelo novo imperador, nem fechou Guantânamo como prometeu, e ainda mais: enviou trinta mil soldados ao Afeganistão para uma guerra de antemão perdida.

Podemos discordar da tese básica de Abraham P. Huntington em seu discutido livro O choque de civilizações. Mas nele há observações, dignas de nota, como esta: “A crença na superioridade da cultura ocidental é falsa, imoral e perigosa”(p.395). Mais ainda: ”A intervenção ocidental provavelmente constitui a mais perigosa fonte de instabilidade e de um possível conflito global num mundo multicivilizacional”(p.397). Pois as condições para semelhante tragédia estão sendo criadas pelos EUA e pelos seus súcubos europeus.

Uma coisa é o povo norte-americano, bom, engenhoso, trabalhador e até ingênuo que admiramos, outra é o governo imperial, que não respeita tratados internacionais que vão contra seus interesses e capaz de todo tipo de violência. Mas não há impérios eternos. Chegará o momento em que ele será um número a mais no cemitério dos impérios mortos.


http://congressoemfoco.uol.com.br/noticia.asp?cod_canal=14&cod_publicacao=37066

Um equívoco - Vladimir Safatle

19/05/2011

O Ministério da Educação está prestes a cometer um grave equívoco. Na semana passada, o Conselho Nacional de Educação aprovou diretrizes “flexibilizando” o ensino médio. Tais diretrizes dão às escolas públicas e privadas autonomia para compor a grade curricular de seus alunos a partir de quatro obscuros eixos temáticos: trabalho, tecnologia, ciência e cultura.

Tal possibilidade de composição visa, entre outras coisas, favorecer o agrupamento de disciplinas, que se organizarão a partir de projetos comuns capazes de levar em conta os interesses específicos das comunidades nas quais as escolas estão inseridas.

As novas diretrizes ainda sugerem que a lei que aumenta em 20% o número de horas-aula leve em conta atividades fora da sala de aula.

O argumento para a primeira modificação é a adequação às particularidades. Uma escola em área industrial poderia, assim, dar mais ênfase a disciplinas como física e química. Certamente, para fornecer mão de obra mais adequada para as industrias locais.

Uma outra, estabelecida em área turística, talvez pudesse ensinar uma versão “Club Med” de geografia.
Vejam que interessante. Em um momento no qual se insiste na necessidade de formações capazes de abrir nossos alunos para realidades globais, resolve-se formá-los para trabalhar melhor na fábrica de tecidos da esquina. Como se eles passassem o resto de suas vidas no mesmo lugar.
Há de se perguntar se não necessitaríamos, na verdade, da definição de um currículo básico unificado a ser ministrado em todas as escolas e cuja aplicação adequada seria objeto de avaliação feita por uma inspetoria nacional.

Não creio haver alguém que discorde da importância de ensinar, de maneira aprofundada, as causas da Segunda Guerra, equações de segundo grau, o sistema literário brasileiro e as leis de Newton, em São Paulo ou em Roraima.
Podemos não estar de acordo sobre todos os conteúdos, mas se o Ministério da Educação ouvisse diretamente os professores, certamente ele seria capaz de criar um currículo básico que não colocaria nossos alunos à mercê dos caprichos do dia.

Tais caprichos ficam claros em ideias como “agrupamento de disciplinas”. Trata-se de organizar os conteúdos através dos interesses mais imediatos, normalmente aqueles ligados a notícias que aparecem na imprensa.
Assim, se a notícia do mês é o terrorismo islâmico, então agrupa-se disciplinas de história, geografia etc. para “criar projetos” capazes de dar conta da curiosidade geral.
Se nada aparecer sobre “ditadura militar”, então seus conteúdos serão secundarizados. O mínimo que se pode dizer é: triste o país que forma seus adolescentes ao sabor dos ventos.